Coelho revela detalhes de volta ao Corinthians, analisa críticas e aponta jogador 'pronto' do Sub-20

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Desde o último dia 15 de abril, a equipe Sub-20 do Corinthians tem um novo treinador. Ou não tão novo assim. Dyego Coelho, revelado justamente nas categorias de base do Timão, reassumiu o posto que já era seu até o ano passado. O retorno foi concretizado após Eduardo Barroca aceitar o convite para treinar o profissional do Botafogo.

Coelho deixou o comando do Sub-20 em maio do ano passado para integrar a comissão técnica de Osmar Loss no profissional do Timão. Ele também acompanhou o treinador em sua rápida passagem pelo Guarani, de Campinas. Mesmo com sua história toda ligada ao Corinthians, o treinador revelou, em entrevista exclusiva ao Meu Timão, que foi pego de surpresa com o convite para retornar ao Parque São Jorge.

"Eu não esperava, porque já estava em um processo com o Loss, né? Quando eu estava na outra passagem aqui eu já fui como auxiliar para o profissional e depois de conversa com algumas pessoas decidi seguir a carreira como treinador, mas não esperava que fosse aparecer algo tão rápido", contou.

"Eu tive o contato depois que o Barroca pediu para sair. Imediatamente me ligaram, mas sinceramente eu não esperava então decidi pensar um pouco. A gente sabe que voltar para o Corinthians tem algumas situações que muita gente confunde, principalmente pela proximidade que tenho com algumas pessoas aqui dentro, mas fui procurado, não vim pedir emprego, então fiquei muito feliz com a procura e claro que não dá para negar um pedido do Corinthians", completou o ex-lateral-direito.

Apesar da mudança inesperada, Coelho não demonstrou preocupação com a readaptação ao Corinthians e a vida em São Paulo.

"Eu estava morando em Campinas, eu tenho que sair de lá dia 30 e nem consegui fazer minha mudança. As coisas foram acontecendo muito rápido aqui dentro, mas não muda nada, eu conheço o bairro, o clube, então para readaptar é muito rápido", disse. "Estou em casa, graças a Deus", completou.

O treinador, que prepara sua equipe para o clássico contra o Santos, nesta sexta-feira, recebeu a equipe do Meu Timão na Fazendinha, no Parque São Jorge, e respondeu as perguntas por cerca de meia hora. Confortável, sentado no banco que já conhece há muito tempo, Coelho falou sobre o legado deixado por Barroca, sua experiência no profissional, apontou um jogador que vê pronto hoje do Sub-20 e não fugiu nem das críticas da Fiel. Confira o papo completo abaixo!

Coelho conversou com o Meu Timão na Fazendinha, local de jogos do Sub-20

Coelho conversou com o Meu Timão na Fazendinha, local de jogos do Sub-20

Mayara Munhoz / Meu Timão

Jogador pronto para o profissional

Com o recente rodízio que Carille tem feito com jogadores do Sub-20 em listas de relacionados para os jogos, como é o caso de Janderson, os jovens alvinegros ganharam uma motivação extra. Para o treinador alvinegro, no entanto, um único jogador do Sub-20 está pronto para agradar a Fiel hoje.

"Acho que o único jogador hoje que eu posso confirmar que se fosse entrar em campo hoje pelo profissional do Corinthians a torcida iria realmente acolher é o Roni. O restante teria um tempo para adaptar, mas o Roni é um jogador que realmente tem uma técnica, é um dos que eu falo que melhorou, e o que ele tem de Corinthians dentro do coração e da cabeça é uma coisa absurda. Pode falar desses outros jogadores, como o Fábio já citou, mas eu confio muito nesse menino porque eu sei o que ele passou para chegar onde está e o que ele vai fazer para permanecer".

Começo complicado e legado de Barroca

O retorno de Coelho começou conturbado. Dois dias após assumir o cargo, o treinador já comandou o Corinthians contra o Cruzeiro, em confronto eliminatório pela Copa do Brasil Sub-20. O Timãozinho, sob o comando de Barroca, havia perdido o primeiro jogo por 2 a 0 e precisava reverter o placar. O jogo de volta terminou empatado sem gols e a equipe foi eliminada.

