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Post de César no fórum "Bate-Papo da Torcida" do Meu Timão

Eu discordo na essência. O calendário é realmente um problema mas não pode ser o argumento final para o péssimo futebol por aqui praticado, especialmente no nosso Corinthians. A nossa realidade é que temos técnicos ruins, razão pela qual não há nenhum técnico brasileiro no principal mercado que é o europeu. Carille é, como todos os outros, ruim. Os grandes clubes brasileiros brigam para terem o ou os menos ruins. A postura do Corinthians, sobretudo quando consegue fazer um gol, como ocorreu contra o Vasco, em uma jogada individual, é absolutamente irritante. Eu você e todos os corinthianos já sabemos que ao fazermos um gol, todos os 11 jogadores recuam dando todo o campo para o adversário. Isso não é uma postura apenas defensiva, mas é sobretudo, burra. Carille tem, ainda, enorme dificuldade em montar o time atual. Antes ele tinha o Jô, o Rodriguinho, o Arana, como agora, o Cássio, que levaram o time nas costas. Estou chegando a conclusão que os jogadores e não o técnico, ganhou o brasileiro de 17. Carille, no máximo, não atrapalhou. Agora, com os jogadores que temos, ele não consegue montar. Não sabe lidar com o talento do Pedrinho. Não sabe o que fazer com o Vital. Para ele, ou joga um ou joga outro. Parece-me óbvio que, com o que temos, deveríamos jogar com Vital pela direita, Pedrinho pelo centro e Clayson pela esquerda, os três à frente de Ralf e Jr. Urso. Seria um time mais agudo unindo e aproximando esses três jogadores que são os mais talentosos do elenco. Mas ele prefere que os jogadores de lado cumpram função de marcadores de laterais. Ele é fraco. Temos que entender isso.

em Bate-Papo da Torcida > Entrevista do Carille na ESPN

Em resposta ao tópico:

Entre vários assuntos abordados por Carille na entrevista ao vivo à ESPN, destaco três: crítica do treinador ao desempenho da equipe no ano, calendário absurdo e possibilidade de testar o elenco em diversas posições.

Acredito que em termos de entrevista poucos treinadores no Brasil são tão claros como Carille, e tão autocríticos. Na entrevista de hoje não foi diferente. Trouxe um contraponto coerente a alguns temas reducionistas trazidos pela imprensa no geral, como a discussão da moda entre jogar bonito x jogar feio.

Acredito que exista no debate esportivo nacional uma superficialidade na forma como lidam com essa discussão. O reducionismo está em separar fulano e ciclano entre duas categorias que não contemplam as especificidades do futebol praticado no país. Carille trouxe um exemplo categórico em relação ao calendário: pegando o total de jogos feitos pelo Boselli na vida, dá uma média de 36 jogos por ano. O Corinthians em 4 meses já chegou em seu 30 jogo. Será mesmo que esse debate sobre o calendário não importa? Será mesmo que é possível discutir um futebol melhor praticado no país em um contexto de times que tem 2 semanas de pré-temporada? Acredito que não.

Isso posto, me incomodo muito quando vejo parte da torcida reverberando esse debate superficial na imprensa. Como se os jogos, agora falando especificamente do Corinthians, se reduzissem apenas a postura dos times. Quando fomos engolidos pelo Santos, não foi por uma postura covarde, foi por imposição tática e física. Total mérito do adversário. Da mesma forma que foi mérito nosso ter anulado eles no primeiro jogo. No primeiro jogo a única bola do Santos que acertou o gol do Corinthians foi a bola que o Cássio jogou na cabeça do Gonzáles. Fora isso não fizeram mais nada. Se limitaram a defender, e quando tinham a posse de bola não conseguiam infiltrar nas linhas de defesa do Corinthians. Mérito de cada time nos respectivos jogos que se impuseram sobre o adversário. Mérito, não postura.

De uma vez por todas precisamos entender que não é possível jogar um futebol de alto nível no país jogando todas as competições. O único time que não tem desculpas em jogar mal e não ter uma postura ofensiva é a porcada, que tem 3 elencos competitivos e teve tempo pra treinar no ano. O resto, principalmente o Corinthians, não tem condições de uma regularidade técnica porque simplesmente nosso calendário não permite que isso aconteça. O nosso calendário é particularmente absurdo com os times que não estão na Libertadores, como é o nosso caso. Em fevereiro, 'primeiro' mês de jogos oficiais, tivemos decisões á em três campeonatos. Com um elenco de 23 jogadores novos, muitos chegando durante as competições, sem qualquer possibilidade de ter um padrão tático porque não existiu tempo pra treinar. Dos times que iniciaram na Copa do Brasil somos o único no ano que está vivo em todas as competições e que chegou na final de um campeonato sendo campeão. Nenhum outro que esteve nesse contexto de calendário chegou em final. A maioria já tem uma eliminação na bagagem.

