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Romero destaca identificação com a torcida e conta como assumiu papel de líder no Corinthians

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Por Felipe Sales, Flavio Ortega e Marco Bello

Romero destaca identificação com a torcida e conta como assumiu papel de líder no Corinthians

Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Ángel Romero se despediu do Corinthians no último sábado, após defender o clube do Parque São Jorge por oito temporadas, em duas passagens. Aos 33 anos, o paraguaio tinha contrato com o Timão até 31 de dezembro de 2025, mas o vínculo não foi renovado.

Depois de quase uma década representando o Corinthians, o atacante afirmou que suas marcas ficarão na história do clube. Além disso, destacou que suas características facilitaram a identificação com a Fiel, assim como o seu espírito lutador.

“Sim, acho que sim. Pelas marcas que você falou. Claro que essas marcas existem. São marcas importantes, são marcas históricas para mim. Eu nunca imaginei ter essas marcas. Mas acho que vou ser mais lembrado pela identificação que eu tive com o clube e pelo respeito que eu sempre tive com o clube. Além de marcas, de números, de gols, de títulos, acho que eu me identifiquei muito com o Corinthians. Pela minha característica e também pela minha nacionalidade. É muito parecido. Ser paraguaio é sempre assim: desacreditado, sempre sofredor, sempre lutando, sempre se esforçando o dobro para sobressair. O Paraguai tem muito disso pela história do Paraguai. Então é bem parecido com o corinthiano. Sempre lutador, nunca desistir, lutar até o final. ‘Vencer ou morrer’ é nosso lema no Paraguai. Tudo isso é bem parecido com o corinthiano. A minha característica é que eu sou muito ligado ao Corinthians”, afirmou em entrevista ao Tabelando, programa do Meu Timão no YouTube.

Romero encerra sua trajetória no Parque São Jorge com 377 partidas — o maior número de jogos de um estrangeiro na história do clube —, com 175 vitórias, 99 empates e 103 derrotas. Ao todo, conquistou seis títulos: os Campeonatos Brasileiros de 2015 e 2017, os Campeonatos Paulistas de 2017, 2018 e 2025, além da Copa do Brasil de 2025. Também ocupa a segunda posição entre os maiores artilheiros da Neo Química Arena, com 43 gols em 179 jogos, atrás apenas de Yuri Alberto, que soma 49.

O atacante também destacou que, apesar de vir de fora do Brasil, entendeu rapidamente o que representava o Corinthians e, a partir disso, criou um vínculo forte com o clube, buscando sempre honrar a camisa e transmitir essa mentalidade aos companheiros. Romero ainda agradeceu a quem o considera ídolo.

“Da forma que eu vejo o futebol, da forma que eu acho que tem que ser: amar o clube onde você joga, se identificar muito, respeitar a camisa. Eu sempre tentei fazer isso. Às vezes as coisas saem bem, outras vezes não. Mas eu tentei sempre respeitar o clube, honrar, colocar sempre o Corinthians em primeiro lugar. Dentro do vestiário sempre se falava isso: o Corinthians tem que estar em primeiro lugar. Depois vêm os objetivos pessoais. Sempre o grupo tem que estar em primeiro lugar, o escudo. E eu tentei passar isso para todo mundo. Ao longo da minha carreira, nos oito anos que fiquei no Corinthians, eu fiz isso. Acho que vou ser mais lembrado por isso, pela identificação que eu tive. Se o Romero é ídolo ou não, deixo para a torcida. Isso é para a torcida decidir. As marcas estão aí. Não sei se isso serve para ser ídolo, porque a história do Corinthians é muito grande. Mas as minhas marcas são essas. Quem me considera ídolo, bem-vindo. Muito obrigado. Eu fico mais com a identificação que eu tenho com tudo isso”, contou.

