Admilson Leite
Tem Que manter, o cara é a gente da torcida em campo, tem raça, faz gols. Romero até o fim
em Bate-Papo da Torcida > Vale a pena manter Romero?
Em resposta ao tópico:
Vale a pena manter Ángel Romero nesse processo de reformulação? Para responder essa pergunta é preciso analisar um contexto um tanto mais longo que o recorte dos últimos seis jogos do Corinthians. E lá vamos nós:
O atacante ganha R$ 350 mil por mês, supostamente. Disputou 42 jogos nesta temporada. Marcou 8 gols e deu duas assitências. O primeiro tento veio após 28 partidas no ano. Ficou de janeiro a setembro sem marcar. Passou batido no Paulistão, Libertadores e Sul-Americana (onde deu a primeira das duas assistências que contabilizou no ano). A média é de 0,19 gol por partida. Não há como fugir da realidade de que se trata de uma péssima relação custo/benefício.
Lançando mão de uma análise mais subjetiva temos um cenário no qual o clube passa por uma eleição e a chapa do presidente que o contratou é derrotada de forma acachapante. A reformulação total de elenco a curto prazo, com poucas permanências, é uma realidade. Naturalmente, para um jogador com a corda no pescoço e o contrato por um fio, há duas opções: desiste e deixa o barco à deriva ou se esforça para ganhar sobrevida. Pelo visto, se esteve com esse dilema, Romero escolheu a segunda opção. Cinco gols em seis jogos. Algo fora da curva para ele (na carreira inteira). Ótimo! Ainda assim, com os pés no chão, afirmo sem pestanejar que o custo-benefício não compensa. E isso é um fato, não um argumento.
A título de comparação rasa (e nada além disso), o América Mineiro foi rebaixado na laterna do Brasileirão pagando R$ 200 mil (há quem diga R$ 120 mil) a Gonzalo Mastriani por 21 gols nos mesmos 42 jogos disputados por Romero. O Coelho ainda tem Aloísio (35 anos) por R$ 250 mil/mês, dono de 12 gols e 4 assistências em 36 jogos. E ainda paga R$ 120 mil a Wellington Paulista para ter 7 gols e 3 assistências em 26 oportunidades que teve em campo. Este último, um veterano que aos 40 anos joga dentro de um planejamento para aguentar o tranco. Algo que o Corinthians ensaiou com Renato Augusto e 'esqueceu' de fazer com Fabio Santos. O trio mineiro tem números (e desempenhos) superiores ao do paraguaio, por um investimento mais baixo.
É bom ressaltar que esse exemplo poderia ser de qualquer outro time, como o Bahia de Everaldo, Biel, Vinícius Mingotti, Luciano Juba e Ademir (o menos goleador, porém o mais veloz entre eles). Um time que escapou do rebaixamento na última rodada, contando com cruzamento de resultados e ainda achou fôlego para dar 5 a 1 no Corinthians e 4 a 1 no Atlético Mineiro. Podem puxar os números desses atacantes que a máxima é a mesma: superiores a Romero. Ademir é o único com menos gols (7) em mais jogos, embora tenha mais assistências (4), atuando (melhor) na mesma posição do ponteiro corinthiano.
Dito isso, voltando ao Timão, manter um atacante como Ángel Romero para 2024 é uma decisão que passa ao largo da simpatia e do resultado de momento. Em uma reformulação à brasileira, talvez caiba. Para agradar a uma parcela da torcida, principalmente. A exata estratégia do presidente anterior ao trazê-lo de volta sem qualquer justificativa plausível, levando em consideração o desempenho dele nas últimas temporadas e a forma como saiu na primeira passagem. Falando em reformulação de forma séria, é preciso agradecer a ele pelos serviços prestados e desejar boa sorte no próximo clube. O Corinthians precisa progredir e para isso, é também preciso deixar o passado no passado.



