Fábio Carvalho
Não, cara. Não é. E estatísticas são bacanas quando aparecem algumas afirmações como esta: 'Inúmeras perdas da posse de bola'
Eu busquei os números de perda de posse e Gabriel é pior que Ralf nesse sentido.
Sobre a bola alta de Manoel, isso era conceito de Carille. E vem desde 2017, quando tinha Jô, Rodriguinho e Romero. Carille sempre jogou com bola direta, e não foi diferente ano passado. Jogadinha manjada de futebol inglês dos anos 80. Bola direta no ponta mais afastado e aberto, ou bola alta no centroavante alto (por isso Gustagol jogando de titular num elenco que tem Love e Boselli), que dá uma casquinha (Gustagol tem até tatuagem disso) e o meia (geralmente um ponta-de-lança) pega a segunda bola já na intermediária defensiva do adversário e começa a jogada dali.
Com todo respeito, a analise feita pelo Corinthians Scouts é uma bobagem com grafismos. Nos próprios recortes Ralf aparece sem nenhuma marcação, nas costas dos adversários. Além de também ser possível ver a nossa linha de defesa inteira na saída. Saída de quatro (aquela maldita ferradura) é uma das aberrações de Carille. Não tem absolutamente nada a ver com Ralf.
'Assisti todos os jogos do Corinthians na atual temporada e posso te falar que o Corinthians teve substancial melhora quando Gabriel entrou no time no lugar de Ralf'
(E pra corintiano tem a opção de NÃO assistir todos os jogos do Corinthians? Rsrsrs)
Cara, recupere o histórico aqui mesmo no site e o que você vai notar é que é verdadeira a sua sensação, mas ela se dá muito mais pelo adversário mais fraco do que porque Gabriel acrescentou alguma coisa. Eu assisti os jogos deste ano atento especialmente a Gabriel, pois nunca entendi o porquê de todo mundo falar tão bem dele. Ele corre errado, dá bote errado, faz muita falta, faz falta em lugar perigoso, toma muito cartão, se enerva fácil, é pequeno e nunca mais chutou no gol como fazia nos tempos de Botafogo, peppas e comecinho de 2017.
Ele é mais rápido e muito raçudo. Não é um Xavi mas também não é um Moisés no que diz respeito a passe. Vez ou outra cria uns espaços. Mas é longe do que a galera memoriza (aí sim de maneira totalmente passional)
Ralf sofre com estas estigmas que viram truísmos, todas criadas pela imprensa, muito afeita a colocar apelidinhos pejorativos nos jogadores. Há uma lista gigante deles... Gilmar Fubá, Romero, Mirandinha, Cafú, Índio (sim. Quanto mais nome lembro mais eu noto que há uma maioria negra e indígena na parada... Não deve ser à toa...)
Não vi onde usei falácia pra distorcer seu argumento, cara. É uma questão de conceito. Colocar no banco um dos três melhores goleiros do país só porque ele não sabe jogar bem com os pés não faz mesmo sentido algum pra mim. Você tem mais dez jogadores à frente dele com esta obrigação. Esse lance de goleiro-linha não é novo (e por isso citei Ronaldo. E sim, justamente pra deixar claro que não há nada novo no futebol dito moderno (te passo um link depois) e que as coisas são cíclicas), e ganhou força depois de uma ou duas grandes temporadas de Neuer. Não vejo no que isso fez diferença real nos outros times a ponto de fazer um grande goleiro ir para o banco, como disse antes.
A gente vai ter que torcer muito pra que Cantillo jogue muita bola. Se isso não acontecer, só com Gabriel ao lado dele, temo infelizmente ter razão a respeito da nossa frente de zaga.
(Eu vivi pra ver torcedor corintiano desdenhando Ralf por conta de Camacho e Richard... Meeeeeeu Deus... Rsrsrs)
Comento o vídeo do attletickow na sequencia. Tem vinte minutos. Então leva ais um tempinho.
em Bate-Papo da Torcida > O que os técnicos Guardiola e Tiago Nunes têm em comum?
Em citação ao post:
Você parece se apegar bastante aos números e desconsiderar outros fatores inerentes ao futebol. Esse não é o estilo de analise que eu faço.
