Alexandre Pato está contra a parede

Alexandre Pato está contra a parede

Alexandre Pato nunca foi o sujeito mais popular no elenco do Corinthians

Alexandre Pato nunca foi o sujeito mais popular no elenco do Corinthians

Foto: Daniel A. Jr./Ag. Corinthians

Alexandre Pato nunca foi o sujeito mais popular no elenco do Corinthians. A personalidade fria, distante e pouco entusiasmada não o fez acumular amigos no clube. A ruptura aconteceu na madrugada de quinta-feira. Todos se voltaram contra o atacante que custou R$ 40 milhões: colegas de equipe, dirigentes e torcedores. O técnico Tite não o atacou publicamente. Tampouco o defendeu.'Não vou falar individualmente', desconversou o treinador, com aparência abatida.

O presidente do clube, Mario Gobbi, ficou indignado. Ainda dentro de campo, Paulo André sinalizou enfaticamente na direção de Pato. O DIÁRIO apurou que, já no vestiário, dois jogadores cobraram o camisa 7.

O problema não foi ele ter perdido o pênalti que eliminou o Corinthians da Copa do Brasil. Foi a maneira displicente com a qual executou a cobrança: com cavadinha, quase telegrafando para Dida onde a bola iria.

Outro aspecto que irritou profundamente alguns atletas foi  Pato ter reagido como se nada tivesse acontecido. Mesmo diante das reclamações. Outros estavam devastados pela derrota. Walter, por exemplo, ficou desnorteado. Não sabia o que fazer e quase não achou o caminho para o vestiário. Se o Timão tivesse avançado nos pênaltis, ele teria sido o herói -; pegou duas cobranças. Viveria a maior noite de sua carreira.

Constatação/ 'De quem pode dar mais, a gente tem de cobrar mais. É claro que ele bateu mal o pênalti', disse Gobbi.

Com os torcedores, a reação não foi muito diferente. O estilo 'tô nem aí' de Pato dentro de campo, embora seja o artilheiro da equipe no Brasileiro, nunca contribuiu para que a relação fosse de paz -; ele chegou a ser vaiado em jogos no Pacaembu.

Após a partida contra o Grêmio, a raiva da torcida corintiana explodiu instantaneamente nas redes sociais. A conta de Pato no Instagram foi invadida por comentários repletos de xingamentos e ameaças.

Gobbi jura que a decisão já havia sido tomada com antecedência, mas o vilão da eliminação alvinegra não voltou a São Paulo com o restante da delegação. Ficou no Rio Grande do Sul para resolver problemas particulares. 'Ele tinha um problema de papelada para cuidar', explicou o cartola, falando sobre uma audiência judicial.

O Corinthians ainda tem muito a pagar pelo seu 'astro'. Os R$ 40 milhões prometidos ao Milan-ITA  foram parcelados ao longo de quatro longos anos.

Depois de quarta-feira, ficou mais difícil o jogador retribuir.

Quem se decepcionou com o atacante:

Tite
O treinador, com indisfarçável voz de tristeza, não saiu em defesa do atacante. Disse  que 'algumas coisas ficam no vestiário'

Jogadores
Paulo André não escondeu a irritação dentro do campo e, depois, dois jogadores cobraram Pato pela displicência.

Mário Gobbi
Presidente reconheceu que atacante está devendo e disse que, embora não fosse o único, era um dos culpados pela eliminação.

Torcida
Redes sociais foram inundadas com reclamações da Fiel contra a maneira como Pato cobrou o último e decisivo pênalti na quarta.

Torcida protesta e presidente considera justo

Embora não tenha sido acompanhado por muitos torcedores, o desembarque do Corinthians teve protesto. Na chegada a São Paulo, 20 pessoas reclamaram da situação da equipe e, especialmente, de Alexandre Pato. Uma das faixas levadas tinha a palavra displicência escrita de maneira errada. Estava 'displiçência'.

Gramática à parte, o recado foi dado. E o presidente Mario Gobbi considerou a bronca justa.'É um protesto justo e legal, desde que não exista violência. É um direito de manifestação garantido quando a torcida não está feliz com a situação da equipe', resumiu o dirigente.

Alguns jogadores foram mais cobrados do que outros. Romarinho acabou ouvindo acusações de ser 'baladeiro'. Emerson Sheik foi xingado. Tite foi o primeiro a deixar a área de desembarque, protegido por dois seguranças do clube. Alguns torcedores o hostilizaram, enquanto outros o defenderam, dizendo que a culpa era dos jogadores.

Opinião

Fernão Ketelhuth,  editor de Esportes do DIÁRIO

Atacante não é o único culpado

A raiva que os corintianos estão sentindo de Alexandre Pato é compreensível. Num ambiente hostil e diante de um goleiro famoso por crescer em decisões por pênaltis, o camisa 7 foi irresponsável ao arriscar a cavadinha que decretou a eliminação alvinegra.  Pato passa sempre a impressão de que não se envolve com o jogo, de que não liga para a importância do momento. Tanto faz se o time está ganhando ou perdendo, o comportamento dele é igual. Às vezes, fico com a sensação de que, em vez de sangue, corre água gelada em suas veias.

Mas o atacante não pode ser crucificado sozinho. O Timão teve uma postura covarde contra o Grêmio, contentando-se em segurar o 0 a 0. Tite também falhou ao manter no banco de reservas Renato Augusto, meia que passou as últimas semanas se preparando para a decisão no Sul. Pato merece ser criticado. Mas não pode estar só no paredão.

Fonte: Diário de São Paulo

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