Ángel Romero teve duas passagens pelo Corinthians, entre 2014 e 2019 e depois de 2023 a 2025, somando títulos importantes e momentos decisivos. Contratado em 2014, conquistou dois Paulistas e dois Brasileiros em seu primeiro ciclo na equipe alvinegra. Após deixar o Timão em 2019, voltou em 2023 e foi fundamental ao ajudar o clube do Parque São Jorge a evitar o rebaixamento naquela temporada. Em 2024, perdeu espaço com a chegada de reforços, mas ainda contribuiu na reação no Brasileirão. Já em 2025, teve participação mais limitada, apesar de integrar o elenco campeão paulista e da Copa do Brasil.

Apresentação em 2014 e relação com os torcedores

Romero foi apresentado em julho de 2014, ao lado do ex-diretor de futebol Ronaldo Ximenes

Romero foi apresentado em julho de 2014, ao lado do ex-diretor de futebol Ronaldo Ximenes

Daniel Augusto Jr / Agência Corinthians

Em 2014, Ángel Romero foi contratado pelo Corinthians por US$ 3 milhões (cerca de R$ 6,6 milhões na cotação da época), vindo do Cerro Porteño, do Paraguai. Um dos detalhes que mais chamaram a atenção durante a apresentação do atacante, realizada no CT Dr. Joaquim Grava, foi o fato de ele ter cumprimentado um a um os jornalistas presentes na coletiva. Ao ser questionado sobre o episódio, o paraguaio explicou que esse comportamento era uma herança familiar e que sempre fez questão de demonstrar respeito e carinho, tanto pela imprensa quanto pela torcida.

“Isso que você contou, de quando eu cheguei no Corinthians, de cumprimentar todo mundo, todos os jornalistas que estavam me esperando para fazer a coletiva, é algo que eu tenho desde criança. É de educação mesmo, da minha família, da minha mãe, da minha avó. Elas sempre me ensinaram a cumprimentar todo mundo e respeitar todo mundo por igual. Ninguém é mais do que ninguém. Sempre foi assim: você respeitando as pessoas, elas vão te respeitar. Eu sempre tive essa característica como pessoa”, contou.

Além da relação respeitosa com a imprensa, Romero sempre foi conhecido pela proximidade com os torcedores ao longo de suas duas passagens pelo clube. Em viagens para fora de São Paulo, era comum o atacante parar para tirar fotos e conversar com a Fiel nas chegadas aos hotéis e também nos estádios. Ele contou que gostava de atender aos torcedores tanto pelo carinho recebido quanto por saber que aquela era uma oportunidade rara para eles. O paraguaio também relembrou um episódio marcante vivido em Curitiba, onde atendeu os torcedores.

“E aquele momento em Curitiba foi algo espontâneo. Eu vi que tinha muita gente lá querendo tirar foto. Era um momento em que o Corinthians não estava bem. Era uma situação difícil. A gente chegou lá e tinha muita gente esperando no hotel. Em Curitiba sempre tem muita gente esperando a gente. Eu fiquei lá conversando com a galera, tirando fotos, fazendo vídeos. Teve uma pessoa com quem eu tirei três fotos. Eu falei para ela: ‘já tirei três fotos com você’. Eu ia voltar para fazer vídeo, por isso a gente demorou um pouco mais”, iniciou.

“Foi muito tempo mesmo naquele dia. Eu cheguei para jantar e todo mundo já estava no quarto, já tinha jantado. Mas eu gostava de ficar perto da torcida do Corinthians. É muito apaixonante a forma como eles recebem os jogadores. Eles são muito fanáticos, expressam muito carinho. E isso é legal de receber. Essa é, muitas vezes, a única oportunidade que eles têm de tirar foto com os jogadores do Corinthians naquele momento. Eles fazem muito esforço para chegar até o hotel, com criança, com dificuldade. Ter esse espaço com eles é bacana. Eu sempre gostei disso. Sempre que eu podia, eu ficava com a torcida tirando foto, conversando um pouco”, completou.

Naquela ocasião, Romero atendeu todos os corinthianos que estavam na porta do hotel. O Timão vinha de um momento conturbado no Campeonato Brasileiro, com uma sequência de duas derrotas, e enfrentaria no dia seguinte o Athletico-PR pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, na Arena da Baixada, o duelo que terminou com vitória da equipe alvinegra por 1 a 0.

