Osmar Stabile caminhando no CT do Corinthians durante treino

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Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

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Primeiro passo

Corinthians prepara pagamento inicial de dívida milionária após aprovação do RCE

Por Felipe Sales e Rodrigo Vessoni

No final de janeiro, a Justiça de São Paulo se manifestou favoravelmente à aprovação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre a nova proposta apresentada pelo Corinthians no Regime Centralizado de Execuções (RCE) . Desta forma, a partir do mês de março de 2026, o clube do Parque São Jorge começará a realizar o pagamento de uma dívida inicial de R$ 190 milhões em processos cíveis.

Segundo apuração do Meu Timão, a diretoria alvinegra já se prepara para efetivar a quitação da primeira parcela a partir das receitas arrecadadas pelo clube no mês de fevereiro. No primeiro ano, 4% das receitas totais serão destinadas ao cumprimento do plano de pagamentos, percentual que subirá para 5% no segundo ano e 6% a partir do terceiro. Esse valor será retirado da receita recorrente do clube, como direitos de transmissão, patrocínios, arrecadação comercial, marketing, entre outros.

Com base no último balancete divulgado pelo Corinthians, referente a novembro de 2025, a arrecadação de receitas do clube no ano até aquele momento era de R$ 629,457 milhões. Considerando esse montante, a média mensal de faturamento gira em torno de R$ 57 milhões. Assim, a parcela destinada ao RCE, que no primeiro ano corresponde ao mínimo de 4% das receitas recorrentes, ficaria estimada em cerca de R$ 2,3 milhões por mês.

A Laspro, administradora judicial do regime, ficará responsável por apresentar mensalmente o cálculo com base no faturamento do clube. A partir desse valor, caberá à Justiça definir o montante a ser destinado ao pagamento dos credores.

De acordo com o documento ao qual o Meu Timão teve acesso, o Corinthians se compromete a pagar 60% da dívida nos primeiros seis anos e os 40% restantes nos quatro anos subsequentes. A Justiça concordou com esse planejamento e com o argumento apresentado pelo clube de que, quando a legislação cita o comprometimento de 20% do faturamento com o pagamento de dívidas, também se refere a compromissos que não estão listados no RCE, como a CNRD, tributos e valores devidos à Caixa Econômica Federal em decorrência do financiamento da Neo Química Arena.

O Corinthians recorreu ao Regime Centralizado de Execuções em dezembro de 2024, apresentando a primeira versão do plano de pagamentos em fevereiro de 2025. Na ocasião, foram listados R$ 367 milhões em dívidas já executadas ou passíveis de execução contra o clube. Atualmente, cerca de R$ 190 milhões estão sendo considerados para pagamento desde o início do cumprimento do plano.

Como parte das exigências da Justiça para analisar a viabilidade do cumprimento do RCE, o clube do Parque São Jorge também informou a existência de mais R$ 510 milhões em ações classificadas como de “perda provável” em processos cíveis que ainda tramitam nos tribunais e podem ser executadas a qualquer momento, o que elevaria o total para mais de R$ 700 milhões. É importante ressaltar que se trata de uma estimativa, podendo ou não se concretizar.

O plano de pagamento do Corinthians também estabelece critérios de prioridade entre os credores e prevê mecanismos para acelerar a quitação das dívidas. Entre eles estão a classificação de credores preferenciais e a possibilidade de realização de leilões reversos.

De acordo com o plano, parte dos valores destinados mensalmente ao pagamento das dívidas será distribuída com prioridade para pessoas idosas, portadores de doenças graves, gestantes, vítimas de acidente de trabalho relacionado ao clube e credores com créditos salariais inferiores a 60 salários mínimos. Também podem receber prioridade aqueles que aceitarem reduzir o valor da dívida em pelo menos 30%. Nesse modelo, 30% do montante reservado ao RCE é direcionado aos chamados credores preferenciais, enquanto os outros 70% são divididos entre os demais credores.

Além disso, o plano prevê a utilização de leilões reversos como instrumento para acelerar o pagamento de parte dos débitos. Nesse mecanismo, credores interessados podem oferecer descontos sobre o valor atualizado de suas dívidas para receber antes. O pagamento é priorizado para quem apresentar o maior desconto, desde que a redução mínima seja de 30% do valor do crédito. Sendo assim, o clube planeja usar a receita em eventuais negociações de jogadores para diminuir o valor total das dívidas.

Entre os credores do RCE estão empresas, fornecedores, agentes de jogadores, prestadores de serviço e outras partes que possuem dívidas cíveis reconhecidas contra o Corinthians, e que passam a receber dentro de um sistema centralizado de pagamentos definido pela Justiça.

Veja mais em: Dívida do Corinthians e Diretoria do Corinthians.

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