Em ordem: Chicão (coordenador de transição), Valmir Costa (diretor adjunto da base), Augusto Melo...

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Foto: Reprodução

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Caso Morelli

Ex-diretor da base do Corinthians revela defesa do clube em manifesto ao MCFFB

Por Meu Timão

Desde o dia 9 de janeiro de 2025, o Corinthians está fora do Movimento dos Clubes de Formação do Futebol Brasileiro (MCFFB) . A exclusão do clube do Parque São Jorge do grupo, que reúne gestores das categorias de base dos principais clubes do país para estabelecer regras de ética e cooperação técnica, teve como justificativa a contratação de Pedro Morelli, que deixou o Palmeiras e se juntou à equipe Sub-15 do Timãozinho no início do ano passado.

Após o episódio, Claudinei Alves, então diretor das categorias de base do Corinthians na gestão de Augusto Melo, enviou em março uma manifestação ao MCFFB explicando o caso e solicitando o retorno do clube ao Movimento. Nesta quarta-feira, o ex-dirigente compartilhou os documentos que foram enviados nesse pedido.

No material, a defesa do Corinthians acusa o Palmeiras, por meio de seu departamento de base, chefiado por João Paulo Sampaio, de ter aliciado o jogador quando ele ainda estava no Timão, aos dez anos, para levá-lo ao rival. Posteriormente, o ex-diretor da base alvinegra afirma que o Palmeiras teria ignorado os representantes do atleta durante todo o ano de 2024, o que motivou a sua saída e o retorno ao Parque São Jorge, em 2025.

Abaixo, o Meu Timão separou para você, torcedor, todos os detalhes da defesa apresentada pelo Corinthians no caso.

O que é o Movimento dos Clubes de Formação?

Registro do encontro do Movimento de Clubes Formadores na última quarta-feira

Registro do encontro do Movimento de Clubes Formadores na última terça-feira, sem a presença de representante do Corinthians, pois o clube foi excluído em 2025

Divulgação / CBF

Antes de tudo, é preciso explicar o que é e qual a importância do Movimento dos Clubes de Formação do Futebol Brasileiro (MCFFB) para as categorias de base do país. A saída do Corinthians do grupo gerou, de imediato, dois impactos principais: dificuldades na manutenção de jogadores entre dez e 14 anos e restrições à participação em torneios não oficiais — ou seja, aqueles que não são organizados pela Federação Paulista de Futebol (FPF) e pela CBF.

Dessa forma, ao longo de 2025, as categorias mais jovens do Timãozinho precisaram recorrer a competições com adversários de nível amador, o que acabou prejudicando significativamente o processo de formação e desenvolvimento dos atletas.

O Movimento dos Clubes Formadores foi criado para evitar que as equipes “roubassem” jogadores umas das outras, reunindo as agremiações que possuem o Certificado de Clube Formador. Pela legislação brasileira, um atleta só pode assinar um contrato de formação, esse documento oferece maior segurança jurídica aos clubes. Até essa idade, o jogador pode rescindir o vínculo de forma unilateral a qualquer momento, bastando comunicar a federação.

Com o MCFFB, existe um chamado “acordo de cavalheiros” entre os clubes para não aliciar atletas e não incentivar esse tipo de ruptura precoce. Fora do Movimento, o Corinthians deixa de ter essa proteção informal e passa a correr maior risco de perder seus principais talentos das categorias iniciais para clubes rivais.

Além disso, o clube também encontra dificuldades para participar dos principais torneios amistosos do país, que em sua maioria são organizados por equipes integrantes do MCFFB. A Copa FAM, por exemplo, é organizada pelo Palmeiras. Embora as equipes Sub-17 e Sub-20 disputem normalmente os Campeonatos Brasileiro e Paulista, as categorias mais jovens participam apenas do Estadual e dependem dessas competições amistosas para manter um calendário ativo.

Em 2024, a principal conquista do Sub-14 do Corinthians foi a Copa Umbro , torneio organizado pelo Azuriz e tratado internamente como uma espécie de “Campeonato Brasileiro” da categoria.

Ex-diretor de base acusa o Palmeiras de descumprir o código de ética do MCFFB

Claudinei Alves se tornou diretor geral da base com a chegada de Augusto Melo à presidência

Claudinei Alves se tornou diretor geral da base com a chegada de Augusto Melo à presidência

Gustavo Vasco / Corinthians

Em um documento de 14 páginas, assinado pelo advogado Wanderson Contrera Salles, ex-diretor jurídico da base do Corinthians, e por Claudinei Alves, ex-diretor da categoria, o clube do Parque São Jorge reuniu uma série de provas para sustentar sua defesa no caso Pedro Morelli e acusar o Palmeiras de descumprimento do código de ética do Movimento dos Clubes de Formação do Futebol Brasileiro (MCFFB).

