O que Muricy, Rodriguinho e até Carille têm a ver com a nova categoria Sub-23 do Corinthians

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Técnico do Sub-23, Leivinha tem foto com camisa de Rodriguinho em tour da Arena

Técnico do Sub-23, Leivinha tem foto com camisa de Rodriguinho em tour da Arena

Arquivo pessoal

Um novo Corinthians estreia oficialmente nesta semana. A recém-criada categoria sub-23 dá o pontapé inicial no Campeonato Brasileiro de Aspirantes nesta quinta-feira, contra o Vitória, no Barradão, em Salvador. E estará à frente dos jovens o técnico Edson Leivinha, de 56 anos, que já trabalhava no Timão no chamado "Processo Seletivo de Triagem e Captação".

Em entrevista concedida ao Meu Timão, Leivinha contou sobre os aprendizados com Muricy Ramalho nos tempos em que era auxiliar-técnico em Recife. Nessa época também foi campeão da Copa do Brasil de 2008 com Nelsinho Baptista justamente sobre o Corinthians.

Agora trabalhando no Timão, cabe a Leivinha naturalmente "atualizar" suas referências. E é aí que entram Fábio Carille, espécie de mentor para o Sub-23 do Corinthians, e o meia Rodriguinho, hoje no Cruzeiro e por quem o o novo técnico alvinegro tem admiração.

Confira esses e outros bastidores do Corinthians Sub-23 e do técnico Leivinha na entrevista abaixo!

O que fazia trabalhando no tal Processo Seletivo de Triagem e Captação do Corinthians?

Eu trabalhava mais na parte seletiva e ajudando em relação a alguns atletas que precisavam melhorar a parte técnica para que depois eles pudessem buscar espaço no grupo principal. Direcionado a melhorar aqueles atletas que a gente via que tinham uma projeção, mas que precisavam melhorar algo técnica ou taticamente. Trabalhávamos nos campos do Parque São Jorge, foram feitos trabalhos bons ali, apesar de eu não me recordar de nomes dos jogadores agora.

Sua experiência no futebol é como técnico?

Toda minha carreira sempre fui treinador de futebol. Aí surgiu essa nova categoria. Treinei vários times de futebol profissional, cheguei a trabalhar na base também. Em 2008 fomos vice-campeões brasileiros sub-20 pelo Sport, fizemos a final contra o Grêmio. Dois atletas daquela safra disputaram Mundial pela Seleção: goleiro Saulo e atacante Ciro.

Foi auxiliar-técnico de treinadores de renome como Muricy Ramalho, né?

Tive oportunidade de trabalhar com o Muricy em minha primeira oportunidade, no Náutico, logo que ele chegou, em 2001, 2002. Ali eu era treinador do juvenil e fui convidado a ser auxiliar do profissional. Conquistamos dois títulos lá. No próprio Náutico e também no Sport trabalhei com o Geninho. O Nelsinho foi no Sport em 2008, quando fui contratado pelo clube e conquistei a Copa do Brasil inclusive, e infelizmente (risos), contra o Corinthians. Tenho esse título aí em cima do Corinthians, gratificante. O futebol é muito dinâmico, né? O próprio Nelsinho na ocasião vinha de uma queda à Série B pelo Corinthians. Tive ali oportunidade de trabalhar na Libertadores, como prêmio pelo título da Copa do Brasil. Naquele staff tinha também o Eduardo Baptista, ainda preparador físico e já se preparando para ser treinador.

E agora está à frente do Sub-23 do Corinthians. Quais as primeiras impressões?

Faz cerca de dois meses que estamos com esse trabalho, uma categoria nova, que precisa ainda engrenar. O objetivo deste trabalho é aproveitar esses atletas que estão fazendo a transição do Sub-20 ao profissional. Muitas vezes muitos deles não estão prontos ainda, e com essa categoria agora terão um tempo maior para maturação. Ao mesmo tempo, é uma categoria que pede sintonia tanto com o profissional quanto com a base, no sentido de haver jogadores que não vêm jogando muito. Estamos conversando bastante com o Carille, numa sintonia muito bacana. Aquele jogo-treino deixou a comissão técnica do profissional muito satisfeita, porque já conseguimos organizar uma equipe em muito pouco tempo de trabalho. Ainda precisamos de reforços, claro, até porque estamos representando o nome do Corinthians.

Leivinha posou com camisa do Corinthians e taça da Libertadores

Leivinha posou com camisa do Corinthians e taça da Libertadores

Arquivo pessoal

Quem pode descer do profissional ao Sub-23?

Vamos deixar muito a critério do Carille, deixá-lo bem à vontade para indicar os jogadores que ele ache que seja interessante jogar aqui no Sub-23.

Assim como acontece no Sub-20, haverá inspiração no estilo de jogo de Carille?

A gente tem conversado muito isso com o Carille. De podermos formatar nossa equipe o mais próximo do profissional. Nossa intenção é justamente que o atleta não tenha dificuldade quando e se for solicitado pelos profissionais. E de forma geral o tipo de jogador do Corinthians é aguerrido, que se doa em campo nos 90 minutos, não podemos perder essas características.

Treinarão mais vezes junto com os profissionais?

