Valter Ekert
O poder é uma força paradoxal. Quanto mais um líder busca se perpetuar no comando, mais precisa negociar seus valores para se manter no topo. Essa dinâmica fica evidente na atual gestão de Augusto Melo no Corinthians. Quanto mais enfraquecido ele se sente na presidência, mais depende de alianças frágeis com conselheiros para sustentar sua posição — e, assim, mergulha ainda mais no abismo.
A falta de uma base sólida de apoio transforma o presidente em uma figura vulnerável, obrigando-o a se associar a figuras de caráter questionável. Essas parcerias, longe de fortalecê-lo, apenas aprofundam a crise de credibilidade e afastam o clube de seus verdadeiros ideais. O desespero por permanecer no poder o leva a abrir mão de princípios que, em outras circunstâncias, seriam inegociáveis.
O resultado é um ciclo vicioso: quanto mais Augusto Melo se agarra ao cargo, mais se isola da torcida e perde legitimidade. E, nesse processo, o Corinthians paga o preço — não apenas no campo, mas em sua identidade. O poder, quando exercido sem sustentação ética, não se mantém: ele corrói. E, no fim, quem sofre é o clube e sua paixão maior: a torcida.