Entre os anexos estão capturas de tela de conversas entre o empresário do atleta e João Paulo Sampaio, diretor da base do Palmeiras, uma imagem do registro do jogador no site da Federação Paulista de Futebol (FPF) de 2021 — quando ele ainda tinha dez anos e defendia o Timãozinho —, além de fotos do atleta ao lado de um observador técnico do rival durante uma competição.

De acordo com o documento, o Corinthians sustenta que o jogador foi aprovado em um teste realizado no dia 19 de fevereiro de 2020 e se tornou federado em 13 de abril de 2021. Ainda sob os efeitos da pandemia de covid-19, a categoria retornou aos treinos em agosto de 2021, mas Morelli só passou a frequentar as atividades em outubro daquele ano. Mesmo assim, jogou e permaneceu treinando no clube até o fim de 2021.

Em dezembro daquele ano, o jogador tirou, ao lado da família, uma foto com um observador técnico do Palmeiras identificado como Dunda. Segundo o Corinthians, durante essa competição, Morelli foi avaliado pelo clube rival e aprovado para integrar suas categorias de base, em um movimento que, de acordo com a denúncia, viola o código de ética do MCFFB.

Ainda no documento, o Corinthians afirma que o atleta foi dispensado da base alvinegra no início de 2022 de maneira considerada “muito estranha” pelo então gerente-geral da base, André Figueiredo, contratado durante a gestão do presidente Duilio Monteiro Alves.

Durante o primeiro ano no Palmeiras, em 2022, segundo o relatório apresentado pelo Corinthians, o atleta teria ficado “escondido” pelo rival, disputando apenas a Paulista Cup e jogos de menor expressão, justamente para não levantar suspeitas. Já em fevereiro de 2023, o jovem recebeu um registro de iniciação esportiva e, posteriormente, concluiu seu registro como atleta federado.

O documento ainda reforça que, mesmo diante desse cenário, o caso não foi levado ao Movimento dos Clubes Formadores pelo Timão.

O “Caso Morelli”

Morelli comemora seu gol contra o Red Bill Bragantino pelo Paulista Sub-15

Morelli comemora seu gol contra o Red Bull Bragantino pelo Paulista Sub-15

Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

Depois de deixar o Corinthians, Pedro Morelli permaneceu no Palmeiras até o dia 31 de dezembro de 2024. Segundo a defesa do Timão, ao longo de todo o ano de 2024, o representante do jogador tentou, por diversas vezes, entrar em contato com João Paulo Sampaio, diretor das categorias de base do clube rival, para viabilizar a assinatura de um contrato de formação.

De acordo com as capturas de tela anexadas ao processo, em diversas ocasiões entre abril e julho de 2024, o dirigente da Barra Funda desmarcou reuniões previamente solicitadas pelo agente do atleta. O ponto final veio em uma das últimas tentativas, quando João Paulo respondeu que marcaria o encontro “quando desse”. Diante da falta de retorno, no dia 19 de dezembro de 2024, o jogador, em conjunto com a família, decidiu deixar o Palmeiras ao fim da temporada.

Com base nesses argumentos, o Corinthians negou ter cometido qualquer irregularidade no caso envolvendo a contratação de Morelli e a consequente exclusão do Movimento dos Clubes Formadores do Futebol Brasileiro (MCFFB). Segundo o clube, o Palmeiras não demonstrou interesse na permanência do atleta e, após a comunicação oficial da saída em dezembro de 2024, os responsáveis pelo jogador procuraram o Timão no início de 2025.

Na versão apresentada, o clube do Parque São Jorge sustenta que não houve aliciamento e que o MCFFB tomou uma decisão precipitada ao não promover o diálogo previsto em seu próprio regimento. O Corinthians afirma que firmou vínculo com o atleta em janeiro de 2025 e que sempre atuou de forma ética. Por fim, contesta o pedido de exclusão de competições, acusa o Movimento de tentativa de boicote e admite recorrer à Justiça caso as punições sejam mantidas.

Em 2025, Pedro Morelli fez 25 partidas pela equipe Sub-15 do Corinthians no Campeonato Paulista da categoria, onde contribuiu com nove gols. O Timãozinho foi até as semifinais, mas acabou eliminado pelo Red Bull Bragantino.