Portanto é preciso reconhecer que estar vivo em todas as competições, com um calendário como o nosso, e na especificidade que destaquei, cobra o ônus de uma maior lentidão na formação de um time com regularidade. Em 2017 fomos campeões brasileiros, entre outras coisas, por ter sido eliminado em duas competições antes de fases definitivas. Não tínhamos elenco pra aguentar Brasileiro, Copa do Brasil e Sulamericana. E também conseguimos chegar num padrão técnico mais rápido porque tivemos 1 mês de pré-temporada nesse ano tivemos 2 semanas...). Hoje temos elenco pra pelo menos jogar duas competições em paralelo, mas sem ter tempo pra treinar isso cobra o preço da regularidade. Se não tivéssemos ido pra final, teríamos 2 semanas de treino. Provavelmente estaríamos melhor hoje, mas quem não quer ser campeão? E abro um parênteses pra falar sobre os times que a imprensa tem colocado como os de futebol vistoso. O Santos já foi eliminado em uma competição e sofreu duas goleadas inaceitáveis pra um clube grande. O Fluminense não foi longe no Campeonato Carioca e perdeu clássicos importantes. O Grêmio tá indo pra última rodada da Libertadores jogando a vida (mas mesmo assim tá no grupo de times da Libertadores que tiveram mais tempo pra treinar, além de vir de uma continuidade rara de trabalho no Brasil, com o mesmo técnico em quase 3 anos). O fato é que se tivéssemos um melhor calendário esses times que jogam sim um futebol bonito de ver, também poderiam ter sido mais regulares.

Trago todo esse contexto pra dizer o quanto fico inconformado com as críticas excessivas que fazem ao trabalho do Carille. Como se o verdadeiro problema fosse esse. Como se ele não fosse autocrítico e realista com tudo que vem acontecendo (como demonstrou mais uma vez na entrevista de hoje). E como se esse contexto absurdo que rege o futebol brasileiro não existisse. Ao escolhermos o debate superficial que se limita em 'tá dando ruim troca o técnico', deixamos de cobrar o que realmente importa: que os dirigentes dos clubes se articulem na defesa de um calendário que permita aos times condições justas de trabalho. Carille tem sido a única voz que tem levantado essa discussão com a seriedade que precisa ser levantada. Se calarmos essa discussão como se não fosse necessária, só contribuímos com a falta de evolução no futebol. Ai realidades como a do jogaço de ontem em Liverpool vão nos ser distantes mesmo. Como torcedores, precisamos fomentar esse debate e contrapor a fragilidade da análise da imprensa.

Vai Corinthians!

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Réplicas desse post

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Lucas 275 posts

@lucas.goncalves456 em 09/05/2019 às 15:22

Eae César, beleza mano? Então cara discordo bastante desse papo de que quando ganha é o time e quando perde é o técnico. Se você levantasse essa discussão há 30 anos atrás acho que faria sentido porque os jogadores pra além das funções táticas tinham mais autonomia em construir posicionamento e discutir função. Temos na nossa história a Democracia Corinthiana por exemplo, que tinha essa autonomia. Mas hoje vivemos em um cenário de futebol em que os jogadores querem ser dirigidos e não ter participação efetiva nas discussões táticas. É impossível dizer hoje que um time que fica 19 jogos invictos em um campeonato nacional não tem méritos da comissão técnica. O trabalho do Carille foi bom em 2017 porque ele soube compreender uma identidade de jogo que acompanha o clube nessa época, no caso a defesa sólida, e implementar as próprias ideias, com troca de passes, ocupação de espaço e triangulações. No Brasileiro de 2017 fomos o time que mais trocou passes e o terceiro maior ataque (a diferença para o primeiro foi só de 10 gols). Isso tudo é treinado, mas em 2017 tivemos 1 mês de pré-temporada e uma vez que fomos eliminados em dois campeonatos, tivemos mais tempo pra treinar também e se preocupar só com o Brasileiro. Eu não estou dizendo que o Carille é inquestionável, eu concordo com você de que um meio com Pedrinho e o Vital e Clayson nos lados seria uma boa, mas isso tem que ser encarado como discordância de ideias com o técnico e não como veredicto de que o cara é ruim. Um técnico que em início de trabalho já é tricampeão paulista, campeão brasileiro e com mais de 70% de aproveitamento em clássico (ganhando 7 vezes do nosso maior rival) não tem como ser deslocado de mérito. Pode sim apresentar um futebol melhor nesse ano, mas pra isso precisa de tempo pra treinar, como teve em 2017, esse é meu ponto. Abraços!

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