Tiago Nunes é contestado internamente no Corinthians; veja insatisfações

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Algumas decisões de Tiago Nunes, dentro e fora de campo, são contestadas internamente no Corinthians

Algumas decisões de Tiago Nunes, dentro e fora de campo, são contestadas internamente no Corinthians

Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Em meio ao caos instalado pelo coronavírus, que paralisou o esporte brasileiro e mundial, a diretoria do Corinthians segue em busca de respostas para a má fase da equipe que não vence há seis jogos no Paulistão e está quase eliminada da competição estadual a duas rodadas do fim.

No epicentro dessa tentativa de explicação está o comandante Tiago Nunes. A reportagem do Meu Timão conversou durante toda essa segunda-feira com algumas pessoas no entorno do treinador. Assessores de imprensa e agentes dos atletas, membros da comissão técnica e pessoas próximas ao presidente Andrés Sanchez.

Todos apontaram questões que, de alguma maneira, têm relação com o treinador. Basicamente, erros na condução do trabalho dentro e fora de campo, causados em sua maioria pela inexperiência diante de um dos clubes mais populares e midiáticos do país.

A princípio, o trabalho de Tiago Nunes e sua comissão técnica não deve ser interrompido. O caos instalado pelo coronavírus, somado ao fato de o CT ficar fechado por tempo indeterminado, sem qualquer perspectiva de treinos e jogos, trava decisões e conversas e, claro, joga a favor do treinador.

O Meu Timão traz agora algumas das insatisfações internas no CT Joaquim Grava quanto ao trabalho de Tiago Nunes após dois meses. Acompanhe abaixo:

Autossuficiência

Segundo relatos, em algumas decisões, Tiago ultrapassa o limite do "agir por minhas convicções". Um exemplo que passado ao Meu Timão foi a situação de Pedrinho. Após a partida de ida diante do Guaraní-PAR, o treinador foi questionado sobre a volta do meia-atacante da Seleção Olímpica.

A resposta foi: "Até o momento eu não pensei no Pedrinho pelo fato de ele estar servindo à Seleção. Ele vai ter que ter uma adaptação a nossas ideias de jogo, temos que entender onde ele mais pode atuar. Ele vai ter que merecer jogar, ninguém tem cadeira cativa”.

Três dias depois, Tiago Nunes colocou uma equipe recheada de reservas para encarar a Inter de Limeira diante de mais de 30 mil pessoas na Arena Corinthians. E perdeu o jogo por 1 a 0. Na coletiva, com a realidade batendo à porta, a utopia foi deixada de lado e o discurso mudou:

"Estou esperando o Pedrinho retornar aí conversaremos, vou tentar conversar antes via telefone para ver em que condições chega para ver se vai estar à disposição. A partir da conversa com ele, ver como ele vai chegar, a gente decide se joga ou não".

Carta branca... muito branca

No dia 22 de janeiro, o Meu Timão publicou uma nota com o seguinte título: "Reforços, saídas, treino fechado e até cancelamento do tour da Arena; Tiago Nunes mostra força no Corinthians". Na ilustração, a foto do treinador e uma montagem que trazia a capa do filme "O Poderoso Chefão". Relembre aqui.

Passado quase dois meses, os dirigentes do Corinthians se arrependem de terem dado tanto poder na mão de Tiago Nunes que, por sua vez, analisou, planejou, definiu e executou as ações a sua maneira. Hoje acreditam que, devido à falta de conhecimento do que é o clube e suas demandas, somada à necessidade de uma ruptura de uma década na forma de jogar, o ideal seria ter dividido tarefas e decisões.

Tudo começa com a decisão de Tiago de assumir apenas em 2020, obrigando os dirigentes a colocarem o inexperiente Dyego Coelho nas últimas oito rodadas do Brasileirão-19; Foi o treinador também quem definiu que Ralf e Jadson, ídolos da torcida, precisariam deixar o clube por incompatibilidade na filosofia de jogo;

Assim como foi Tiago quem compôs a comissão técnica. O clube informou um limite a ser gasto por mês com todo o estafe e foi Tiago quem recrutou todos seus futuros companheiros, um a um, delimitando os salários com base naquele teto estipulado pelo clube;

As decisões táticas e definições de titulares e reservas, como não poderia ser diferente, também passaram por Tiago. O mesmo aconteceu com a liberação de quem não seria aproveitado na sequência, como Marllon, Gustagol e Madson.

Escolhas de titulares e reservas

Relatos ouvidos pela reportagem do Meu Timão lembraram algumas decisões tomadas por Tiago Nunes na montagem da equipe antes e durante os jogos que causaram estranheza. Os exemplos são dos mais variados possíveis.

  • Boselli era artilheiro do elenco quando, surpreendentemente, virou banco diante do Santo André - entraria na segunda etapa para empatar o jogo;
  • Araos não fazia parte dos planos de Tiago, que chegou a dizer que não sabia sua real posição. Após bom desempenho no Pré-Olímpico, o chileno ganhou espaço nos treinos e, nos últimos dois jogos, foi uma das três substituições, deixando jogadores como Vagner Love no banco.
  • Na lateral-esquerda, Carlos Augusto estava liberado para acertar com a Itália, mas não encontrou clube. Carlos, atual dono da posição, deixou para trás Sidcley, que se apresentou fora de forma, e Lucas Piton.
  • Cantillo e Camacho foram os mais regulares do ano. Em Novorizonte, Camacho foi sacado para a entrada de Gabriel. No segundo tempo, ao preterir de Gabriel pelo segundo amarelo, optou pelo recém-chegado Éderson, longe de seu ritmo ideal.
  • Madson e Gustagol, que atuaram diante do Guaraní-PAR nos duelos mais importantes do ano, foram liberados para Fortaleza e Internacional na sequência; Em contrapartida, Yony González, que acabara de chegar, se tornou titular. Três jogos depois, o colombiano foi retirado para melhorar a parte física.

Treinos mais longos e novas diretrizes

Os jogadores do Corinthians, de maneira geral, gostam dos treinos de Tiago Nunes e sua comissão técnica. Os relatos ouvidos pela reportagem do Meu Timão foram elogiosos quanto à intensidade, diversificação e qualidade. A ponderação ficou por conta do prolongamento de algumas atividades - houve treinos que ultrapassaram duas horas e meia.

Recentemente, uma reportagem do GloboEsporte.com mostrou o incômodo de alguns atletas quanto a normas no CT que não existiam na época de Fábio Carille. Os relatos passados à reportagem do Meu Timão não foram de reclamação, apenas se ponderou que as mudanças poderiam ter sido executadas aos poucos.

Em tempo: internamente, a diretoria do Corinthians reconhece que não deu tudo aquilo que foi pedido por Tiago Nunes em termos de opção do meio para frente. O treinador solicitou as contratações de Michael e Rony, por exemplo. Primeira e segunda opções não vieram. A saída, então, foi trazer Yony em meio à negociação de Pedrinho com o Benfica.

Veja mais sobre a situação de Tiago Nunes no Corinthians

Veja mais em: Tiago Nunes, Diretoria do Corinthians e CT Joaquim Grava.

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