João Paulo
O que mais me impressiona e decepciona é a falta de vontade e de intensidade que o Corinthians demonstra há muito. Contra o Santos, jogando em casa, o tipo de partida que alivia se ganhar, afunda se perder, ou seja, sem folga, e o time num marasmo em campo. Toca para o lado, recua, para a frente, para o lado, recua, chutão. E se o adversário está com a bola, pode ficar com ela. Ninguém vai em cima. Jogo enjoado, lento, de um futebol desinteressado. Só sendo torcedor para assistir. Sim, jogadores isolados, que não pressionam, sem gana, com os mesmos erros defensivos e paupérrimos de criação. Não é o calendário. Todos os times estão jogando várias partidas, em campeonatos diferentes, mas alguns times permanecem intensos, não se permitem desculpas para jogar mal, não se fragilizam. Quantos do nosso elenco, contra o Santos, realmente se esforçaram e não jogaram tão mal? Dois? É difícil compreender como um time que está mal não busca uma grande guinada. E tudo isso com um estádio lotado. Não entendo como é que saem e entram novos presidentes, jogadores, técnicos, auxiliares e comissões, e o Corinthians permanece igualzinho ao Corinthians dos últimos 8 anos. Para esse time jogar futebol de verdade é preciso fazer o quê? Vejo times que foram campeões várias vezes nos últimos anos jogarem intensamente no ano seguinte. Se o Corinthians tivesse vencido um Brasileiro ou Libertadores recentemente, teria se dado 'folga' no ano seguinte. Seria ano de fazer só o médio, de jogo mole, de já ganhei no ano passado, de desmanche, de contratações ruins, de fazer o torcedor sofrer. Ganhou, tudo pode. Não. Não pode ser assim. Não foi para esse Corinthians que comecei a torcer há 38 anos. Nos primeiros 30 anos de torcedor eu vi o Corinthians jogar mal, mas quase sempre com muita vontade. Ficava triste com o resultado, não com o time. Mas esses últimos 8 anos são inéditos. É uma história diferente, apartada da que foi criada e tão admirada de 1910 a 2017. Onde está o Corinthians de verdade?
em Bate-Papo da Torcida > Venceu, mas temos que ser realistas
Em resposta ao tópico:
O time não foi bem diante do Santos.
Félix Torres, como lateral-direito, talvez tenha sido o grande ponto de destaque, onde teve ótimo desempenho defensivo. Já ofensivamente, não deu tanta profundidade, deixando o Carrillo sozinho. Mas compressível por ser um beque.
Ofensivamente a equipe não evolui. Jogadores estáticos, robóticos, travados. Não tem aproximação, troca de posição, movimentação para tabelas, triangulações, infiltrações. Todos esperando a bola no pé, distantes. Parece pebolim. Os laterais não sobem, não dão opção. Bastante dificuldade de criação, zero ideias e repertório.
Yuri totalmente isolado, atuando como centroavante fixo, que é uma posição que visivelmente fica desconfortável, algo dito pelo próprio.
Muitos cruzamentos, chuveirinhos.
Saída de bola segue muito ruim. Toca para lá, para cá, e não desenvolve. Uma posse improdutiva, lentíssima e sem verticalidade. Nenhum dinamismo.
Outro detalhe: o time não consegue fazer a marcação-pressão. Está com a bola, perde e não tenta recuperá-la de imediato, atacar, sufocar o adversário, simplesmente vai recuando, andando para trás.
As bolas áreas defensivas seguem um sofrimento.
As falhas individuais, idem. Muitas rebatidas mal executadas, erros claros de posicionamento, linhas espaçadas e sem compactação, jogadores longe uns dos outros, timing de bote equivocado e sem sincronismo, deixando lacunas e causando um efeito dominó na defesa, entrada da área cheia de buracos.
Não imprimem volume, não encurralam o oponente.
Condicionamento físico também deixando muito a desejar.
Dorival está começando seu trabalho e praticamente não possui tempo para treinar. Ainda não teve uma semana livre sequer. É jogo em cima de jogo, além dos desfalques do time.
Teremos mais algumas partidas até a parada para o Mundial de Clubes, onde aí sim ele ganhará semanas para realmente implementar suas ideias. Será quase uma pré-temporada.
Até lá, o importante é somar pontos no Brasileirão e buscar as classificações na Copa do Brasil e Sulamericana.
Mas até agora, pelo que vem sendo mostrado, Dorival vai ter pela frente uma tarefa árdua, pois a equipe vem mal em todos os setores, como coletivo e individualmente. Não temos padrão, sistema de jogo, espírito de luta, nada. Quase um catado, um bando solto e aleatório em campo.


