Os bastidores da queda de Carille no Corinthians: 'Ele mudou para pior'

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Carille foi demitido após a goleada sobre o Flamengo; treinador voltou diferente segundo relatos de funcionários

Carille foi demitido após a goleada sobre o Flamengo; treinador voltou diferente segundo relatos de funcionários

Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

“Foi legal para caramba (protesto da torcida na porta do CT). Os amigos ligaram todos preocupados. Foram lá para me chamar de retranqueiro só, estou com moral com eles. Já ouvi vários protestos aí serem bem piores...”

"...Vergonhoso, não parece um time treinado, parece que se junta no vestiário e vai para o jogo. Você passa informações e depois tá na beira do campo e isso não é feito..."

"...É um grupo novo, tinha muitos meninos em campo, era um jogo que só tinha 'nego' malandro, jogador vivido. Hoje esses jogadores precisam se acostumar com esse tipo de jogo"

"...Por incrível que pareça estamos em quarto lugar. Não dá para entender, o que está jogando não era para estar em quarto. Era para estar fora da zona de classificação da Libertadores..."

"...Tentamos Gabigol, Rodriguinho, Roger Guedes... Precisamos de jogadores mais agudos...Não conseguimos trazer jogadores para encaixar esse jogo. Infelizmente, não conseguimos buscar quem a gente queria..."

As frases acima, em tons irônico, agressivo, debochado, desapegado ao cargo e/ou indiferente quanto à repercussão externaram um Fábio Carille que já era alvo de críticas internas no CT desde seu retorno ao Corinthians em janeiro deste ano.

O Meu Timão ouviu algumas pessoas que conviveram com o treinador nesse período de 11 meses. Na visão de todos ouvidos pela reportagem, Carille mudou seu jeito de ser em relação à primeira passagem como treinador do Corinthians (de janeiro de 2017 a maio de 2018).

"Ele mudou para pior", resumiu uma das pessoas ouvidas pelo Meu Timão.

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Segundo relatos, o ex-auxiliar voltou ao clube mais fechado, mais isolado e com menos diálogo com os funcionários. Uma espécie de bolha foi criada, na qual era compartilhada na maioria das vezes apenas por Leandro Silva (Cuca, auxiliar) e Emerson Sheik (coordenador de futebol).

"Foi difícil para nós entender o que passava na cabeça dele diante daquelas entrevistas", lembrou outro profissional ouvido pelo Meu Timão.

"O Carille de 2017 jamais falaria algumas coisas que foram faladas agora", disse outro.

Os líderes do elenco também não entendiam tal mudança. Reuniões entres eles e também deles com os dirigentes foram realizadas nas últimas semanas. Ralf, Cássio, Walter, Jadson, Gil e Fagner tentaram contornar a situação, mas se viram de mãos atadas diante da metralhadora de palavras do comandante.

Cássio, por exemplo, foi quem concedeu entrevista após as declarações de Carille no Morumbi. O goleiro pisou em ovos e evitou colocar mais lenha na fogueira. Mesmo contrariado e indignado com as palavras do treinador.

Em relação ao trabalho em si, os relatos foram no sentido de um treinador que parecia comprar briga com opiniões externas contrárias. Exemplos: Pedrinho como meia, assunto esse que irritava o treinador; ou mesmo Clayson, alvo de inúmeras críticas da torcida, que era mantido entre os titulares.

Esse jeito mais intransigente também se deu com a liberação de atletas que não foram pedidos por ele, como Thiaguinho, Ángelo Araos e André Luis. Jogadores que acabaram sem tanto espaço na equipe e foram emprestados a outros clubes ao longo do ano.

A relação diária com os jornalistas também foi diferente este ano. Se na primeira passagem Carille nunca se furtava a conceder entrevistas no CT às terças e sextas, além dos pós-jogo, o ano foi marcado por raríssimos atendimentos durante a semana no centro de treinamento.

Os treinos, que nunca foram fechados na primeira passagem, incluindo o momento de maior tensão durante o Brasileirão-17, passaram a ser abertos com uma frequência bem menor. Alguns, inclusive, liberados até determinado momento até que os profissionais de imprensa deixassem o local.

Em tempo: Carille ainda não se pronunciou sobre a saída do Corinthians após 11 meses de seu retorno ao clube. A tendência é que o faça por meio de sua assessoria de imprensa ainda esta semana.

Veja mais em: Fábio Carille, Diretoria do Corinthians e CT Joaquim Grava.

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