Ingressos na Arena Corinthians serão salgados

Ingressos na Arena Corinthians serão salgados

Clube tem até 2028 para quitar dívida do estádio

Clube tem até 2028 para quitar dívida do estádio

Foto: Ale Frata/Diário SP

Andrés Sanchez costuma se lamentar bastante publicamente. O responsável pelo estádio corintiano já disse diversas vezes que o clube não pediu para receber a abertura da Copa do Mundo e sediar o evento trouxe mais dor de cabeça do que benefícios.

Parte da torcida adora esse discurso. Nas redes sociais, é mais do que comum encontrar frases como 'não estamos nem aí para a Copa, o que importa é o Corinthians'. Mas o estádio sairia mesmo se o Mundial não fosse disputado em Itaquera?

O próprio ex-presidente do Timão sabe, intimamente, que as coisas seriam bem mais difíceis e seu discurso longe das câmeras é bastante diferente.

Receber a abertura da Copa ajudou na chegada de R$ 420 milhões em benefícios, no empréstimo de outros R$ 400 milhões, além de dar uma velocidade extraordinária à emissão de licenças, que, com o Palmeiras, por exemplo, demoraram muito mais para sair.

Isso sem contar na repercussão pelo mundo. Recentemente, a Arena Corinthians apareceu em um episódio de 'Os Simpsons', justamente por ser palco de abertura da Copa. Jornais e revistas da Europa fazem matérias frequentes sobre o local, tornando o estádio mais visado e, consequentemente, dando um poder de barganha maior na tratativa dos naming rights.

Até por isso, o Timão começou a pedida com R$ 400 milhões por 20 anos de contrato. Muito mais do que os R$ 300 milhões recebidos pelo Palmeiras pelo mesmo período.

Região/ Por receber a abertura do maior torneio de futebol do planeta, o bairro foi valorizado. Imóveis subiram de preço e a procura aumentou. Além disso, obras do entorno do estádio devem melhorar o trânsito local.

Apenas com o estádio, sem o fator Mundial, é bem improvável que tal avanço acontecesse na mesma velocidade.

Clube tem até 2028 para quitar dívida do estádio

Os CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) são benefícios dados pela Prefeitura de São Paulo e o Corinthians não precisa pagá-los de volta, mas o mesmo não acontece com o empréstimo de R$ 400 milhões conseguido junto ao BDNES. Essa quantia, o clube tem até 2028 para quitar completamente.

Andrés Sanchez garantiu aos conselheiros corintianos que o clube conseguirá pagar tudo isso apenas com o dinheiro dos ingressos (veja mais abaixo), mas, caso essa dívida não seja sanada, o Corinthians sofrerá algumas consequências graves.

O terreno do estádio e parte da sede do Parque São Jorge foram dados como garantia. Assim, em caso de inadimplência, a Caixa Econômica Federal pode tomar posse desses espaços. O banco também ficaria com o direito de voto corintiano no fundo criado para gerir a arena.

Andrés revela preços para lá de salgados

O Corinthians decidiu escalar a torcida para ajudar a pagar a conta da Arena Corinthians. Na última reunião do Conselho Deliberativo, na segunda-feira, Andrés Sanchez revelou a tabela de preços dos ingressos que pretende colocar em prática nos confrontos do Timão, a partir do mês que vem.

A entrada mais barata custará R$ 40, como já acontece nas partidas no Pacaembu. O problema é que a diretoria reservou apenas dez mil lugares para o preço popular. Ou seja, pouco menos de 15% dos bilhetes serão destinados aos torcedores de menor poder aquisitivo.

Os demais valores assustam. Um lugar no camarote, por exemplo, pode chegar a custar R$ 1.200. Ainda haverá entradas por R$ 120, R$ 150, R$ 360, R$ 600... É bem verdade que o Fiel Torcedor continuará garantindo descontos de até 50%.

Com os valores tão altos, Andrés tem convicção de que será possível pagar o estádio com alguma tranquilidade. Pelas suas contas, o clube será capaz de arrecadar R$ 2,3 milhões (líquido) por partida -; isso, levando-se em conta jogos com metade do público possível.

Só para se ter uma ideia de comparação, a receita limpa com bilheteria na final da Taça Libertadores da América, contra o Boca Juniors, em 2012, foi de R$ 1,7 milhão.

Na reunião de segunda, o ex-presidente alvinegro ainda reconheceu que manterá as arquibancadas tubulares, que aumentam a capacidade do estádio em 20 mil lugares -; de 48 mil para 68 mil -; por pelo menos 18 meses. As estruturas não podem se tornar definitivas, mas ficam até o fim de 2015.

DIÁRIO opina

Chorando de barriga cheia

As recentes queixas de Andrés Sanchez não passam de um instrumento de pressão. Fiel aos interesses do Corinthians, o dirigente parece se apegar àquele ditado segundo o qual 'quem não chora não mama'. O objetivo das reclamações é invariavelmente o mesmo: diminuir o valor da conta. Faz parte do jogo, mas tudo tem limite. Depois de todos os benefícios dados à arena de Itaquera, Andrés chora de barriga cheia.

Fonte: Diário de São Paulo

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