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Diretor da base do Corinthians detalha entraves com MCFFB e impacto no clube após 'caso Furquim'

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Por Meu Timão

Diretor da base do Corinthians detalha entraves com MCFFB e impacto após 'caso Furquim'

Diretor da base do Corinthians detalha entraves com MCFFB e impacto após 'caso Furquim'

Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

Desde 2025, o Corinthians, especialmente suas categorias mais jovens, vem sofrendo por causa da exclusão do Movimento dos Clubes Formadores do Futebol Brasileiro. Além de não poder disputar diversas competições organizadas pelas agremiações que integram esse movimento, o clube do Parque São Jorge vem precisando lidar com diversas saídas de atletas mirins, especialmente para o Palmeiras, equipe responsável por sua expulsão do grupo.

O diretor da base Carlos Roberto Auricchio, conhecido como Nenê do Posto, atualizou a situação e explicou que o problema foi herdado da gestão anterior. Segundo ele, ao assumir o departamento em junho, buscou diálogo com dirigentes palmeirenses, apoiado em uma relação antiga de respeito institucional. O dirigente relatou que chegou a combinar uma conversa com João Paulo Sampaio, diretor do rival, ainda no ano passado, mas que o avanço das tratativas acabou travado ao longo do processo.

"Assumimos a base nesta gestão em junho e nos deparamos com o problema desse movimento que ocorreu na diretoria anterior. Sempre tive uma relação muito boa com o João (Paulo Sampaio); fomos diretores na mesma época, entre 2017 e 2020, e sempre nos ajudamos. Quando assumi, ele foi um dos primeiros a me ligar para parabenizar. Na ocasião, ele estava viajando para o Mundial de Clubes e combinamos de conversar na volta", iniciou em entrevista ao Boletim Corinthiano.

Nenê explicou que a questão chegou ao presidente Osmar Stabile, que optou por tratar diretamente do tema com a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, acreditando que um acordo entre os dois clubes poderia destravar a situação. No entanto, a reunião demorou a acontecer e, quando ocorreu na sede da Federação Paulista de Futebol, não houve qualquer definição, já que o clube alviverde não apresentou uma resposta concreta.

"Relatei a situação ao presidente (Stabile), mas ele preferiu tratar o assunto diretamente com a Leila Pereira, acreditando que resolveriam entre presidentes. Acabei saindo do circuito, mas a reunião demorou a acontecer. Quando finalmente se reuniram na Federação Paulista, não houve um desfecho, pois o Palmeiras não se manifestou", disse.

O Corinthians foi expulso do MCF após um pedido do Palmeiras, que alegou aliciamento na contratação do atacante Pedro Morelli, de então 14 anos. Em dois momentos, o Timão chegou a oferecer a repartição dos direitos econômicos em 50% para cada lado, algo comum no mercado. A equipe da Barra Funda, porém, pediu o pagamento de R$ 1 milhão ou o retorno do jogador, segundo apurou a reportagem, para retirar a queixa.

Outro ponto sensível relatado pelo dirigente envolveu a situação de Morelli. De acordo com Nenê do Posto, o jogador e seus familiares foram claros ao afirmar que não desejavam voltar ao rival, citando problemas de relacionamento e insatisfação com empresários. A informação foi repassada à presidência, mas o tema voltou a esfriar com a chegada do executivo de base Erasmo Damiani e tentativas de mediação que não surtiram efeito.

"Seguindo orientações, conversei com o jogador e seus pais. Eles foram enfáticos: não querem voltar ao Palmeiras de jeito nenhum, alegando insatisfação e problemas com empresários. Repassei isso ao presidente, mas a situação estagnou novamente com a chegada do (Erasmo) Damiani, que tentou intermediar sem sucesso", comentou.

Após a disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o dirigente decidiu retomar o contato direto com o Palmeiras. Em nova conversa com João Paulo Sampaio, Nenê foi bem recebido, mas ouviu que não havia sido procurado pessoalmente até então. Os dois combinaram uma nova conversa para a próxima semana, após um período de licença do dirigente palmeirense. Para Nenê, o momento exige pragmatismo e humildade institucional, já que o Corinthians é o maior interessado em resolver o impasse e normalizar sua situação junto ao movimento.