Assisti todos os jogos do Corinthians na atual temporada e posso te falar que o Corinthians teve substancial melhora quando Gabriel entrou no time no lugar de Ralf. Apesar de mesmo assim ambos ainda estarem longe das características que Nunes procura para posição.
O nosso Pitbull na saída de bola inúmeras vezes durante a partida se escondia na primeira linha de marcação adversária, diminuindo assim as opções de passe do companheiro que está sem a bola. Em diversos momentos a responsabilidade da saída de bola que deveria ser dele era transferida pra Manoel, que por consequência optava pelo chutão devido a falta de qualidade. Os times adversários já sabendo das limitações de Ralf, Manoel e Avelar com a bola nos pés e na movimentação sem a bola o que faziam? Fechavam a única válvula de escape da equipe, marcando pressão em cima de Fagner e Pedrinho. Resultado de tudo isso? Inúmeras perdas da posse de bola ainda no campo de defesa e falta de criatividade no meio já que a bola nunca chegava limpa e sempre espirrada. Não que Gabriel ou Richard sejam um primor, porém oferecem um pouco mais de dinâmica na movimentação para serem encontrados como opção de passe. Veja abaixo um vídeo que o Corinthians Scouts fez e exemplifica bem o que eu estou dizendo.
Quer você goste quer não, Gabriel, Richard, Camacho e Cantillo são melhores que Ralf no quesito achar espaço através de movimentação e passar a bola entre linhas de marcação.
Quanto ao Athletico Paranaense, Nunes costumava recuar Lucho até a linha de zaga e posiciona-lo entre os zagueiros para fazer a função de libero e atuar desafogando o time nas saídas de bola.
Bruno Guimarães foi adiantado e tinha como principal função receber essa bola de Lucho e conduzi-la até o campo adversário. Quando sem a bola infiltrava no campo adversário se tornando um elemento surpresa para finalizar ou achar alguém em condições de finalização.
Aos 11 min desse vídeo é analisado o estilo de saída de bola que Nunes trabalha em suas equipes e como as jogadas são construídas desde os homens de defesa. É possível ver também que o bloco de meio campistas por vezes se posiciona de maneira muito avançada de forma que proporcione tabelas rápidas. Logo, é essencial que esses jogadores tenham intimidade com a bola quando estiverem com ela nos pés.
Camacho em sua passagem pelo Corinthians era um jogador que nem fedia e nem cheirava, longe de ser a draga que você se referiu. Apesar de eu concordar que estava distante de oferecer as demandas que a equipe necessitava naquela situação. Todavia é importante salientar que naquele cenário as caracteristicas dele não se encaixavam ao esquema tático de Carille, que presava por uma marcação mais baixa e homens com mais pegada de xerifão a frente da zaga pra fortalecer o sistema defensivo, dar cobertura aos laterais que apoiavam bastante e matar contra-ataques adversários. Mas a realidade agora é outra!
A respeito de ele ser titular ou não no Athletico, aqui vai um link:
Obviamente ele não era intocável e em alguns momentos até mesmo foi reserva, porém era peça importante dentro de esquema de jogo do nosso novo treinador.
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Você menospreza o papel de uma boa saída de bola a partir do goleiro, dando a entender que eu disse que equipes de ponta europeias só foram campeãs devido a esse fator. Você utilizou-se da falacia do espantalho para distorcer totalmente meu argumento. Então vamos lá, serei claro talvez assim você entenda.
Aproveitando-me do exemplo que você trouxe, Salah, Mané e Firmino não deixaram de ter o protagonismo por conta da boa saída de bola do goleiro Alisson. Todavia é inegável que este aspecto ajudou bastante a equipe, fazendo assim parte de uma engrenagem maior. Esses não são fatores excludentes!
Eu sei muito bem que Ronaldo já sabia jogar bastante com os pés la nos anos 90. Como falei em uma resposta que te dei anteriormente, o futebol é cíclico. Muitos conceitos que eram utilizados nos anos 70,80,90 podem ser reaproveitados e aperfeiçoados agora. Não entendi muito bem pq você fez questão de trazer isso ao debate.
Ao que me parece sua análise sobre a importância de Ralf ao elenco parte mais de um fator passional do que racional. Sendo assim, não tenho mais o que contrapor a sua opinião.