"Para você ver onde eu gosto de estar, é nesses lugares. Não adianta, não gosto de jogo fácil. Claro que a gente quer sempre ganhar, mas quando você entra num furacão desses vocês está querendo estar dentro o mais rápido possível. Perdemos lá o primeiro jogo, aqui uma proposta diferente de jogo, que eu gosto de implantar, mas o trabalho que o Barroca deixou é espetacular. Um jogo difícil, com uma equipe que sabe se defender muito bem, e realmente venceu quem soube utilizar melhor as armas no primeiro jogo. Mas chegar nesse furacão só mostra que é assim, assim é o Corinthians", explicou.

Já sobre Barroca, Coelho não poupou elogios. O treinador, que já fez sua estreia no profissional do Botafogo, teve pouco mais de dez meses no comando do Sub-20 do Corinthians.

"O Barroca deixou um jogo de construção fantástico, uma situação que eu gosto muito e estuda bastante porque para a base realmente é necessário, no profissional nem tanto. Essa semana é a primeira que eu vou começar a implantar umas coisas que eu acredito que o futebol possa evoluir, principalmente no meu time. Nós vamos agora para a terceira sessão de treino, daqui um tempo tentar mudar algumas coisinhas, mas não muito porque o trabalho realmente era espetacular, então é só dar continuidade, colocar o espírito corinthiano um pouquinho na parte defensiva e o resto é continuar levando o que o Barroca vinha fazendo", disse Coelho, que ainda falou sobre as mudanças que encontrou no Corinthians após esse período fora.

"Eu senti, não só no elenco quanto no departamento. É um elenco mais enxuto, assim fica mias fácil para tirar o que o jogador tem para tirar e nisso eu senti a diferença. O departamento está muito mais organizado, mais focado nas categorias, sem tanta divergência. Dentro de campo tem jogadores que estavam evoluindo quando eu estava aqui e hoje fazem parte do time titular sem dúvida alguma de tentar tirá-los. Tem jogador que realmente cresceu e cresceu muito com o Barroca e eu só tenho que continuar fazendo o que ele deixou, de conceito, de ideia de jogo".

Dyego Coelho começou sua nova trajetória com uma eliminação na Copa do Brasil

Dyego Coelho começou sua nova trajetória com uma eliminação na Copa do Brasil

Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

Experiência e ensinamentos para os jogadores

Revelado nas categorias de base do Corinthians, Dyego Coelho tem uma grande experiência para repassar diariamente para os jovens que estão tentando alcançar o sucesso no Timão.

"Ensinar é uma palavra difícil, principalmente pro menino entender o que é o Corinthians. A gente sabe que a torcida gosta muito mais de um carrinho, um desarme e uma ganhada em dividida. São coisas aqui dentro da base que a gente precisa colocar para esses meninos e eles entenderem realmente quando eles forem lá para cima, porque lá o jogo é mais defensivo e eles precisam defender bem para estar lá. A gente não pode fazer só o nosso jogo e nossas ideias sendo que estamos formando eles para jogar lá em cima. Claro, facilita (ele ser de casa). Eles olham, procuram, eu já tenho 36 anos e eles têm 18, 19, a maioria nunca nem chegou a me ver jogar, mas eles vão e me procuram. A identidade que eu tenho com o clube facilita para qualquer conselho, direcionamento que a gente dê para eles, porque para a gente ensinar, eles precisam querer ser ensinados. É uma situação não muito fácil, mas quando eu falo eles procuram sempre ter uma atenção especial na minha voz e a gente procura sempre colocar isso para eles", contou.

Algumas situações acabam pedindo mais atenção do treinador. No mês passado, por exemplo, o Corinthians rescindiu o contrato do goleiro Maltos Becker, que já estava até treinando com o Sub-23 por não ter espaço no Sub-20. O jogador fez um forte desabafo nas redes sociais. Coelho contou à reportagem como é necessário agir com os colegas e jogadores que permanecem após casos assim.