Situação atual

Marcelo Paz (esquerda) e Erasmo Damiani (direita)

Marcelo Paz (esquerda) e Erasmo Damiani (direita)

Divulgação / Corinthians

Em entrevista exclusiva ao Meu Timão, o executivo de base do Corinthians, Erasmo Damiani, revelou que as negociações para o retorno do clube ao Movimento dos Clubes de Formação do Futebol Brasileiro (MCFFB) estão paralisadas por conta de uma decisão do Palmeiras . O dirigente contou que conversou recentemente com João Paulo Sampaio, diretor das categorias de base do rival, mas não houve acordo em relação à situação de Pedro Morelli. Agora, com a chegada de Marcelo Paz ao cargo de executivo de futebol do Timão, o clube aguarda a retomada das tratativas.

Além disso, o Palmeiras foi acusado nas últimas semanas de ter contratado três jogadores menores de 14 anos vindos da base do Corinthians. Com a repercussão do caso, João Paulo Sampaio concedeu entrevista ao ge.globo, na qual admitiu as contratações e afirmou que pretende buscar ainda mais atletas.

“Tirei três jogadores do Corinthians, vou tirar mais. Já fui bonzinho um ano, fui roubado e fiquei esperando resolver. Sou melhor inimigo do que amigo”, afirmou o dirigente.

Fora do MCFFB, o clube do Parque São Jorge não possui nenhum mecanismo interno para se resguardar desse tipo de abordagem e depende, basicamente, do poder de convencimento e do projeto apresentado às famílias dos atletas para mantê-los. Em meados de 2024, por exemplo, isso aconteceu com o jovem Flora, que agora tem 11 anos. Considerado uma das maiores promessas do futebol brasileiro, o garoto, que atua na base do Corinthians, foi procurado pelo Palmeiras, mas o clube conseguiu contornar a situação e mantê-lo .

No dia 31 de dezembro de 2025, inclusive, o próprio atleta fez um apelo nas redes sociais para que a situação envolvendo o MCFFB fosse resolvida e o Corinthians voltasse a disputar as principais competições de base nas categorias iniciais , o que ajudaria diretamente no desenvolvimento dos jovens jogadores.

Nesta quarta-feira, Augusto Oliveira, diretor da base do Botafogo, foi eleito pelos seus pares para presidir o Movimento dos Clubes Formadores em 2026.

Confira a conclusão apresentada pela defesa do Corinthians na íntegra

“Diante de todas as mensagens e prints, entendemos que o Palmeiras não teve interesse na continuidade do atleta, diante de inúmeras vezes que tentaram agendar e não tiveram êxito, porem cumpre a ressaltar que os responsáveis diante do atleta entendem que o Palmeiras não tinha interesse em mantê-lo no clube, após anunciar em 19 de Dezembro de 2024 que não ficaria mais no clube, no inicio de 2025, procurou o SCCP para verificar se tínhamos interesse no atleta, que como já mencionado anteriormente, já tinha jogado e treinado pelo SCCP.

Portanto, não há o que se falar em aliciamento ou como o próprio movimento diz em sua mensagem de exclusão do SCCP, “retirada do atleta, sem devolução,”…

Conforme preceitua o artigo 3 do regimento interno do movimento dos clubes formadores do futebol brasileiro, o MCFFB auxiliara no diálogo entre os clubes para a resolução em casos que envolvam atletas menores de 14 anos ou no primeiro ano do contrato de formação, e o que não aconteceu, pois o MCFFB não foi se certificar de todo o ocorrido e tomou decisão precipitada.

Em 23 de Janeiro de 2025, o SCCP, firmou vínculo com o atleta e o integrou ao grupo para que treinasse e participasse dos torneios pelo SCCP.

Então, o entendimento do SCCP e que sempre respeitou o MCFFB, e sempre atuou de maneira ética e responsável, e de forma nenhuma iria infringir o regimento estabelecido pelo MCFFB, logo ficamos surpresos com a decisão da exclusão, mas respeitamos, e viemos esclarecer a realidade dos fatos com provas e evidencias a quem possa interessar e principalmente aos organizadores de competições para terem a ciência do ocorrido.

Entendemos que a solicitação para a exclusão do SCCP de alguns torneios está sendo feita de forma parcial e sem fundamento pela diretoria do MCFFB, mas diante desses esclarecimentos, temos a plena convicção de que em nada o SCCP infringiu o regimento interno do MCFFB.

Por fim, o SCCP após análises internas de todos os fatos sobre esse atleta, entende que não cometeu em nenhum momento ato contra o regimento interno do MCFFB e requer que o MCFFB se abstenha de continuar tentando boicotar o SCCP nas competições e que se acaso assim não fizer, terá que tomar as medidas judiciais cabíveis”, escreveu.

Veja mais em: Base do Corinthians e Diretoria do Corinthians.

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