Antes de nova marca no Corinthians, Ralf fala sobre história, títulos e até aposentadoria

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Por Meu Timão

Ralf deve completar 400 jogos com o manto alvinegro na tarde desse domingo

Ralf deve completar 400 jogos com o manto alvinegro na tarde desse domingo

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Na tarde desse domingo, o Corinthians recebe o Santos pelo primeiro jogo da semifinal do Paulista. Na Arena Corinthians, a tarde também é especial para Ralf, que, ao entrar em campo, completa 400 jogos com a camisa alvinegra. Por isso, o Timão realizou uma entrevista exclusiva com o jogador.

Em vídeo publicado na Corinthians TV, o volante falou sobre a marca, sobre os títulos conquistados na carreira e até sobre aposentadoria. Questionado sobre o fato de alcançar 400 jogos em um clássico e semifinal de campeonato, Ralf respondeu:

"Só de você vestir a camisa do Corinthians, que seja no treino, já é uma motivação a mais, você completar uma marca de 400 jogos tem algo a mais, você não pode achar que é só mais um jogo. Tem que achar que é o jogo da vida. Até por a gente estar jogando em casa diante de um adversário de muita tradição, ter que fazer um bom jogo em casa, todo Brasil vai estar de olho neste jogo, então espero que a gente possa dar conta do recado e conseguir a vitória", explicou.

O volante soma sete títulos pelo clube e quer conquistar mais. Atualmente, são dois Brasileiros, uma Libertadores, um Mundial, uma Recopa Sul-Americana e dois Paulistas. Com duas passagens pelo Corinthians, e a maior parte dos títulos na primeira delas, Ralf falou sobre a diferença entre os dois momentos com o manto alvinegro e deixou clara a intenção de se aposentar no clube.

"Tudo o que eu ganhei foi na minha primeira passagem aqui, aí tive a oportunidade de realizar meu sonho, como sempre pedi a Deus: chegar à Seleção Brasileira, jogar fora do país, foi tudo de suma importância. E meu retorno mais ainda, porque o Corinthians, que me abriu as portas para o mundo, com esta camisa que é muito honrada, pesada, abriu as portas para eu retornar. Tive a oportunidade na minha volta de já ser campeão paulista e isso, para mim, não tem preço. Agradeço ao presidente, à diretoria, que não mediram esforços pra me trazer de volta. Eu me sinto feliz aqui, eu me sinto honrado aqui, quero construir mais história aqui. Quero conquistar mais títulos e encerrar minha carreira aqui, se assim for possível", reforçou.

Além da diferença nas duas passagens, Ralf revelou ter sentido falta de uma "atenção especial" na China, que ele busca no Corinthians hoje. "Na China não tem, com todo respeito, profissionais como aqui, de te pegar depois do treinamento para fazer um fundamento de cabeceio, de finalização, então sinto muito a falta disso até hoje. Tanto é que, em todo treino, eu tenho que fazer um 'algo a mais' porque eu me sinto bem, não é para me aparecer, longe de mim, nem para mostrar para ninguém, preciso mostrar para mim mesmo. Aqui foi o lugar que me abriu as portas para tudo e onde tem os profissionais que podem me ajudar a evoluir cada vez mais", disse.

Por fim, questionado sobre uma próxima marca defendendo o Corinthians, Ralf disse ser difícil definir:

"Ah, difícil... é a mesma questão da aposentadoria, não posso falar quando vai ser, se estou preparado ou não. A gente sabe que é difícil, como eu falei, enquanto não estiver passando vergonha, a carcaça estiver dando conta do recado, você vai... A partir do momento que estiver passando vergonha, não conseguir mais acompanhar ninguém, ver que está caindo, você tem que ser realista e dar um adeus ao futebol. Não tem como eu cravar uma marca certa, mas enquanto eu estiver aguentando eu vou corresponder e dar conta do recado".

