Sylvinho: sucesso no universo paralelo

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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Sylvinho: sucesso no universo paralelo

Sylvinho: discurso de coach e péssimo desempenho

Foto: Danilo Fernandes / Meu Timão

Realmente, me espanto com o mundo de ficção científica em que vivem alguns notáveis admiradores do técnico Sylvinho, a quem atribuem incríveis virtudes.

Estarrecido, li aqui no Meu Timão que o técnico recuperou Cantillo, que teria se tornado a “grande arma criativa desse time”. Santa Maria! Em qual universo?

O Cantillo deste domingo, por exemplo, foi espetacular, mas para o Flamengo, uma mãe carinhosa e gentil com os rubronegros.

Li aqui também, com assombro, que Sylvinho teria recuperado Gil, Fábio Santos e Jô, craques que teriam solucionado o problema de suas posições.

No meu universo, curiosamente, nada disso ocorreu. Jô segue como ex-atleta em atividade, marcando um golzinho aqui, outro ali, capengando alguns metros adiante da confusa linha de meio de campo.

Em 14 jogos no Brasileirão, o time supostamente “consertado” por Sylvinho tomou 14 gols, e anotou apenas 12.

Por enquanto, em todas as competições, Sylvinho dirigiu a equipe em 16 jogos, com 6 derrotas, 6 empates e somente 4 vitórias. Seu aproveitamento é pífio: 37,50% dos pontos disputados. Sob sua batuta, o time tomou 16 gols (1 por jogo) e marcou 12 (0,74 por jogo).

Para efeito de comparação, vale conferir o retrospecto do antecessor, Vagner Mancini, que dirigiu a equipe em 45 partidas. Somou 12 derrotas, 13 empates e 20 vitórias, com 54,07% de aproveitamento. O time sofreu 46 gols (1,02 por jogo), mas marcou 57 (1,27 por jogo).

Sylvinho parece educado, um cidadão do mundo, com ternos bem cortados e um linguajar motivador ao estilo “coach” ou guru de auto-ajuda. Seus resultados, no entanto, parecem positivos somente no outro universo.

O time ensaiou um “futebol total” em dois ou três jogos, em que a vedete tática era a tal linha de quatro na defesa, festejada como novidade.

De repente, entretanto, o time adotou um pesado ferrolho, à moda italiana dos tempos antigos, com três volantes e um único atacante, geralmente perdido no círculo central.

O sistema em vigor é ultrapassado, ineficaz e muito próximo do antifutebol. Simplesmente, entrega-se a bola para o adversário. Engendra-se uma marcação de espera, recuadíssima, incapaz de efetuar desarmes, confusa na troca de passes e raramente apta a articular lances de contra-ataque.

Esse modelo é aplicado até dentro de casa, onde o time joga encolhido, presa fácil para qualquer equipe mediana.

Em Itaquera, o técnico iniciante dirigiu o time em oito ocasiões. Perdeu cinco partidas, empatou duas e ganhou apenas uma. Teve 20,83% de aproveitamento. Nessas contendas, o time marcou 6 gols e tomou o dobro: 12.

É evidente que o plantel é fraco, resultado dos escandalosos desmandos da gestão de Andrés Sanchez e de seu sucessor, Duílio Monteiro Alves, um dos responsáveis pelo avacalhamento brutal do departamento de futebol.

Ainda assim, com os recursos humanos disponíveis, esperava-se muito mais do aprendiz de treinador. Pelo menos em um lugar ele faz enorme sucesso. Onde? No universo paralelo.

Veja mais em: Sylvinho.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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