Conselheiros protocolam pedido de impeachment contra Augusto Melo no Corinthians; entenda
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Por Bruno Pantarotto e Rodrigo Vessoni
Conselheiros protocolam pedido de impeachment contra Augusto Melo no Corinthians
Danilo Fernandes / Meu Timão
O Conselho Deliberativo do Corinthians, liderado por Romeu Tuma Jr, recebeu no final da tarde desta segunda-feira, um requerimento pedindo o impeachment de Augusto Melo do cargo de presidente do clube. A informação foi divulgada pela Gazeta Esportiva e confirmada pelo Meu Timão.
O documento, elaborado pelo "Movimento Reconstrução SCCP", conta com mais de 50 assinaturas, atingindo o número mínimo necessário para que a solicitação seja considerada pelo presidente do Conselho Deliberativo.
Com isso, aumenta a pressão sobre o presidente do clube, que, no último dia 12, teve seu caso encaminhado à Comissão de Ética para investigação, também correndo o risco de enfrentar um processo de impeachment.
Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo e responsável por conduzir todo o processo, deve encaminhar até o final desta semana o requerimento de destituição de Augusto Melo, recebido nesta segunda-feira, à Comissão de Ética. O documento será anexado ao processo já em andamento, que investiga as ações do mandatário e de outros seis envolvidos: Armando Mendonça (vice-presidente), Rozallah Santoro (ex-diretor financeiro), Yun Ki Lee (ex-diretor jurídico), Fernando Perino (ex-diretor adjunto jurídico), Marcelo Mariano (diretor administrativo) e Rubens Gomes (ex-diretor de futebol).
"Um caso desse não pode demorar, não deve durar nem dois meses. Eu não vou arquivar e julgar ninguém sozinho, vou cumprir o estatuto, votando no plenário. Seja qual for o parecer, vai votar. Vai ter que ser no voto. Busquei o caminho mais claro, mais transparente e regimentário", explicou Romeu ao portal Gazeta Esportiva.
O presidente do Conselho enfatizou que a votação inevitável no órgão fiscalizador será baseada nos pareceres emitidos pelas Comissões de Ética e Justiça. Portanto, se essas comissões recomendarem a destituição do presidente Augusto Melo, a decisão final sobre essa penalidade caberá aos membros do Conselho Deliberativo.
"A Comissão de Justiça não tem poder de apontar crimes. Ela encontrou indícios sobre sete pessoas que poderiam desencadear penalidades no Estatuto. A juiza sugeriu que fosse apurado pela Comissão de Ética, que é uma comissão processante, tem poder para pedir provas e ouvir as pessoas. Se a Comissão entender que houve infringência, você pode encaminhar para votação no Conselho", complementou.
"Os outros podem ser expulsos, advertidos. O presidente não pode ser expulso, ele pode ser destituído do cargo. É a Comissão de Ética que, individualmente, recomenda as eventuais penalidades, mas o parecer dela não é definitivo. O Estatuto fala que quem delibera é o Conselho. A Comissão faz parecer, recomendando, e nós podemos votar no plenário", afirmou o presidente do Conselho Deliberativo.
Se a destituição de Augusto Melo for votada no Conselho Deliberativo, seguindo a recomendação das comissões competentes, e o órgão decidir por maioria afastar o presidente de forma definitiva, os sócios do clube terão o poder de decidir.
"No caso específico de presidentes, a decisão precisa ser referendada pela assembleia geral, com votação dos sócios", explicou Romeu.
Augusto Melo, juntamente com outros dirigentes e ex-dirigentes do Corinthians, corre o risco de ser indiciado pela Polícia Civil, que está investigando o acordo firmado entre o clube e a VaideBet. O avanço dessa investigação pode complicar ainda mais a posição do presidente corintiano dentro do clube.
"Se eles forem indiciados pela Polícia, agrava no processo administrativo dentro do clube, com certeza", concluiu Romeu Tuma.
O Estatuto do Corinthians determina que, em caso de destituição de um presidente, o cargo seja temporariamente assumido pelo primeiro vice-presidente, atualmente Osmar Stabile. Em até 30 dias, deve ocorrer uma votação no Conselho Deliberativo para a eleição de um novo presidente.
Veja o requerimento enviado ao Conselho Deliberativo do Corinthians
O documento pede "tramitação sucinta" e se apega, principalmente, ao Artigo 106, "b" e "d", do Estatuto do clube, além da Lei 14.597/23, referente a nova Lei Geral do Esporte, que dispõe sobre crimes de "Lavagem" ou ocultação de bens.
Art. 106 - São motivos para requerer a destituição do Presidente e/ou dos Vices:
b) ter ele acarretado, por ação ou omissão, prejuízo considerável ao patrimônio ou à imagem do Corinthians.
d) ter ele infringido, por ação ou omissão, expressa norma estatutária.
Em 19 páginas, que detalham acontecimentos recentes promovidos pela atual gestão, o requerimento se apoia em fundamentos que objetivam apontar eventuais problemas e condutas temerárias da gestão após avaliação dos seguintes casos:
-Entrevista de Rubens Gomes, o Rubão, ao Mesa Redonda, da TV Gazeta, quando o ex-diretor de futebol apontou o início da desconfiança sobre o contrato do clube com a VaideBet.
-"Laranja" na intermediação da VaideBet.
-Depoimento de Cassundé à Polícia, refutando ter feito intermediação.
-Debandada de dirigentes, perda do patrocínio e prejuízo moral.
-Depoimento de Armando Mendonça à Polícia, apontando omissão dos gestores.
-Agressão de Augusto a um torcedor do Cruzeiro, em MG, com prejuízo a imagem da instituição.