Confira outras respostas de Ralf

Sobre mais uma marca atingida, em mais um jogo importante (ele alcançou: 150 jogos - Corinthians 0 x 0 Vasco - Libertadores de 2012/ 300 jogos - São Paulo 0 x 2 Corinthians - Libertadores de 2015/ 350 jogos - Vasco 1 x 1 Corinthians – Campeão Brasileiro de 2015)

"Quando olho para trás, olho no retrovisor, e vejo tudo o que trilhei, da onde eu saí, das minhas origens, da Zona Sul, do Grajaú, e hoje sou conhecido no mundo com tantos jogos vestindo a camisa do Corinthians, sei que não é pra qualquer um... O Cássio teve o privilégio de uns dias atrás ser coroado com 400 jogos, comigo não é diferente. Até pelo fato de eu ter feito a cirurgia do ombro, ficado dois anos fora, na China, eu me sinto honrado e grato a Deus por tudo o que estou passando e ainda ter a oportunidade de, numa semifinal, completar esta marca".

Um título especial

"Acho que quando eu me apresentei aqui já foi o ápice da minha carreira, eu estava num momento muito bom no Barueri e pude assinar um pré-contrato. De lá pra cá já começou a mudar minha vida e eu sou muito ansioso com as coisas. Não via a hora de chegar já janeiro para eu me apresentar. Aí chego na minha apresentação, já sabendo que tinha Ronaldo aqui, e, junto, iam apresentar o Roberto Carlos. Pessoas que tenho como ídolos. Já me senti realizado ali".

Sua posição de jogo

"Não importa onde seja, quero ajudar. Claro, se estiver na posição de origem, você consegue fazer isso com muito mais perfeição. Não vou me comprometer a jogar numa posição que não é minha. Se for para ajudar, como o professor Carille já perguntou: “se você tiver a oportunidade de ir para a zaga você vai?” Vou, se for para ajudar, mas não é uma posição que já iniciei. No decorrer da partida, tudo bem, no calor da partida você vai, mas ali o pessoal da parte defensiva de origem já sabe como é... Para mim é mais difícil, até porque se eu errar só tem o Cássio. Então se eu estou na minha posição e eu erro, ainda tem o zagueiro pra depois chegar no Cássio. Acho que cada um está no seu ideal ali, mas o dia que ele (técnico) optar e perguntar se eu posso ajudar, eu vou estar disposto a ajudar da melhor forma possível".

O peso da camisa com o passar do tempo vestindo-a

" Vai pesando mais, porque cada vez você tem mais o comprometimento de ganhar mais. Queira ou não, com todo o respeito, como a gente fala: “a gente acostumou o torcedor corintiano mal”, porque conquistamos tudo... Mas é um mal para bem, um mal que você conquistou tudo e eles se sentem no dever de cobrar todas as vezes. A gente tem que conquistar cada vez mais e nunca achar que está bom, é igual o Ronaldo falava na minha época “Quando você entrar em campo e não tiver um friozinho na barriga, então seu futebol não tem mais graça”. Eu tenho que vir aqui e treinar cada vez mais, jogar cada vez mais, conquistar cada vez mais e querer cada vez mais. A gente sabe que com essa camisa tudo é melhor, é mais gostoso, é mais bonito".

Falta alcançar algo para se sentir totalmente realizado?

"Acho que, profissionalmente, mais títulos, eu me vejo um cara realizado, como eu falei, o que eu queria era ser campeão aqui, jogar fora do país, chegar à seleção e Deus me deu toda a oportunidade, todo esse privilégio. Mas é claro que a gente não pode cansar, a gente tem que querer mais, conquistar mais títulos, quanto mais a gente conquistar, melhor é, para estar na história do clube. Isso não vai ser válido só para hoje, mas, sim, futuramente. O que você conquista aqui, ninguém apaga, nada apaga"

A dimensão da marca (recentemente também alcançada por Cássio)

"Não, não tem como (dimensionar). Você imagina.. alguém me fala “você é ídolo”... tem cara que conquistou menos e o pessoal fala que é ídolo, para mim é diferente... Tudo o que conquistamos aqui é muito bom, as conquistas são diferentes, mas eu sei que tem muitos ídolos na minha frente, respeito muito esta marca... Tem cara que fez mais história também com a camisa do Corinthians... mas 400 jogos não é pra qualquer um, eu me sinto muito honrado com essa camisa. Daqui uns anos vai encontrar um companheiro que jogou com você e foi campeão, a amizade vai ser a mesma, respeito o mesmo, a confiança vai ser a mesma e você vai rir junto das mesmas histórias que você teve lá atrás"

Veja mais em: Ralf e História do Corinthians.

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