Calote, fiasco e decepção: Corinthians tem histórico de público baixo e prejuízo em Cuiabá

Calote, fiasco e decepção: Corinthians tem histórico de público baixo e prejuízo em Cuiabá

Por Meu Timão

Corinthians venceu o Santa Cruz por 4 a 2 na última quarta-feira

Corinthians venceu o Santa Cruz por 4 a 2 na última quarta-feira

Foto: Agência Corinthians

Cenário da Copa do Mundo, a Arena Pantanal é mais um dos palcos abandonados após o evento. Sem a força dos times locais, o campo em Cuiabá tenta atrair clubes de fora para sediar jogos no local, e o Corinthians, é claro, é um dos times sempre na mira.

Embora o clube só tenha atuado uma vez no local como mandante - quando amargou um prejuízo após calote ocasionado pelo pouco sucesso de público - já participou de quatro partidas desde a inauguração da Arena, em 2014. Em nenhuma das vezes, porém, o Timão enfrentou uma equipe da região e em todas as partidas, o público esteve abaixo do esperado. No estádio, o Corinthians manteve média de 14.271 pagantes por jogo - bem longe da capacidade de 43.600 torcedores.

Considerado um dos maiores "elefantes brancos" das construções para o evento da FIFA, a Arena Pantanal, avaliada em R$ 520 milhões, apostava na presença de clubes como Flamengo e Corinthians para não se tornar prejuízo para os cofres públicos. A preocupação antecedia a inauguração e à época, o secretário Extraordinário da Copa do Mundo, Mauricio Guimarães, chegou a revelar conversas prévias com Corinthians e Flamengo, para levar amistosos e jogos ao local.

Ao lado da equipe carioca, o Timão é dono das duas maiores torcidas no Estado. Isso tornou a venda de jogos do Corinthians oportunidade atrativa para os adversários interessados em explorar financeiramente a marca corinthiana de forma indireta na Arena Pantanal.

O primeiro a aproveitar a situação, em agosto de 2014, foi o Bragantino, que levou para a cidade o jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Na ocasião, o público pagante de 31.472 torcedores gerou a renda de R$ 1.630.540, no duelo que terminou em 1 a 0 para a equipe de Bragança Paulista – e conquistou maior público em jogos do Corinthians no estádio.

A segunda participação do Timão aconteceu dois meses depois, em outubro, contra o Vitória, pelo Campeonato Brasileiro. Na única vez em que o clube atuou como mandante – já que cumpriu suspensão do STJD e foi obrigado a mandar a partida longe de Itaquera -, venceu a equipe baiana por 2 a 1.

O jogo foi levado à cidade após um acordo com uma empresa que seria, responsável pela locação e divulgação da partida. O Corinthians, porém, recebeu somente 25% do valor prometido. Conforme combinado anteriormente, a empresa definiu o pagamento de R$ 1 milhão ao Corinthians, proveniente da renda. Entretanto, a partida rendeu apenas R$ 478.500 quando um público de apenas 6.407 pagantes esteve presente.

Na sequência, o Timão voltaria à capital do Mato Grosso pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro de 2015, contra o Cruzeiro. Sob mando do clube mineiro, o Corinthians venceu pelo placar mínimo, nos primeiros três pontos do hexacampeonato brasileiro, diante de 11.261 pagantes, culminando na renda de R$860.100.

Já na última atuação, nesta quarta-feira, contra o Santa Cruz, somente 7.947 torcedores pagaram para ter acesso às arquibancadas do estádio, com uma renda total de R$ 496.120. As altas despesas, porém, fizeram a alteração uma decepção para a equipe de Recife: com salários atrasados e pouco público no Arruda, a diretoria aceitou um acordo para dividir com um grupo de empresários a receita líquida da partida.

A renda da partida ficou em R$101.505,62 - ainda sem deduzir metade devida aos investidores. Assim, ao mandar o jogo longe de casa, o Santa Cruz acabou por receber ainda menos do que receberia na capital pernambucana, considerando a partida anterior como mandante, contra o Palmeiras, quando a renda líquida ficou em R$64.709,79.

Ao que tudo indica, o quarto fiasco deve também ser o último: o público ruim e a nova determinação da CBF fazem com que seja muito difícil o Timão voltar ao estádio para grandes confrontos. Isso porque a Federação pretende inibir a prática da venda de mandos e com isso, o clube só deve ter novo jogo em Cuiabá caso surja a oportunidade de enfrentar uma equipe local.

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