Impeachment: salvação ou ruína?

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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Impeachment: salvação ou ruína?

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Impeachment: salvação ou ruína?

O caso Andrade: prejuízo financeiro e moral para o Corinthians

Foto: Ag. Corinthians

É hoje. Rejeitado o pedido de impeachment de Roberto de Andrade, o Corinthians provavelmente seguirá ladeira abaixo, sofrendo com problemas graves de governança, armando times medíocres e assistindo ao perigoso processo de ampliação de sua dívida.

Aprovado o impedimento, o Corinthians penetrará no túnel escuro da incerteza, apostando em sucessores que podem repetir os graves equívocos do atual mandatário, iniciando uma disputa interna até a manifestação da assembleia dos sócios.

Pior: arranhar-se-á ainda mais a imagem da instituição. Lançam-se, assim, na névoa da dúvida os contratos comerciais do clube e coloca-se em risco do fluxo de receitas de 2017, fundamentais à quitação de nossos compromissos financeiros.

Não nos recordamos de administração pior no Sport Club Corinthians Paulista. O atual presidente governa de maneira estranha, na distância e na invisibilidade. Quando ouve, parece anestesiado. Não processa as advertências, conselhos e sugestões.

Se lhe sobe alguma centelha de energia é para cometer o erro. Foi assim no episódio da Arena, no ano passado, quando xingou torcedores e enterrou o decoro com seus gestos obscenos.

Pior é acompanhar-se o processo de entrega do patrimônio corinthiano a empresas de tubarões, prestadora de péssimos serviços, enriquecidas subitamente dos valores surrupiados aos fiéis.

Efetivamente, muitas das atividades dessas empresas poderiam perfeitamente ser desenvolvidas por equipes de trabalho do próprio clube. Esse modelo nos garantiria a retenção de parte substancial das receitas.

Se não somos bons o bastante para assumir tais funções, que procuremos empresas idôneas para tais funções. Sim, elas existem. Que façamos acordos com base em valores de mercado, com as devidas salvaguardas jurídicas.

Se a cartolagem corinthiana embarcou na tese do "business", assumindo dívidas astronômicas, seu produto precisa ter diferenciação e valor agregado.

Somente assim, eleva-se a demanda, fideliza-se o cliente, alimenta-se o caixa e o clube alcança o sonhado "break-even", situação em que o investimento é recuperado e o agente comercial começa a acumular lucro.

Supostamente visando a equilibrar as contas, entretanto, o confuso Roberto Andrade liquidou ativos preciosos do clube e constituiu um arremedo de time, fraco e desinteressante.

Dessa forma, espantou o público, derrubou as arrecadações, reduziu receitas e tem contribuído fortemente para a ruína financeira do SCCP.

É o que se conhece como espiral de decadência ou obsolescência, em que a organização equivocadamente queima os trunfos que poderiam garantir-lhe a superação das dificuldades.

Em uma época de futebol-entertainment, midiatizado e turístico, não se pode mais contar com a velha fidelidade dos torcedores. Por isso, no último jogo de Itaquera, recebemos mirrados 11.708 fiéis.

O processo de impeachment, no entanto, parece-nos fundado em denúncias juridicamente frouxas, conforme a opinião de inúmeros especialistas no Direito. Não há bala de prata. Assim, a comissão de ética que analisou o caso decidiu-se contra o impedimento, emitindo parecer em favor de Roberto Andrade.

A votação do conselho favorável ao impeachment certamente traria dias de enorme instabilidade para o Corinthians, ainda mais se considerada a linha sucessória.

Quem assina contratos com uma instituição sem comando definido? Quem realiza negócios com pessoas que podem, do dia para a noite, abandonar os cargos que ocupam? À parte os compromissos da Arena, temos que saldar, ainda este ano, dívidas que alcançam hoje o montante de R$ 108 milhões.

Quem vai pagar a conta? Eu? Você?

Conta neste episódio funesto o oportunismo de líderes da oposição corinthiana. Na busca desesperada pelo poder, aceitam o jogo sujo da mídia anticorinthiana. Nas sombras da covardia, divulgam dados, verdadeiros ou falsos, que maculam a imagem da instituição e colaboram para o aprofundamento da crise.

O que fizeram com o nosso Corinthians? E o que podemos fazer para salvá-lo?

Veja mais em: Impeachment e Roberto de Andrade.

Coluna do Walter Falceta

Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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