Gabriel Salvati
Há exatos 106 anos, cinco operários fundaram, sob a luz de um lampião, a razão da existência de 30 milhões de torcedores. Há 106 anos, era fundado o Sport Club Corinthians Paulista. Naquela noite, Miguel Bataglia profetizou:
“O Corinthians é o time do povo e é o povo quem vai fazer o time.”
E não é que ele estava certo?
Anos e décadas se passaram e, até hoje, é difícil expressar em palavras o que é ser Corinthians em sua mais pura e sublime essência. A máxima de que “quem não é Corinthians, não entende e nem entenderá o que é ser” é mais do que verdadeira.
Quem é Corinthians nunca foi e nunca irá ver o Timão ao vivo esperando facilidade e goleada, mas vai sabendo de que sofrerá até o apito final e que, para o triunfo alvinegro, é necessário cantar a plenos pulmões durante os 90 minutos, seja qual for o setor do estádio que você escolheu pra assistir a partida.
Quem é Corinthians se orgulha de cada dificuldade e superação da história do clube, desde a exclusão da elite Paulista, em 1915, passando pelos 22 anos sem erguer o caneco paulista, onde Basílio, de um modo sofrido, findou o jejum numa fria noite de quinta-feira, em 1977, pela espera do primeiro título Brasileiro até 1990, onde um time de “operários”, liderados por Neto, bateu na final um rival superior tecnicamente, sofrendo a dor da queda em 2007 aos gritos, misturados com as lágrimas, de “EU NUNCA VOU TE ABANDONAR, PORQUE EU TE AMO”, e pela “libertação” de 2012, onde em uma mística noite, Emerson “calou o Boca” e pôs fim aos 35 anos de jejum sem conquistar a Copa Libertadores.
Ser Corinthians é ser capaz de reverenciar e ser grato à ídolos que, tecnicamente, não encantaram, como Wladimir, Idário, Basílio, Neto, Tupãzinho, Biro-Biro, Zé Maria, entre outros. Mas também é reconhecer que grandes jogadores de calibre técnico tiveram suma importância na gloriosa história do clube, como Rivellino, Sócrates, Zenon, Marcelinho e Ronaldo Fenômeno.
Quem é Corinthians enfrenta, com um sorriso no rosto, frio, chuva, pobreza e dor, só pra ver o time ao vivo. É viajar milhares de quilômetros pra acompanhar e cantar pelo Corinthians, é deixar de comprar pão, pra conseguir o dinheiro do ingresso. É comprometer o orçamento do mês pra ter a emoção de assistir à um jogo no estádio.
Quem é Corinthians também reconhece a importância de um folclórico presidente, como Vicente Matheus e de grandes comandantes, como Oswaldo Brandão, comandante do clube nos emblemáticos Campeonatos Paulistas de 1954 e 1977, e Tite, líder durante a fase mais vitoriosa do clube.
Quem é Corinthians se vangloria por ter três casas (Parque São Jorge, Pacaembu e Arena Corinthians), um salão de festas histórico (Morumbi) e por ter invadido o Maracanã duas vezes, em 1976, na “Invasão Corinthiana” e em 2000, explanando o grito “Todo Poderoso Timão” pelo mundo, e também por invadir e provocar um terremoto alvinegro na terra do Sol Nascente, em 2012, levando, aproximadamente, 30 mil loucos até o outro lado do mundo, para a disputa da Copa do Mundo de Clubes da FIFA.
E, acima de tudo, quem é Corinthians leva consigo o lema:
“NÃO VIVEMOS DE TÍTULOS, VIVEMOS DE CORINTHIANS!”
Como dito no início, é impossível descrever ao certo o que é ser Corinthians, mas nada no mundo paga o amor e paixão que temos pelo clube.
Parabéns e obrigado por existir, Corinthians!
Gabriel Salvati
1º de setembro de 2016