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Esclarecimentos

Corinthians tenta ganhar R$ 400 milhões com a operação

Daniel Augusto Jr./ Agência Corinthians

Sobre os tais Naming Rights

Opinião de Marco Bello

visualizações 68K comentários 356 0

Pela primeira vez, escrevo neste espaço sobre um assunto polêmico, às vezes chato, mas muito importante para o futuro financeiro do clube.

Não escrevi antes porque não gosto de blá blá blá. E esta novela está cheia de blá blá blá.

Vamos aos fatos:

O Corinthians tenta vender os direitos do nome da Arena em Itaquera há mais de quatro anos, desde o início da construção do estádio.

Os valores pedidos pelo clube, de R$ 400 milhões por 20 anos, ajudariam muito no pagamento da obra. Na verdade, adiantariam este pagamento.

Quem controla a Arena?

Ao contrário do que muitos pensam, não é só o Corinthians. É um fundo administrado separadamente do clube e que conta com três sócios: Corinthians, Odebrecht (construtora responsável pela obra) e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que emprestou dinheiro para a obra).

A empresa que comprar os direitos do nome da Arena, não apenas emprestará sua marca, mas se tornará uma das sócias deste fundo. Com direito a lucro com venda de ingressos, camarotes no estádio, visitas programadas, ações de marketing, etc.

Não é como comprar uma placa de publicidade, como alguns imaginam. É se tornar parte do estádio.

Para que isso aconteça, a empresa precisa cumprir alguns compromissos, pois se tornará parte de uma parceria público-privada. O BNDES, por exemplo, exige que a empresa candidata tenha patrimônio comprovado no valor do dobro do patrocínio.

Se o valor é de R$ 400 milhões, o patrimônio da empresa, dentro do Brasil, tem que ser de R$800 milhões. Esta é uma garantia exigida pelo banco.

Outra exigência, que faz com que o processo se arraste: cada empresa candidata tem o tempo de três meses para apresentar e defender sua proposta. Cada novo candidato, então, demora três meses (!) para mostrar seu projeto para o fundo.

Vamos então aos interessados. Pouquíssimas empresas no Brasil tem o patrimônio exigido pelo banco público. Na maioria, empresas do setor financeiro (Santander, Bradesco, Itaú, etc).

A empresa também não pode ter dívidas públicas. Precisa estar em dia com todas as obrigações, o que é muito difícil em se tratando de corporações nacionais.

Mais um problema: a Caixa Econômica Federal, patrocinadora principal da camisa do clube e que paga R$ 35 milhões anuais ao Corinthians, precisa avalizar o nome da empresa. Como a Caixa aceitará que o estádio tenha o nome de outro banco?

Tive a informação que a Caixa renovará seu contrato em 2016, mas em 2017 estará fora da camisa do Corinthians, fato que já foi avisado à diretoria.

A Klar, que de empresa desconhecida virou assunto na mídia pela entrevista de seu presidente Marcelo Prado à Rádio Transamérica na última segunda-feira, disse ter feito proposta, mas dificilmente passará por estes estágios de exigências descrito acima.

Uma solução seria procurar a AmBev, empresa brasileira com enorme patrimônio, mas que já afirmou não se interessar pelo negócio. Concorrentes do setor de bebidas? Pode ser.

Hoje a principal empresa interessada é o Banco Santander. O negócio esbarra no veto da Caixa. Pode acontecer em 2017, ou os responsáveis pela negociação podem promover um acordo entre os bancos.

Enfim, é um negócio mais complicado do que parece à primeira vista, e espero ter ajudado a explicá-lo um pouco aqui neste espaço.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Por Marco Bello

Marco Bello é jornalista, apresentador e repórter da Rede Transamérica de Rádio, setorista do Corinthians desde 2009

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  • Comentários mais curtidos

    Fabricio Ricardo

    Um tópico sobre os naming rights que muitos não sabiam destas clausulas

  • Jorge Almeida #2.466

    Basta não renovar com a Caixa pelo patrocínio master. NRs são mais importantes

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  • Todos os comentários (356)

    Neto Vale #4.517

    Logo, logo vai assinar e acabar essa novela...

  • Carlos Gatto #414

    Em resumo, só em 2017, a não ser que a CX abra mão de continuar no patrocínio Master, coisa que não parece ser o mais provável, ou ainda a mesma abrir mão de ter exclusividade nesse espaço, algo pouco provável também. A última seria a AMBEV se interessar, NOVAMENTE? Será que algum dia foi interessada? Na verdade o que eu li, inclusive aqui mesmo no MT, PROCUREM, foi que ela é quem foi procurada pelo Corinthians que ofereceu o negócio, só QUEEEEEEEE, "ALGUEM" suposto representante do Corinthians no negócio, a cada vez que negociava, falava no "CAFEZINHO" ai gente, FICA difícil NÈ. Brasiiiiiiiiiiiiiiiiiiilll pais da Corrupção, não escapa nada, proprina propina propina. VAaaaaaaaaaaai Corinthians, não sei para onde mas VAAAAAAI.

  • Neto Vale #4.517

    Essa novela sem fim...
    alguém deve querer levar um a mais por fora, só pode

    Perderam a MAIO exposição do mundo para vender, que era a Copa... OK, eu sei que a corrupção tá TENSA pelos lados da FIFA, mas não temos nada com isso (eu acho)

    Agora se perder o evento Olimpiadas... Vai ficar ainda MAIS tenso para fechar

  • Antonio Nunes #2.387

    Deveriam contratar uma empresa especializada na venda de N.R, assim como o Barcelona está fazendo!

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