Liderança

Romero com a taça da Copa do Brasil

Romero com a taça da Copa do Brasil

Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Durante a segunda passagem pelo Corinthians, Ángel Romero assumiu de vez o papel de liderança dentro do elenco. Um dos jogadores mais longevos do grupo, especialmente após a reformulação realizada em 2024, o paraguaio passou a usar a braçadeira de capitão em diversas oportunidades e se consolidou como uma das principais vozes no vestiário, sempre muito respeitado pelos companheiros.

Romero explicou que esse espaço foi sendo conquistado com o tempo de clube, mas que a saída de Cássio, em 2024, marcou de vez o momento em que passou a assumir uma postura mais ativa como líder, ao lado de Fagner.

“Sim, sim. Também pelo tempo de clube. Eu era o atleta mais velho dentro do clube, entre ida e volta. Já era quase o meu sétimo ano. Eu falo sétimo ano porque comecei em 2014. Da pergunta que você falou, de quando eu senti que tinha que ser um líder, falar mais, ser um cara que desse a cara para o grupo, foi na saída do Cássio, eu acho. Quando o Cássio saiu, foi quando eu comecei a falar mais, junto com o Fagner. Depois da saída do Fagner e também este ano, em janeiro, fiquei só eu. E eu era o cara com mais idade e também com mais tempo de clube. Em 2024 chegaram muitos jogadores novos dentro do grupo. Novos no sentido de chegar ao clube, que não conheciam o clube. O próprio Garro, o Carrillo, o Hugo Souza. Muitos jogadores estavam se adaptando. Eu conhecia muito o clube. O Maycon também estava, mas estava machucado, não participava muito”, explicou.

O atacante contou que os jogadores mais experientes tinham a missão de transmitir aos recém-chegados o que é, de fato, o Corinthians, ajudando na adaptação à cultura, à história e às tradições do clube. Segundo Romero, ele também buscou envolver outros atletas com perfil de liderança nesse processo.

“A gente tentou sempre mostrar como é o Corinthians, entender o Corinthians, porque realmente o Corinthians é diferente. Acho que é diferente de outros clubes. Tudo o que a gente passa dentro do Corinthians é algo único, é algo muito grandioso. Tudo o que envolve o Corinthians é muito intenso, então a gente tem que saber lidar com isso. Estar bem fisicamente e mentalmente é muito importante. Estar bem emocionalmente dentro do Corinthians”, relembrou.

“Então eu fui falando isso para eles também: que nos momentos bons tem que ter equilíbrio. Não é só alegria. E nos momentos difíceis também tem que ter equilíbrio. Aqui, a cada três dias você tem que render, tem que mostrar por que você veste a camisa do Corinthians. Não existe perder. No Corinthians não pode perder. Duas derrotas e já está tudo errado, todo mundo começa a falar. Então isso eu fui passando para os atletas que estavam jogando. Também puxei alguns jogadores, chamei alguns jogadores que eu via que tinham essa característica de líder e que me ajudaram bastante durante esse período, no final de 2024 e começo de 2025”, finalizou.

Com a saída de Ángel Romero, somada às despedidas de Fagner e à iminente negociação de Maycon com o Atlético-MG, o jogador mais longevo do atual elenco do Corinthians passa a ser Yuri Alberto, que chegou ao clube em 2022.

A própria estrutura de capitães também será impactada: do trio que levantou a taça da Copa do Brasil no dia 21 de dezembro, apenas Rodrigo Garro permanece no elenco. Outros nomes surgem como candidatos naturais a assumir a braçadeira, casos do goleiro Hugo Souza e dos zagueiros André Ramalho e Gustavo Henrique.

Ainda sem definir o próximo clube da carreira após deixar o Timão, Romero segue alimentando a expectativa de disputar a Copa do Mundo de 2026 pela seleção do Paraguai.

Veja mais em: Romero e Tabelando.

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