Como é ser mulher no mundo do futebol? Evento no Parque São Jorge promoveu experiência inovadora

Neco Mulher organizou palestra, roda de debate e dinâmica em grupo no auditório do Parque São Jorge
Organizadoras do Neco Mulher promovem encontro no Parque São Jorge

Organizadoras do Neco Mulher promovem encontro no Parque São Jorge

Foto: Meu Timão

No mês do Dia Internacional da Mulher, o Corinthians abriu as portas do Parque São Jorge para uma discussão acerca do papel ocupado pelas mulheres no clube e no futebol de forma geral. Neste sábado, no auditório da sede alvinegra, um grupo de mais de cem pessoas passou por uma experiência inovadora proposta pelo Neco Mulher (uma extensão do Núcleo Estudos do Corinthians).

O evento contou com apresentações de slides e discursos de quatro corinthianas que participam do Neco Mulher: Mônikita Toledo, Rosiane Siqueira, Thais Kusuki e Denise Bonfim. Em suma, foram apresentados dados que comprovam espaço ainda minoritário ocupado pelas mulheres no âmbito do futebol.

Uma pesquisa realizada em 2013 afirmou que o Corinthians tem 52% de sua torcida formada por mulheres. Tomando como base dados do Fiel Torcedor, contudo, apenas 17.200 dos 132.481 sócios-torcedores são mulheres. Entre 200 conselheiros responsáveis por decidir o futuro do clube nas últimas eleições, em 2015, apenas oito eram mulheres.

"O futebol é pensado para homens. Esse números provam. Se entrarmos hoje no site da ShopTimão e clicar no gênero feminino de uniformes de jogo vão ter dois tipos. No masculino, tem 50. Temos um marketing pensado somente para o homem. Camisas comemorativas não têm versão feminina. Em algumas versões, o símbolo é estilizado, não tem o brasão, tem um coração, algo rosinha no lugar", disse Denise.

"Enquanto tivermos uma cúpula administrada só por homens, nunca teremos espaço. São homens pensando com a cabeça de homem", completou.

O machismo não se limita à administração do clube ou aos números referentes à torcida. A ação de frequentar os estádios é um desafio para mulheres a cada jogo. Para ilustrar o problema de assédio e falta de respeito que sofrem, as mulheres propuseram uma dinâmica de grupo inusitada aos homens presentes no auditório do Parque São Jorge.

Cada corinthiano recebeu das mãos de uma mulher um papel com uma frase sexista. Desta vez, contudo, o conteúdo não seria ofensivo às torcedoras, mas sim aos torcedores. Os homens que aceitaram participar da dinâmica tiveram de ler em alto e bom som o comentário sexista, como se tivesse ouvindo tal comentário durante um jogo: "Você vai no jogo para ver as pernas dos jogadores? É João Chuteira, então?" e "Você está acompanhando sua esposa ou sua mãe?" e "Vai tirar a camiseta? Está pedindo para ser assediado?" foram algumas das frase propostas pelas organizadoras do Neco Mulher.

"Nenhum homem vai nos dar os direitos de bandeja. Temos de ir para frente, fazer questionamento, levantar bandeira, ser feminista, eventualmente perder amigos. É hora de pagarmos algum preço para darmos passos e conseguirmos nossos direitos. Isso tem de ser feito com inteligência, mas não dá para ficarmos conformadas", falou Mônikita.

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