Além de materiais esportivos, as NFs também contemplam materiais de construção, itens domésticos, alimentos e até brinquedos

Além de materiais esportivos, as NFs também contemplam materiais de construção, itens domésticos, alimentos e até brinquedos

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

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Nova falha

Ex-chefe de TI do Corinthians denuncia falhas na emissão de NFs do CT e possível rombo milionário

Por Meu Timão

Em meados de maio, veio a público que o Corinthians teria deixado de emitir cerca de R$ 5 milhões em notas fiscais de materiais esportivos fornecidos pela Nike. O clube, por meio de nota oficial, destacou que tudo foi contabilizado no balanço de 2024 . Agora, porém, possíveis NFs não contabilizadas em diversos materiais surgem.

Segundo informação da Central do Timão, que teve acesso a uma planilha de 448 notas fiscais emitidas pelo CT Joaquim Grava que, somadas, têm valor de R$ 1.193.359,66. As 1.424 compras contemplam materiais esportivos, materiais de construção, alimentos e até brinquedos. Marcelo Munhoes, ex-chefe de TI do Corinthians, denunciou o caso.

Estima-se que aproximadamente 3 mil notas fiscais emitidas para o CT não foram lançadas na contabilidade do clube no exercício de 2024. O Corinthians conseguiu recuperar uma parte, manualmente, por meio de e-mails enviados pelos próprios fornecedores ao longo do ano. No entanto, o clube ainda não possui a real dimensão da extensão do problema", disse em entrevista à Central do Timão.

Parte dessas notas fiscais envolvem o que foi citado no início deste texto, de materiais esportivos da Nike. Marcelo Munhoes defende que, até sua demissão em janeiro deste ano, as NFs ainda não haviam sido emitidas como a lei brasileira pede, o que pode gerar punições ao Corinthians.

O clube precisa cumprir tanto o próprio estatuto quanto a legislação brasileira, garantindo a conformidade contábil, fiscal e de controles internos do Corinthians. Isso se aplica, especialmente, ao registro de notas fiscais de entrada, controle de estoques e à veracidade das demonstrações contábeis, avaliando os riscos envolvidos e possíveis infrações à legislação vigente", explicou o ex-funcionário.

A regularização contábil e fiscal posterior é permitida pela legislação vigente, por meio de 'retificações'. Contudo, as demonstrações financeiras do exercício de 2024 ficaram incorretas, que caracteriza fraude contábil e fiscal”, complementou.

O ex-chefe de TI do Corinthians também denunciou que, durante a gestão do presidente Augusto Melo, os materiais fornecidos pela Nike deixaram de ser enviados ao Parque São Jorge para o CT Joaquim Grava para tornar parte do estoque irrastreável. Atualmente, segundo Munhoes, não se tem noção dos estoques do centro de treinamentos.

"Não há qualquer controle do que se tem no CT (Joaquim Grava). Não há sequer pleno conhecimento de todas as notas fiscais emitidas contra o CT, uma vez que o Departamento Financeiro adquiriu o certificado digital apenas em novembro de 2024. Considerando que a SEFAZ disponibiliza as notas fiscais apenas referentes aos últimos três meses, existe uma lacuna crítica de informações fiscais anteriores a esse período", explicou o ex-chefe de TI do Corinthians.

A ideia era tornar o estoque da Nike invisível aos olhos do PSJ (Parque São Jorge). Pretendiam, inclusive, implantar um sistema de controle de estoque paralelo, a fim de garantir que ninguém do PSJ tivesse conhecimento do que estava ocorrendo. Eles insistiram nessa estratégia, mas não permitimos, argumentando que não era possível um sistema de estoques apartado, pois as informações precisam ser integradas”, destacou na sequência.

Alerta de consultoria e pedido de Augusto Melo

Augusto Melo dando entrevista antes do duelo contra o Novorizontino

Ronaldo Barreto / Meu Timão

A Ernst & Young (EY), consultoria contratada pelo Corinthians no início de 2024, chegou a alertar sobre as irregularidades na gestão das notas fiscais.

Em agosto, após um funcionário do clube responsável pelos materiais da Nike estocados no Parque São Jorge perceber que não estava mais tendo acesso às NFs, se teve noção que a descentralização do estoque partiu de uma determinação de Augusto Melo. Caio do Valle, consultor de negócios estratégicos, segundo Munhoes, foi quem executou a ordem, solicitando para a fornecedora faturar os pedidos para o CNPJ do CT sem avisar nenhum outro departamento. A situação gerou um e-mail de alerta da EY para:

  • Pedro Silveira, então diretor financeiro;
  • Marcelo Mariano, então diretor administrativo;
  • Vinicius Azevedo, então superintendente de marketing;
  • Marcelo Munhoes, então chefe de TI;
  • Luiz Ricardo Alves, o Seedorf, gerente financeiro;
  • Caio do Valle, consultor de negócios estratégicos.

Segundo a EY, essa descentralização das notas fiscais teria gerado, até agosto de 2024, um rombo de R$ 3,5 milhões em NFs não lançadas no sistema, além de expor o Corinthians a multas fiscais, risco de quebra contratual, reembolsos retroativos e danos à reputação. À consultoria, o Corinthians justificou a mudança pela alta demanda do departamento de futebol profissional masculino e atrasos de entrega da Nike.

A EY recomendou que os produtos voltassem a centralizados no estoque do Parque São Jorge visando "eficiência operacional". O próprio Marcelo Munhoes, representando o departamento de tecnologia, apontou que os setores contábil e fiscal necessitavam estar a par dessa mudança das NFs tendo em vista os problemas citados.

O Corinthians poderia ter regularizado a situação com a implementação do sistema de gestão empresarial Protheus (fornecido pela TOTVS) no CT Joaquim Grava. Em e-mail enviado em dezembro de 2024, o departamento do centro de treinamentos disse que implementou, porém as diretrizes seguintes da execução, como contar essas NFs, não foram seguidas.

A EY ainda alertou que essas notas fiscais emitidas de forma irregular estavam sendo enviadas diretamente a Marcelo Mariano para uma suposta regularização futura. A consultoria apontou medidas emergenciais, como inventariar o estoque do CT, ajustar os saltos no Protheus e corrigir os dados para iniciar 2025 de forma adimplente.

Até o momento, porém, o Corinthians segue irregular, estando sujeito a penalidades do Sistema Público de Escrituração Digital da Receita Federal (SPED), além de correr risco de piorar relações com a Nike e deteriorar a imagem do Timão no mercado. À Central do Timão, o clube disse que verificaria as informações apresentadas para depois enviar um posicionamento.

Veja mais em: Augusto Melo, Diretoria do Corinthians e Dívida do Corinthians.

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