Estamos atualmente treinando no CT anexo ao CT Joaquim Grava. Mas já estamos também conversando para levar alguns treinos ao próprio CT dos profissionais, mesmo que em horários diferentes dos treinamentos deles, mas para alguém da comissão técnica dos profissionais estarem visualizando nosso trabalho.

Você tem perfil semelhante ao de Carille?

Eu também não fujo muito dessas características do Carille. Lógico que gosto de um time com posse de bola, mas que tenha marcação forte. Essa parte defensiva é muito importante, fazendo bem as transições. O mais importante no futebol, infelizmente, acaba sendo os resultados, né? Falo infelizmente porque as pessoas muitas vezes não veem o trabalho no geral.

Gosta de Rodriguinho, assim como Carille? Tem foto com camisa dele...

Rodriguinho está no Cruzeiro hoje e recebeu recentes elogios de Tostão, falando que joga parecido com ele, de cabeça erguida, ambidestro. Eu vejo o Rodriguinho como uma referência muito grande em relação ao tipo de jogador que quer galgar algo dentro do clube, com gols também. Assim como o Ralf dentro de sua função, por exemplo. Mas essa foto foi uma oportunidade que tive de fazer o passeio e conhecer a Arena e aí tirei uma foto ali justamente perto da camiseta do Rodriguinho.

Rodriguinho, além de bom tecnicamente, tem história de superação no Corinthians. Mais um motivo pra servir de inspiração para esse perfil de jogador que compõe o Sub-23?

Acredito que sim, até porque tudo é possível para aquele que crê. Nessa trajetória podem acontecer percalços, mas quando esses atletas nessa idade acreditam neles mesmos, ainda é possível recuperar. Nossa meta é fazer justamente que o atleta entenda isso. Quando a gente trabalha com esses atletas a gente acredita que eles podem se recuperar sim. Há quatro pilares no futebol: técnico, tático, físico e psicológico. Você tem de trabalhar e dialogar muito com os jogadores para que a parte psicológica permita o desenvolvimento das outras e a recuperação do tempo que esses atletas perderam.

Del'Amore, Rodrigo Figueiredo e Renan Areias: flertaram ou tiveram chances no profissional. Como é trabalhar com o psicológico desse perfil de jogador?

O próprio Altair, que já foi do clube e veio com objetivo de a gente avaliar. Vejo atletas motivados, comprometidos, com alegria de estar vestindo a camisa do Corinthians, é uma oportunidade muito grande para eles. Alguns mesmo com propostas de outras equipes preferiram ficar porque entendem ser uma oportunidade boa para eles. O que procuramos fazer é conscientizá-los que estão numa grande equipe, mesmo sub-23, com visibilidade muito grande, capazes de recuperar seu espaço no elenco profissional. Depende muito de quem conduz, né? Temos que acreditar para que eles acreditem.

Rodrigo Figueiredo já jogou pelos profissionais do Corinthians

Rodrigo Figueiredo já jogou pelos profissionais do Corinthians

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Qual o principal desafio como técnico desse perfil de jogador?

Tirá-los da zona de conforto, mostrar que tudo é conquistado com muito trabalho, muita dedicação. Há atletas que, por estarem num clube grande como o Corinthians, entram numa zona de conforto, e isso é muito perigoso. No futebol, carreira curta, é importante o jogador estar sempre em atividade almejando novos objetivos.

Há uma linha tênue para montar um elenco sub-23: de jogadores em baixa mas com alto potencial. Como é esse processo de captação?

O material desses atletas muitas vezes chega para ser analisado através do CIFUT. Aí entendemos que esse atleta tenha o perfil de jogar no Corinthians e que a gente possa enxergar nele também uma projeção a nível de futuro. É um trabalho de médio e longo prazo para os atletas que ainda não estão maturados para buscar espaço no elenco principal.

E como lidar com a presença de Fran no elenco, filho de um conselheiro contratado como favor a pedido do presidente Andrés Sanchez?

Fran é um atleta como outro qualquer e tem de buscar o espaço dele. Eu vou colocá-lo no jogo de acordo com minha opção como treinador. Ele é um dos atletas que têm a idade acima da categoria, podemos usar até três. Então ele tem que realmente ser diferenciado para que possa dar uma diferença maior em relação à maturidade que ele tem em relação aos outros.

Copa Paulista e Brasileiro de Aspirantes são as principais competições. Parecidas?

O nível de dificuldade é semelhante. Muitas equipes que não disputam Série D ou outra competição a nível nacional já começam seu trabalho na Copa Paulista visando o próximo ano, então chegam fortes e competitivas. Pra gente isso é interessante. Encontrar dificuldade na competição é necessário para o atleta encontrar a maturação que a gente espera deles, eles serão exigidos. Sobre o Brasileiro de Aspirantes, há vários times de camisa. Para o Corinthians é uma categoria nova, mas há casos de equipes tradicional na categoria como Grêmio e Internacional. Mas temos o objetivo de conseguir sempre os resultados positivos e a maturação dos nossos atletas.

Veja mais em: Equipe Sub-23 do Corinthians, Fábio Carille, Rodriguinho e Base do Corinthians.

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