"Agora, após a Copinha, resolvi retomar o contato direto. Liguei para o João Paulo, que me atendeu muito bem, mas ressaltou que, até então, eu não o havia procurado pessoalmente. Ele vai tirar alguns dias de licença em Salvador e combinamos de nos falar na próxima quarta-feira. Não cabe julgar quem tem razão, mas sim ser inteligente e humilde, pois o Corinthians é quem precisa resolver a situação. Acredito que dessa conversa sairá algo positivo para apresentar ao presidente", completou.

Enquanto isso, nas categorias inferiores, os efeitos da exclusão do MCFFB seguem sendo sentidos. Fora do grupo, o Corinthians encontra dificuldades para disputar torneios alternativos e participar de acordos informais entre clubes formadores. Na prática, o Timãozinho fica restrito às competições oficiais organizadas pela CBF e pela Federação Paulista, como os campeonatos Sub-15, Sub-17 e Sub-20, enfrentando um calendário mais enxuto e menos oportunidades de intercâmbio esportivo.

Caso Furquim

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Corinthians acionou o Bahia na CNRD por conta da conduta feita pelo clube nordestino na contratação de Kauê Furquim

Wanderson Oliveira / Meu Timão

Durante a entrevista, Nenê do Posto também abordou o chamado “caso Kauê Furquim”. Em agosto do ano passado, o então atleta de 16 anos deixou o Corinthians rumo ao Bahia, após o pagamento de uma multa rescisória de R$ 14 milhões. O clube alvinegro levou o caso à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) e cobra valores mais elevados do clube baiano e do Grupo City, controlador da SAF do Bahia, alegando aliciamento.

"O Corinthians acionou a Justiça contra o Bahia (por aliciamento). É muito fácil para um clube se encostar em uma empresa e usá-la para comprar jogadores; para esses grupos, como City ou Red Bull, a multa de duas mil vezes o salário é irrisória. Eu defendo que essa multa deveria ser muito maior para coibir esse tipo de prática", iniciou.

Segundo o dirigente, o episódio escancarou a fragilidade das multas previstas para atletas em formação diante do poder financeiro de grandes grupos internacionais. Nenê defendeu mudanças mais rígidas nas regras para coibir esse tipo de prática e relatou que representantes ligados ao Bahia teriam iniciado contatos com os familiares do jogador ainda dentro do Parque São Jorge, logo após uma partida em que Furquim se destacou.

"O caso do Furquim foi uma infelicidade e um oportunismo do Bahia. Durante um jogo no Parque São Jorge, representantes deles estavam na arquibancada, teoricamente para observar outro atleta, o Guilherme Amorim. O Amorim não foi bem naquele dia, mas o Furquim brilhou, fez um golaço e sofreu pênalti. Imediatamente após o jogo, fomos informados por familiares de outros atletas de que empresários ligados ao Bahia estavam aliciando os pais do Furquim ali mesmo na arquibancada", prosseguiu.

O dirigente afirmou que, à época, o Corinthians confiou na palavra dos empresários e da família do atleta, que prometeram avançar na assinatura do primeiro contrato profissional. No entanto, enquanto o clube aguardava uma reunião formal, o valor da multa foi depositado de forma inesperada, concretizando a saída do jogador. O episódio levou o Timão a romper relações com a agência responsável, passando a negociar diretamente com as famílias dos atletas que ainda permanecem vinculados ao clube.

"Questionamos os empresários do atleta, que gerenciavam outros sete jogadores no clube, e eles negaram tudo. Confiamos na palavra deles e dos pais, que prometeram uma reunião para assinar o contrato profissional assim que o sócio principal da empresa voltasse de uma viagem à Inglaterra. No entanto, fomos enganados. Enquanto nos ignoravam, esperavam o Grupo City repassar o valor ao Bahia. Em uma quinta-feira, os R$ 14 milhões da multa caíram na conta sem aviso prévio", relatou.

Como reflexo direto do caso, o Corinthians revisou sua política de proteção contratual na base. O clube acelerou renovações e elevou multas rescisórias de diversos jovens considerados promissores, como Gui Amorim, Dieguinho, André Luiz, Gui Negão e Iago Machado, buscando reduzir o risco de perdas semelhantes no futuro, especialmente enquanto segue fora do MCFFB.

"Esse episódio inflacionou toda a nossa base. Como resposta, proibimos os empresários dessa agência (Pro Manager Sports & Marketing) de pisarem no clube, embora ainda tenhamos atletas deles sob contrato. Negociamos diretamente com as famílias desses jogadores e, desde então, não tivemos mais problemas, exceto nos casos de atletas muito jovens, de 11 ou 12 anos, que ficam vulneráveis por estarmos fora do Movimento (de Clubes Formadores)", completou.

