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'Ele mentiu'

Presidente do Conselho do Corinthians se defende de acusações de Stabile em votação do Estatuto

Por Matheus Fiuza, Daniel Keppler e Fábio Marinho

Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, detalhou o polêmico encerramento da votação do anteprojeto da reforma do Estatuto . O mandatário explicou a troca de acusações com o presidente Osmar Stabile, cuja discussão desencadeou o fim do encontro no Parque São Jorge.

"A gente lamenta profundamente a atitude do presidente, até porque, se fossem verdade as coisas que ele falou, ele teria vários meios, mecanismos e muita antecedência para tomar uma atitude dentro do ritmo estatutário e dentro dos órgãos competentes, ou seja, ele poderia ter relatado isso, mandar para a Comissão de Ética muito antes da reunião. Não precisava esperar a reunião para favorecer ou participar da narrativa de alguns conselheiros que queriam, de qualquer forma, tumultuar a reunião e não votar a reforma estatutária. O presidente fez acusações graves, eu espero que ele represente na Comissão de Ética do Conselho Deliberativo para que eu possa responder e provar que ele mentiu", disse em entrevista à imprensa no Parque São Jorge.

Como trouxe o Meu Timão, logo no início da sessão, Stabile foi ao púlpito e alegou que Tuma tem interferido na gestão da diretoria, além de comentar que Tuma teria dito a ele, na última sexta-feira: "ou você faz o que eu quero ou eu vou te f**er'. Em meio ao clima quente entre os conselheiros no local, o presidente do Conselho invocou o artigo 45 do atual Estatuto, que encaminha a alteração estatutária diretamente à Assembleia Geral.

"O Estatuto prevê no seu artigo 45, inciso 2, letra A. A deliberação final da reforma de Estatuto é do associado na Assembleia Geral. O Conselho precisa reconhecer a necessidade de que algumas pessoas não querem votar, não querem mudança, governança. Não querem botar o Corinthians no lugar que ele merece. O associado vai votar efetivamente pela reforma, quais artigos eles querem aprovar ou não. Tudo isso só serviu para manchar, macular a imagem institucional do Corinthians, principalmente quando parte daquele que é o maior mandatário do clube, que é o presidente do clube. Foi surpreendente o que ele fez", complementou.

De acordo com Romeu Tuma Júnior, que também emitiu nota oficial a respeito das acusações, alguns conselheiros não queriam votar o anteprojeto que poderia determinar o direito ao voto do Fiel Torcedor e a possibilidade de transformação do Corinthians em SAF (Sociedade Anônima do Futebol).

"O Conselho não queria votar. Se o Conselho não quer votar, a Assembleia Geral que decida. Em última instância, como prevê o nosso regimento. O Conselho em tese, ele (Conselho) só precisa admitir a necessidade da reforma. Ele não precisa necessariamente votar a reforma. Quem delibera a reforma pelo texto estatutário é a Assembleia Geral. O Conselho está perdendo uma oportunidade de querer mudar."

"Quando o Conselho fala: 'não quero saber disso aí…' Vocês não querem discutir? Então vamos ficar aqui batendo boca, fazendo acusação, xingamento, ameaça, constrangimento, um monte de gente me ameaçando, ameaçando os outros, bate-boca", finalizou.

Antes desta segunda-feira, a expectativa era de que a Assembleia Geral dos associados se reunisse em abril. Ainda não há uma data confirmada para o pleito no Parque São Jorge.

Contexto da votação

Inicialmente, a votação no CD estava prevista para 24 de outubro de 2025. No entanto, diante de relatos de conselheiros que afirmaram não terem tido acesso prévio aos documentos e pouco domínio sobre o conteúdo, Romeu Tuma Júnior decidiu adiar o processo. Foram, então, agendadas 11 reuniões, entre o fim de 2025 e o início de 2026, cada uma dedicada a temas específicos do Estatuto.

O Estatuto do Corinthians foi elaborado em 2008 e passou por alterações pontuais desde então, a mais recente em 2017. Nos últimos anos, o debate por modernização se intensificou, especialmente após a entrada em vigor da Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), que reforça princípios de governança, transparência, responsabilidade e proteção a atletas.

Ao longo dos últimos meses, o Meu Timão esteve nas 11 audiências públicas que trataram sobre diversos temas para reforma do Estatuto, casos do direito ao voto ao Fiel Torcedor, possibilidade de SAF, sistemas de eleições e práticas de governança .

O Conselho de Orientação (Cori) do Corinthians já havia rejeitado a íntegra do anteprojeto, sugerindo que fossem votados apenas alguns temas . Segundo Romeu Tuma Júnior, a votação no Conselho Deliberativo seria aberta, em que os conselheiros contrários a determinada proposta deveriam se identificar .

Confira a nota de Romeu Tuma Júnior

Hoje era um dia de votação muito importante da Reforma Estatutária, que ia discutir temas fundamentais para a governança do Corinthians e demandas da torcida Corinthiana, que é nosso maior patrimônio.

Já sabia que haveria uma estratégia para tentar obstruir a votação. Estava preparado para todo tipo de obstrução, só não passava pela minha cabeça que o presidente da Diretoria daria algum tipo de colaboração para travar a reforma.

O presidente Osmar Stabile fez uma acusação grave contra mim, que poderia ter sido feita a qualquer momento, especialmente antes de hoje, na Comissão de Ética. Com isso, participou ativamente da obstrução da Reforma Estatutária, algo que só machuca a alma dos torcedores corinthianos que esperavam que, hoje, fosse dado mais um passo nas mudanças necessárias para o clube

Lamento muito, porque se a reforma fosse votada hoje, até mesmo esse tipo de acusação teria um andamento muito mais célere e eficaz.

Darei andamento a qualquer representação que chegar, inclusive a de Osmar contra mim, caso chegue pelo caminho correto dos ritos, com provas e espaço para todas as etapas previstas no nosso Estatuto.

Mas o que importa mesmo agora é, em nome de todo trabalho que foi feito por essa reforma, de toda a participação da torcida, sócios, conselheiros, coletivos, é dar o andamento estatutário previsto, que é o encaminhamento para votação em Assembleia Geral de sócios.

Mas não vou me furtar de cobrar do presidente todas as informações que forem necessárias e adotar as medidas judiciais cabíveis face a suas falas desprovidas de verdade e de provas, como também contra aqueles que atacaram minha honra covardemente.

Veja mais em: Estatuto do Corinthians, Conselho do Corinthians e Osmar Stabile.

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