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Empresário detalha motivo que o levou a acionar o Corinthians na Justiça e critica Augusto Melo

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Por Meu Timão

Carlos Leite e Cássio, respectivamente

Carlos Leite e Cássio, respectivamente

Reprodução/Instagram

O Corinthians vive uma grave crise financeira, com a dívida total que se aproxima dos R$ 3 bilhões. Entre os credores do clube está o empresário Carlos Leite, agente de ex-jogadores do Timão como Cássio, Fagner, Ramon Motta, Elias, Renato Augusto, Gil, Mateus Vital, Fellipe Bastos e Matheus Matias.

Segundo o empresário, as pendências financeiras relacionadas às suas comissões se transformaram em uma verdadeira bola de neve ao longo dos anos, em razão de sucessivas negociações realizadas pelo Corinthians sem a quitação das anteriores.

“Dinheiro meu emprestado não. A dívida é como comissão. O Corinthians deve de muitos e muitos anos, o que as pessoas também não entendem. Então assim a gente acaba tendo uma exposição. Ah, “o Corinthians deve não sei quantos milhões ao Carlos Leite” ou deve não sei quantos ao agente X, Y, Z. Deve porque não paga, porque fez vários negócios. A gente muitas das vezes está privilegiando o clube onde você tem mais relação e você acaba não recebendo. Então aquilo vai virando uma bola de neve. Então o cara não pagou a primeira. Daqui a pouco o cara fez uma outra negociação, não pagou, fez a terceira, fez a quinta, fez a sexta e tá lá. Em algum momento vai estourar. E é o que aconteceu com alguns clubes, como foi o Vasco, o Corinthians, enfim, como hoje é o Atlético-MG”, iniciou em entrevista ao Abre Aspas, do ge.globo.

Atualmente, o Timão não possui nenhum jogador agenciado por Leite em seu elenco profissional. Ainda assim, o clube do Parque São Jorge reconheceu no plano do Regime Centralizado de Execuções (RCE) uma dívida estimada em R$ 70 milhões com empresas ligadas ao empresário. Com juros e contestações apresentadas pelo agente, o valor atualmente discutido no processo já se aproxima dos R$ 80 milhões.

Carlos Leite ainda relembrou as dificuldades que teve para negociar com Augusto Melo após a posse do ex-presidente em 2024. O empresário destacou que sempre manteve boa relação com gestões anteriores, como as de Andrés Sanchez, Roberto de Andrade e Duilio Monteiro Alves, que, apesar das dificuldades financeiras, reconheciam as dívidas e buscavam soluções.

“Sim, claro, porque a relação que eu tinha com o clube era uma relação... Como é que eu vou explicar, de confiança. E eu só fiz o que eu fiz com o Corinthians (entrar na Justiça), que muitas pessoas não sabem, porque o presidente que entrou (Augusto Melo, que sofreu impeachment) não foi correto comigo. Nas outras gestões, a falta de pagamento não era o correto, não paga por N motivos, mas reconhece a dívida que tem”, comentou.

Em 2024, Leite acionou o Corinthians na Justiça cobrando mais de R$ 16 milhões em comissões, intermediações e direitos de imagem atrasados. O clube chegou a ser condenado no fim daquele ano e, posteriormente, ambas as partes iniciaram negociações para evitar bloqueios financeiros imediatos.

Segundo o empresário, o estopim para a abertura do está ligado a uma negociação envolvendo a Brax, empresa responsável pela comercialização das placas publicitárias da Neo Química Arena. Carlos Leite afirma ter intermediado um acordo para o Corinthians com a companhia, com aval da gestão de Duílio Monteiro Alves, prevendo o abatimento das dívidas do clube por meio de uma cessão de crédito. No entanto, a operação teria sido barrada após a posse de Augusto Melo.

“Eu negociei um contrato para o Corinthians com a Brax, de direitos das placas publicitárias. O Corinthians tem um valor para receber durante seis anos e eu negociei com o presidente o seguinte: 'Olha, estou te trazendo esse contrato ao qual eu fui contratado e eu gostaria que se esse contrato for finalizado que você me pague o que me deve em três anos. Você tem seis anos para receber. Você me paga em três. Eu fiquei sete ou oito anos sem receber, você me paga em três'”, explicou.

“O contrato entre a Brax e o Corinthians estava em análise ainda. Eu fiz questão que o meu advogado colocasse todas as negociações no mesmo contrato que foram feitas para que não tivesse nenhum tipo de dúvida. Então anexamos todos os contratos, o que não foi pago e assim foi feito. Só que vem uma eleição e ganha a oposição e a oposição procura a Brax e diz para a Brax não ser anuente naquele contrato, que se ela fosse anuente ia cancelar o contrato”, completou.

Depois da chegada de Melo, o clube do Parque São Jorge havia assinado originalmente um contrato de cinco anos com a Brax, em 17 de janeiro de 2024, no valor de R$ 240 milhões, referente aos direitos de publicidade da Casa do Povo. No entanto, como publicou o Meu Timão à época, o acordo foi renegociado e ampliado em 17 de maio do mesmo ano, passando a superar a marca de R$ 300 milhões e se equiparando aos valores recebidos pelo Flamengo. Nesta nova negociação, não houve participação de Carlos Leite.

Após o episódio, o agente afirmou que não teve outra alternativa a não ser acionar o Corinthians na Justiça para cobrar os valores pendentes. De acordo com Carlos Leite, a diferença em relação às gestões anteriores era justamente a possibilidade de negociação, já que, mesmo sem conseguir quitar integralmente as dívidas, os antigos mandatários mantinham diálogo e realizavam pagamentos parciais dos débitos.

“O que era feito ali: ia fazer uma cessão de crédito dos valores para pagar em três anos. O que me resta? O cara está entrando e na primeira atitude dele comigo, não me procura, não fala comigo, não teve nenhum tipo de conversa. Ele simplesmente procura essa empresa e fala para a empresa: “Cara, você não assina como anuente, porque se você assinar como anuente eu vou cancelar o contrato”. Não me restou outra alternativa. Eu tive que entrar com uma ação contra o Corinthians, coisa que eu segurei durante esses anos todo. “Ah, você não entrou contra o Andrés, contra o Duílio, contra o Roberto”. Realmente eu não entrei. Por quê? Porque a gente sempre estava tendo conversa, pagava uma parte, segurava e tal”, detalhou.

“Quando eu consigo achar um caminho onde eu trago uma receita nova para o clube, onde está tudo acordado, o presidente que está entrando faz uma ameaça para a empresa não anuir. O contrato pelo Corinthians foi assinado, o contrato por mim foi assinado. Faltava a anuência da empresa para poder fazer a cessão. Não tive alternativa. Eu tive que entrar na Justiça e cobrar”, finalizou.

Desde março de 2026, o Timão realiza mensalmente os pagamentos previstos pelo Regime Centralizado de Execuções, onde a dívida com Carlos Leite está incluída. No primeiro ano, o clube deve destinar ao menos 4% de suas receitas recorrentes ao programa. O plano estabelece critérios de prioridade para o pagamento dos credores e prevê mecanismos para acelerar a quitação das dívidas, incluindo a classificação de credores preferenciais e a realização de leilões reversos.

Veja mais em: Dívida do Corinthians, Augusto Melo e Presidentes do Corinthians.

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