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Post de Nelson no fórum "Bate-Papo da Torcida" do Meu Timão

Meu, eu também vivi a dificuldade que era para que o Corinthians se tornasse campeão, mas em compensação quando foi tirado o grito entalado na garganta, foi uma alegria que sinto até hoje, ser corintiano é muito diferente.

VAI CORINTHIANS!

em Bate-Papo da Torcida > O que ninguém se lembra sobre 77

Em resposta ao tópico:

Eu vivi 77 com intensidade. É um milagre o Corinthians ter sido campeão, acredite se quiser. O time quase foi eliminado antes da final. O campeonato teve três turnos, o terceiro e decisivo com apenas 8 times. O Botafogo, de Sócrates, venceu o 1º turno. Classificado automaticamente para o 3º. Timão venceu o 2º, também classificado.

As seis vagas restantes foram dadas aos seis que somaram mais pontos nos turnos anteriores. Os oito times divididos em dois grupos de quatro. Cada um jogaria contra os outros sete. A final seria uma melhor de 3 entre o campeão de cada grupo.

A Ponte Preta, um timaço do goleiro ao ponta esquerda, cresceu nesses sete jogos. Não só terminou o turno invicta, como também teve a maior pontuação de todos. Foi a representante do seu Grupo na final.

Apesar de soma dos pontos durante todo o campeonato ter feito menos que o Corinthians, nessa reta final o time engrenou e tinha o melhor futebol, sem dúvida. Jogava de forma moderna e tinha craques. Seu goleiro era Carlos, que disputou 3 Copas do Mundo. A dupla de zaga era Oscar (também 3 Copas) e Polozzi (Copa de 78). À frente deles, Vanderlei, um volante clássico, campeão brasileiro pelo Atlético-MG. E um tal Marco Aurélio, que ajudava muito e sabia fazer o jogo fluir.

Com tanta segurança na defesa, os dois laterais se mandavam. As defesas adversárias não estavam acostumadas com isso. Naquela época, lateral era apenas marcador de ponta. Pra complicar, o 10 deles era Dicá, que colocava a bola onde queria. E o 9, um tal de Rui Rei, centroavante arisco, rápido e inteligente, aproveitava bem os cruzamentos dos pontas Lúcio e Tuta (irmão do Zé Maria, nosso lateral).

Com um time arrumadinho, a Ponte venceu cinco e empatou dois jogos nessa fase. 12 pontos em 14 possíveis. Vitória valia só 2 pontos. Já o Corinthians, que por sorte caiu no outro grupo, sofreu nesse turno final. O início foi complicado. Estreia contra o Santos.

Começamos perdendo por 2 a 0. Empatamos ainda no primeiro tempo em duas entregadas absurdas da defesa sardinha. Final: 2 x 2.

Jogo seguinte, Ponte Preta no Morumbi. Perdemos. Com 23 anos de jejum nas costas, baixou o espírito do “esse ano já era”. Veio o terceiro jogo, contra o Palmeiras. A esperança voltou com uma vitória por 2 a 0. No quarto jogo, a casa caiu: perdemos para o Guarani por 1 a 0 no Pacaembu.

Resumo da ópera: apenas 3 pontos em 8 disputados. Nem o mais otimista acreditava.

Ainda mais porque o São Paulo liderava invicto nosso grupo, com 6 pontos. O sonho estava quase acabado.Faltavam apenas 3 jogos. Só tinha uma saída para chegar à final: torcer para o São Paulo não ganhar mais dois jogos.

E ainda vencer nossos três restantes: contra o poderoso Botafogo de Sócrates lá em Ribeirão Preto, contra a Portuguesa de Enéias, que não era bobinha, e contra o próprio São Paulo, campeão Brasileiro de 77, com Waldir Peres, Serginho Chulapa, Pedro Rocha, Chicão, Zé Sérgio e outros.

Ganhamos os dois primeiros e chegamos a 7 pontos. Para nossa felicidade, o São Paulo perdeu da Ponte.Mas ganhou do Guarani, chegou a 8 pontos e só precisava empatar com o Corinthians Morumbi para fazer a final.Mas o São Paulo de 1977 foi um presente em nossa vida. Sim, já era freguês.

Todos os cinco Majestosos do ano tiveram uma coincidência: o primeiro tempo terminou Timão 1 a 0 com gol do Geraldão. Isso é um fato: a história se repetiu 5 vezes no ano. Cinco raios no mesmo lugar.

No final desse jogo, a explosão: Corinthians 2 x 1 São Paulo, gols de Geraldão e Romeu. No gol de Serginho para o São Paulo, tenho certeza que a bola não entrou inteira. Mas não importa, Timão na final.

O maior craque do nosso time estava no banco - Oswaldo Brandão.No campo, craque mesmo era o Palhinha, nosso único jogador de seleção além do Zé Maria. Ele não está na foto do título porque se machucou no início do segundo jogo final. Na partida decisiva, jogou Luciano, um pernambucano que veio do Santa Cruz e por aqui ganhou o apelido de Coalhada por causa de um personagem de Chico Anísio. Outro titular que não está na foto é o Zé Eduardo. Foi suspenso por cartão amarelo.

Jogou Ademir, aquele mesmo que, em 1974, tentou evitar o gol do título palmeirense mas chegou atrasado na dividida. Já o Basílio, nosso herói, nosso pé-de-anjo, nunca foi um craque. Alto, elegante, de passadas largadas e bom passe, veio da Lusa em 1975 para substituir Rivellino.

Saiu um gênio, chegou um jogador de equipe, operário, que não decidia jogos. E que só virou titular nas partidas finais do turno decisivo. Comparado a hoje, acho o Basílio uma espécie de Cícero - aquele mesmo do São Paulo - porém com chute menos preciso.

O título deveria ter vindo no segundo jogo, quando fizemos 1 a 0, gol do Vaguinho em posição legalíssima. Os jogadores da Ponte quase agrediram o bandeirinha pedindo impedimento. Mas o juizão não teve coragem de expulsar Oscar e outros mais exaltados. Quem rever o lance vai dizer que o juiz afinou.

No final, a Ponte virou para desespero de 144 mil pessoas no Morumbi. O resto é a história sempre contada quando chega o 13 de outubro.

Gol do Pé-de-Anjo.

Gol da libertação, 35 anos antes da Libertadores.

Por sorte, quase não peguei a tal fila de 23 anos.

Eu era adolescente quando fomos campeões.

Meu sofrimento como torcedor de ouvir os jogos ou ir ao campo não chegou a 7 anos.

Nasci para comemorar títulos.

Que venha o próximo.

Vai Corinthians!

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