Alojamento da base

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O Corinthians segue em busca de parceiros para viabilizar o alojamento no CT da base

Reprodução / Corinthians TV

Outro tema tratado foi o encerramento da “Casa do Atleta”, alojamento que abrigava jogadores vindos de fora do estado de São Paulo. A medida, anunciada no fim de 2025, faz parte de um plano de reestruturação que prevê economia anual de cerca de R$ 1,8 milhão. Segundo Nenê, o clube já trabalha na construção de um novo complexo no CT, começando por um restaurante e, posteriormente, um hotel destinado aos atletas da base.

"Estamos acabando com o alojamento e iniciaremos a construção do nosso restaurante. Para concluir essa transição, precisamos primeiro garantir a alimentação dos garotos no local. Já temos a maquete do hotel que será construído no nosso CT; as obras começarão pelo restaurante e, em seguida, iniciaremos os dois blocos do hotel, que contarão com cerca de 60 apartamentos", começou.

De acordo com o dirigente, há negociações em andamento com possíveis parceiros para viabilizar o projeto por meio de patrocínio, com expectativa de que as obras avancem ainda este ano. Enquanto a estrutura definitiva não fica pronta, o Corinthians planeja oferecer auxílio financeiro para que os jovens atletas possam morar próximos ao clube, garantindo condições adequadas de permanência.

"Já existe uma negociação em andamento com uma empresa interessada no patrocínio, e a expectativa é que o hotel saia ainda este ano. Enquanto as obras não são concluídas, ofereceremos uma ajuda de custo para que os meninos que hoje estão alojados possam alugar apartamentos próximos ao clube. Como isso envolve questões financeiras e de marketing, o presidente está à frente das negociações, e acredito que o cronograma será cumprido", complementou.

Por fim, Nenê do Posto ressaltou a preocupação em não comprometer o selo de clube formador, que exige a oferta de alojamento aos atletas. Segundo ele, a transição será feita de forma planejada, sem que os jogadores fiquem desassistidos, e acompanhada de perto pela presidência e pelo departamento de marketing, para assegurar que o Corinthians mantenha suas certificações e continue formando talentos em alto nível.

"Tenho batido nessa tecla há muito tempo e continuo fazendo isso. É claro que tudo precisa ser bem planejado e acoplado: assim que saírem do alojamento atual, já devem ter a estrutura do hotel disponível. Não vamos simplesmente acabar com o alojamento e deixá-los sem lugar para ficar. Estou repassando o que o setor de marketing e a presidência me informam sobre o andamento do projeto", finalizou.

Veja mais em: Base do Corinthians e Diretoria do Corinthians.

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    @luiz.fernando.balest em

    Precisamos perder para para entender que a base deve ser melhor administrada e levada a sério com profissionalismo

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    Marcelo 14150 comentários

    @marcelo-araujo6 em

    Vocês são tão bons no que fazem que só tomaram balão, até nisso os dirigentes são fracos, perdeu o melhor jogador para o Bahia e depois viram a falha aí renovaram com os demais aumentando o valor das multas porém fizeram isso somente com os pregos que ninguém foram atrás deles, muito espertos vocês...

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    14º. @heliodesantos em

    Senta e resolve

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    13º. @zemetek em

    Já denunciaram o "diretor" das peppas, que coincidentemente também é o Presidente desse tal MCF, pelo aliciamento do Flora desde 2023 e pelos 3 MLKs que tirou do Corinthians na MÃO GRANDE há uns 15 dias!?

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    12º. @renannp9.1990 em

    Os cara tem que entender que a base do Corinthians, é um pilar importante para desenvolver e revelar jogadores não pode deixar isso ficar fraco e nem na mão de pessoas que não são competentes

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    Rubens 636 comentários

    11º. @perdigordo em

    Amadores de tudo. Não conseguem resolver 1 único problema do clube, em setor algum...

    Marketing não arranja patrocínio, 15 anos que escutamos esse papo de hotel pra base e parceiro engatilhado, não resolvem o b.o. Do estádio com a caixa, 1ano pra resolver essa questão da base e ainda perdem vários atletas pros porcos sem fazer nada

    Bandidos inuteis de me.r.da

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    Paulo 5719 comentários

    10º. @paulo.rogerio.dos.s2 em

    Uma palavra que resumi toda essa e outras histórias envolvendo a base corintiana...

    Amadorismo puro!