"Acontece no profissional também, a equipe querer se desfazer de um jogador. Mas é o seguinte, teve sua oportunidade, teve a chance, não aproveitou, e o futebol é vida que segue. Pelo que eu fiquei sabendo, tentaram as melhores escolhas, mas não pode afetar porque a gente sempre demonstra e mostra o porque das situações para eles, com muita verdade. Se você não se adequar, não for responsável com as suas situações - não estou dizendo que foi o caso do Maltos, quando eu estava aqui eles estava no elenco comigo e eu também não fiz parte dessa situação do contrato dele -, a gente mostra pro jogador que existem situações em que a gente tem que virar homem cedo, tem que ter responsabilidade, e se não se adequar ao que clube pede, a fila anda. Têm jogadores que vem, que atropelam mesmo. Não pode deixar afetar (o elenco). Claro, a amizade deles vai continuar, o que eles fazem daqui para fora o clube tenta indicar o caminho, mas a gente não tem segurança de tudo que eles fazem fora do campo, não sabe de tudo, não tem poder - e eu nem quero ter -, mas a gente procura dar o caminho; se desvia, a gente tenta voltar, se desvia de novo a gente tenta voltar, mas na terceira vez não tem mais jeito. Não dá para ficar sempre passando a mão na cabeça, mas a gente sempre tem que mostrar o porque que o fulano saiu, o ciclano saiu".

Sub-23 do Corinthians

Coelho retornou ao clube com uma grande mudança no departamento de base: a criação da categoria Sub-23. O treinador comento a importância de ter esse grupo dentro do clube.

"Como eu estou chegando agora, eu não sei como está o caminho do Sub-23, mas eu tenho uma ideia de que ele é benéfico para o clube, principalmente com aqueles jogadores que estouraram nos 20 e tem um potencial gigantesco, é para o clube realmente dar mais uma chance. Eles (jogadores) precisam entender que é mais uma chance que o clube está dando. O foco deles, pelo que eu percebi, é o 20 mesmo. No 20 eles querem profissional, não querem passar pelo 23, mas é importante o Sub-23. A gente sabe que zagueiro demora um pouco mais para amadurecer, o atacante não, ele já pode pular uma fase, mas o zagueiro demora um pouco mais e o Sub-23 vem para ajudar, eles precisam entender isso."

Experiência no profissional e técnicos mais jovens com moral no Brasil

Dyego só retornou pois viu Barroca assumir o profissional do Botafogo. Saiu no ano passado para Loss assumir o profissional do Corinthians. Essa nova prática dos clubes brasileiros em dar chances para treinador jovens tem sido um incentivo para quem está começando agora. E não é diferente com Coelho.

"Dá uma segurança maior, uma oportunidade maior. O número aumenta, quando você vê clubes grandes dando oportunidade para quem vem da base. O meu intuito, com 36 anos, é aprender o máximo possível, tirar o máximo de pessoas, estudos, cursos, conversas, porque ser treinador no profissional, pelas experiências que eu vivi aqui no Corinthians e no Guarani, é uma situação difícil, não é fácil. Para quem quer ser treinador, vou falar uma coisa: não é mole, as situações são realmente complicadas, se você não se preparar você vai parar no meio do caminho. Não tem como fugir dos estudos, do conhecimentos, das conversas. Quanto mais você puder ter conversas com profissionais, é melhor. Treinadores jovens podem ter oportunidade, mas esses que já estão há muito tempo sabem demais, pode ter certeza. Eu, quando encontro algum, eu paro, converso, faço perguntas, sou o chato. Eles são diferentes, muito importantes para nosso futebol, mas eu fico feliz com a oportunidade que os clubes estão dando para os jovens, e eu me incluo nisso", disse.

No período que ficou fora do comando do Sub-20, Coelho trabalhou nas equipes profissionais do Corinthians e do Guarani. No Timão, além de Osmar Loss, também fez parte da comissão técnica de Jair Ventura. O treinador falou sobre a experiência e também sobre a diferença de estrutura entre o Timão e a equipe de Campinas.

"É uma baita experiência, não só com ele mas com o Jair também. Realmente tem que ter algo que você não espera encontrar no dia a dia. Tem um discernimento muito grande, sabedoria muito grande, tranquilidade muito grande, porque quando o resultado não vem, se tratando de Corinthians, as coisas vão aumentando, uma derrota vale por três e assim vai. Você vê como agir em uma situação ruim, em um clube grande, e eu também vi no Guarani como agir nessa situação em um clube de menor expressão. É um aprendizado difícil de explicar, é um conhecimento muito grande que só vai te amadurecer para o futuro", explicou.

