Tem algo errado, e faz tempo

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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Tem algo errado, e faz tempo

Tem algo errado, e faz tempo

Jogo aéreo: mais uma falha, gol tomado e derrota

Foto: Reprodução Premiere

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1) Completou-se um ano e meio que o time se acostumou a perder. No ano passado, passamos perto da degola no torneio máximo nacional, com aproveitamento muito semelhante àquele de 2007.

2) O timão não joga uma bola redonda desde o recesso do Brasileiro de 2017.

3) Loss e Jair Ventura tiveram péssimo aproveitamento à frente do time de Parque São Jorge. No entanto, o Carille do período citado também coleciona números que não entusiasmam.

4) Além do Brasileiro de 2017, vencido aos trancos e barrancos, depois de um segundo turno ruim, Carille tem no currículo um Paulistão no ano passado, no qual o time também não brilhou. A vitória sobre o arquirrival, fora de casa, naquela decisão, apagou a campanha tortuosa do time na competição.

5) Neste período todo, o time manteve a tradição de marcação baixa (recuada), as falhas graves no jogo aéreo defensivo e a enorme dificuldade de criação no meio de campo. Quando o Corinthians precisa propor o jogo, é um Deus nos acuda, até mesmo dentro de casa.

6) São problemas crônicos de uma cultura de jogo defensivo que se degradou no decorrer dos anos. Teve início com Mano Menezes e encontrou seu auge com Tite.

7) Essa tradição se manteve, a princípio, com Carille. Desde meados de 2017, porém, a linha de quatro na retaguarda (em suas diversas formações) se tornou pouco confiável e o time passou a ser vazado com frequência cada vez maior.

8) Essa escola de jogo cautelosa parece pouco empenhada em trabalhar a verticalidade do jogo, especialmente na saída de bola. Tivemos com Tite segundos volantes marcados pela rápida condução de bola, como Paulinho, que solucionaram esse problema. Era essa também uma das virtudes de Elias. Há muito tempo, todavia, não contamos com um atleta que repita essas características. Até agora, não parece que o ex-gremista Ramiro possa atender a essas expectativas.

9) As duplas de meias atacantes, há muito tempo, se ressentem de uma solução de criatividade. Em ocasiões particulares, o talento de Rodriguinho ofereceu oportunidade à criação de jogadas ofensivas. Não parece que Jadson, em seu atual momento, seja capaz de proporcionar chances reais aos atacantes.

10) A desculpa de que era somente o início de temporada já não cola. Sim, o time tem sido alterado com frequência, supostamente para a realização de testes. Tampouco essa troca, entretanto, estabelece uma justificativa para derrotas diante de adversários tão modestos, alguns com folhas salariais doze vezes menores do que aquela paga por Andrés Sanchez.

11) Não se pode atribuir, desta vez, os seguidos fracassos à falta de material humano. O desmanche do ano passado foi decisivo para o malogro no Brasileirão. As contratações recentes, no entanto, formaram um elenco, no mínimo, competitivo. Os jogos sombrios contra Ferroviário e Novorizontino não são compatíveis com os investimentos realizados. Contra o Tigre, neste domingo, foram oito finalizações contra onze do adversário; as chances reais foram quatro, contra sete dos donos da casa. Alguma mudança de filosofia de jogo se faz necessária.

Veja mais em: Campeonato Paulista.

Coluna do Walter Falceta

Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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