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Post de Estevão Vieira no fórum "Bate-Papo da Torcida" do Meu Timão

A única coisa que vi de melhora foi a posse de bola, em vez dos chutões pra frente contra o Fluminense no segundo tempo. De resto está a mesma coisa, o time não sabe atacar, teve a bola, mas não sabe criar jogadas e fica a mercê do Fagner que deixou de acertar cruzamentos pra gols faz meses.

em Bate-Papo da Torcida > Análise tática do jogo Corinthians vs América-MG - CURUIS!

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Poderar taticamente um jogo é algo que poucos fazem - ainda mais quando o seu time está perto da zona de rebaixamento. Fui contra a contratação do Mano Menezes não porque ele fosse um técnico ruim, mas sim porque o estilo de jogo dele desmereceria os nossos jogadores mais ofensivos - e que já foram desmerecidos por Luxemburgo.

Mas quando vi a escalação proposta por Mano, amenizei um pouco, mas ainda com dúvidas. Muitos acharam que Mano viria num 4-3-3, mas a proposta real era um 4-1-4-1 com Pedro jogando mais de meia ao invés de ponta, algo que eu particularmente não gosto, porém ele tem correspondido a função quando acionado e talvez se firme nessa posição, desde que amparado pelos meias centrais e Mateus Bidu.

Inclusive dessa vez eu acreditava que era necessário atacar pelos lados - coisa que o Corinthians faz frequentemente e eu detesto -, mas sem ser muito extremo, porém isso só daria certo se não supervalorizarem o Fagner. Digo isso porque historicamente o Corinthians sempre foi segregacionista para com os jovens durante os jogos, e isso é conhecido por todo mundo, sendo motivo de fortes críticas por isso. Já me cansei de mostrar análises cujos jogadores da base ou menos famosos eram desprestigiados pelo coletivo em favor dos medalhões. E, na nossa situação, segregacionismo é algo que não deve existir. Porém o segregacionismo foi o que infelizmente aconteceu.

Com olhos analíticos, vamos analisar essa partida, observando os dados.

PRIMEIRO TEMPO

Os primeiros minutos foram de um Corinthians extremamente agressivo, porém com algumas chances de contra-ataque. Mas o que me surpreendeu é ver o Corinthians assumindo às vezes um 3-4-3 em ataque adiantando um dos laterais, tornando o time mais ofensivo. Mas o América punha seus jogadores no ataque durante o tiro de meta para impedir de começar a partir da defesa, oferecendo alguns riscos.

Mas uma coisa que me incomodou, e que eu já esperava, é darem prioridade ofensivamente mais ao Fagner do que ao Ruan. Isso tornou o Corinthians mais previsível, e era isso o que minava alguns ataque pelo lado direito. Tanto que aos 24 do primeiro tempo, a melhor jogada veio justamente de Ruan, que trabalhou com Fagner e Renato Augusto. 10 minutos depois, ele tentaria um chute que acabou sendo defendido. Aos 36, ele cria uma jogada com Yuri, mas este falha no pivô para devolver pra ele e acaba passando para Fagner.

Agora, quando o ataque saía pelo lado esquerdo, era muito mais fluído - e isso porque não tem um lateral segregador como Fábio Santos e nem um meia badalado como William: Mateus Bidu e Pedro jogavam em sintonia sem segregarem - a não ser Renato Augusto que fazia questão de inverter para Fagner. Porém isso raramente acontecia.

Após tomar o gol do América, o Corinthians manteve a mesma pressão, porém continuando a fazer o possível em acionar Fagner. Neutralizando Fagner, qualquer pressão mínima no Renato Augusto e no Fausto Vera já resolvia os problema para o América.

Como podem ver no mapa de calor, o Corinthians realmente atacou mais pelos lados como previsto, mas acionando mais o lado direito devido ao Fagner, o que nos tornou muito previsíveis.

O quadro de interações comprova o que eu disse: de todos os jogadores, Fagner, Fausto Vera, os zagueiros e Renato Augusto foram os mais privilegiados com passes.

O mapa de passes mostra o quanto o Corinthians foi dominante, apesar das poucas finalizações, porém a previsibilidade foi o que marcou o primeiro tempo.

O mapa de perca de posse de bola escancara a previsibilidade. Pelo lado direito, Fagner perdeu 2 e Ruan perdeu 3. Daí se percebe o quanto a liderança tóxica impede um time de evoluir.

E o mapa de posicionamento médio mostra o quanto Gabriel Moscardo, por obrigação da liderança tóxica, se fixou junto a Fausto Vera para atender as exigências de Fagner, deixando expostos as laterais defensivas.

SEGUNDO TEMPO

O Mano, para obedecer a liderança tóxica, coloca Fábio Santos no lugar de Mateus Bidu e tira Ruan Oliveira, o melhor do primeiro tempo, para colocar Matias Rojas. Aos 6 minutos, o Fagner me faz o mico de tentar tirar da defesa com uma espécie de cavadinha forçada, porém acertando no Lucas Veríssimo e quase me fazendo uma lambança catastrófica.

Aí Mano colocou Giuliano no lugar de Gabriel Moscardo e Felipe Augusto no lugar de Pedro. A princípio, com essas mudanças, supus que o Coringa viria num 4-4-2 jogando mais centralizado. Ainda assim, tomamos muita pressão do adversário.

Mas o que vimos foi um América mais perigoso e incisivo no segundo tempo, com maior posse de bola e maiores finalizações. Mesmo com Wesley em campo, o Corinthians foi muito apático, previsível e burocrático. O único que buscava jogo era o Felipe Augusto: ele voltava para trás visando criar algo, mutas vezes como ponta, e tentava finalizar de tudo quanto era jeito, mesmo quando as bolas vinham horríveis. O Corinthians só foi pressionar nós minutos finais, para o desespero geral, até o gol milagroso do Giuliano.

CONCLUSÃO

Ruan Oliveira, junto com Felipe Augusto, foram os melhores do jogo. Ruan só errou quatro passes e foi o único que finalizou a gol no primeiro tempo - foram míseros 3 chutes no primeiro tempo. As melhores criações de jogadas foram dele.

Mano Menezes precisa urgentemente rever conceitos. Precisa rever quais jogadores merecem confiança, precisa rever suas táticas para valorizar os melhores jogadores ofensivos que temos e precisa ver com outros olhos nossos jogadores da base que não merecem serem chamados de inoperantes - e há provas mais do que suficientes para tanto, graças ao acervo de dados e mapas que mostra o jogo da forma como ocorreu, desmerecendo qualquer negacionismo existente. Liderança tóxica, segregacionismo e desonestidade coletiva nunca levou times a lugar nenhum.

VAI, CORINTHIANS!

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