"A diferença é gigantesca (entre trabalhar no Guarani e no Corinthians). O Corinthians é um clube realmente... eu sempre falo para os meninos da base, antigamente o Corinthians era um clube social, pequeno, com uma torcida gigantesca e isso tornava o clube grande. Hoje, é um clube gigantesco, uma potência, com uma torcida gigantesca, então casou. O Corinthians hoje tem um estádio, um CT, a estrutura realmente é de um time grande, de potência do país, não sei se tem outro clube com essa potência que o Corinthians tem. Você sai de um Corinthians e vai para o Guarani, para a Ponte, que são da mesma cidade e são grandes, tem uma história fantástica, mas não tem a estrutura que o Corinthians tem, então você sente. O Guarani está se reestruturando, vem em uma toada muito boa, com profissionais excelentes, pessoas do bem que fazem com que o clube cresça, e eu torço muito para que o clube volte a ser o que era, porque eu vi a história que tinha lá, de grandes jogadores, e se voltar aquilo, eu tenho certeza que o Guarani vai voltar e permanecer na Série A, não vai ficar oscilando tanto. A diferença é grande, o Corinthians se preparou demais para estar no patamar que está hoje. É quase um título por ano", completou.

Críticas da torcida

Como não poderia ser diferente, Dyego Coelho também foi questionado sobre as duras críticas que recebeu por parte da torcida do Corinthians quando seu retorno foi anunciado. Os torcedores, aliás, já demonstram insatisfação com o treinador desde a primeira passagem, antes da chegada de Barroca. Coelho não se incomodou com a pergunta e respondeu o que realmente pensa sobre o assunto.

"Eu nem acho que foi na outra passagem, porque nela nós limpamos o clube e é até bom que eles (torcedores) entendam isso. O clube tinha muito jogador que não tinham nem condições de estar no Corinthians. Depois que o Loss saiu, eu assumi isso. Como fui criado aqui dentro, eu via muita coisa errada. Durante um ano nós limpamos o clube, pro bem do Corinthians e eu fico muito feliz com isso. E depois de um ano chegamos na final de uma Copa do Brasil com um time que todo mundo falava que não tinha condições nem de passar para a primeira fase. Chegamos na final e realmente perdemos, por que o trabalho é duradouro, não imediato, e hoje eu chego aqui e vejo o clube do jeito que a gente fez lá atrás. Pode ter rejeição ou qualquer outra coisa, como foi por um jogo que eu tive em uma Libertadores... eles confundem o jogador com o treinador".

"Isso, para mim, não é nenhum tipo de tristeza, o treinador do Corinthians que ver o time ganhar e lógico que se isso acontecer eles vão diminuir um pouquinho as críticas, vão ser um pouco mais cautelosos em criticas. O torcedor corinthiano precisa entender o que acontece dentro do clube e é isso que a gente tenta passar para eles. O que aconteceu lá, aconteceu. Eu sou corinthiano igual aos torcedores, tenho minhas críticas também, só não exponho elas, eles estão certos em criticar quando alguma coisa está errada, mas sem motivo fica estranho receber críticas. Eu particularmente estou no futebol há 25 anos e sempre foi isso, crítica, elogio, quando elogiam demais não dá para acreditar, quando criticam demais também não. Mas o torcedor pode ficar bem tranquilo quanto a Corinthians, a cuidar do clube e ter amor pelo clube e não deixar as coisas erradas entrarem no clube. Essa é uma das minhas intensões aqui dentro. Eu não estou aqui porque sou amigo de fulano, eu estou aqui porque eu me preparei para estar aqui. Pode acompanhar, pode criticar, mas quando estiver ganhando elogia os meninos, elogia o Corinthians, o trabalho, porque eu sei que é isso que eles fazem, o torcedor corinthiano é fiel. Tem as suas intensões e ideias em críticas, mas eu não vejo como ruim... às vezes a crítica vem para cá e isso é bom para nós porque temos que mostrar um bom trabalho se não eles vão estar certos em criticar. Então, eu não vejo pela outra passagem, sim pelo que aconteceu quando eu jogava. Como também teve gol em final de Campeonato Brasileiro, teve título que eu ajudei a conquistar, mas infelizmente no Brasil a gente só vê a coisa ruim. Com minhas filhas eu sou assim, quando elas fazem as coisas boas eu preciso lembrar que tenho que elogiar, mas quando fazem as coisas ruins eu só falo do ruim. Mas é assim, não tem o que me afetar, muito pelo contrário, sou corinthiano igual, tenho muito carinho pelo clube e se tiver algo errado eu também vou criticar".

Veja mais em: Dyego Coelho, Base do Corinthians e Corinthians Sub-20.

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