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Passando a limpo

Lula e Andrés Sanchez durante a construção da Arena Corinthians

Divulgação

A Lava-Jato e o Corinthians

Opinião de Marco Bello

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Pra começar este texto, quero deixar uma coisa clara: o Corinthians (instituição) é vítima de qualquer possível caso de corrupção envolvendo seus dirigentes, ex-dirigentes e entes públicos.

O clube não comprou campeonato, não pagou arbitragem, não ganhou ilegalmente nenhuma partida.

O estádio não foi doado, como querem dizer alguns. Não existe presente que você tem que pagar.

Então o torcedor do Corinthians pode ficar tranquilo, que tudo o que vier da investigação será positivo PARA O CLUBE.

Deixando isto bem claro, passemos ao caso em si:

O ano era 2010 e o então presidente do Corinthians Andrés Sanchez foi até a África do Sul como chefe da delegação da seleção brasileira naquela Copa.

Quatro anos mais tarde, a competição aconteceria no Brasil.

A cidade de São Paulo, a mais importante do país, tinha um estádio principal: o Morumbi.

O Corinthians não tinha estádio, o Pacaembu era menor e sempre teve o problema do tombamento (não se pode reformar), o Palmeiras tinha o Parque Antártica, com pouca capacidade de público.

O mais lógico (e imagino que serei xingado aqui por aqueles que colocam o coração antes da razão, mas mesmo assim escreverei) seria reformar o Morumbi e transformá-lo em sede paulista da Copa 2014.

Mas Andrés, sempre muito esperto, se aproximou de Ricardo Teixeira, então presidente da CBF. Havia já uma proximidade muito grande entre ele e o então presidente Lula. E um terceiro personagem importante na história, Ronaldo Fenômeno, com capacidade de atrair investimentos milionários.

Juntaram a “fome com a vontade de comer”.

Pra que usar um estádio já pronto, se poderiam construir outro? Mais caro. Envolvendo dinheiro público. Empreiteiras ligadas ao governo. Empréstimos gigantescos.Todos ganhariam.

E, claro, o Corinthians também. O sonho do estádio próprio sairia do papel.

Esta foi a manobra puramente política para tirar o Morumbi da Copa e colocar o futuro estádio do Timão. Não há nada de ilegal nisso.

Mas como todos sabemos, e peço novamente que você leitor pense menos com o coração corinthiano e mais com a razão, toda e qualquer construção envolvendo empreiteiras e dinheiro público neste país envolve esquemas, propinas, caixa 2, caixa 3, etc.

Que seja uma gorjetinha para o café. Um cala a boca para um contrato mal feito. Uma ajudinha para um amigo. Um "faz me rir" aqui e ali.

E de grão em grão, chegamos a um estádio de mais de 1 BILHÃO DE REAIS.

O estádio é lindo. A Arena Corinthians é linda. Mas, pensando com a razão, era preciso gastar mais de 1 BILHÃO DE REAIS??

Era preciso mármore? Televisão no banheiro? Camarotes caríssimos que hoje ficam vazios? Espaços imensos inúteis que andam às moscas? (Vamos fazer um shopping! Vamos fazer um salão de buffet!)

O estádio era preciso. Os luxos inúteis, não.

Você, leitor, acha que teve algum tipo de superfaturamento em tudo isso?

Se teve, que devolvam ao clube. Que devolvam ao país. Que devolvam.

A Arena é do Corinthians. Ninguém vai tirar. Por contrato, o Corinthians pode perder o controle do estádio. Mas quem vai querer tirar o Corinthians de lá? Ninguém.

Nenhuma empresa teria interesse em administrar aquele gigante sem o Corinthians jogando lá.

Por isso, repito: para o clube, é importantíssimo que se investigue tudo.

A auditoria contratada pelo Corinthians, como já adiantado aqui nesse espaço, começou toda a briga entre clube e Odebrecht.

O Corinthians quer baratear o custo total. Sabe que não tem dinheiro para pagar o que, somando juros, já ultrapassa R$ 1,2 bilhões.

A empresa, claro, quer cobrar o que está em contrato.

Antes da crise, estava tudo às mil maravilhas.

Mas o castelo formado pelas pessoas que comandavam a política e a economia do país há 6 anos está desmoronando.

As contas estão aparecendo. E para o Corinthians, a conta é enorme. Muito, muito, muito alta.

Conta de um estádio luxuoso feito depois de uma costura política que beneficiou muita gente.

Agora, a realidade é a Lava-jato.

Quem tiver que pagar, que pague. Quem tiver que ir preso, que vá.

O Corinthians, instituição, precisa disso para seguir sua história limpa e cheia de glórias.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Por Marco Bello

Marco Bello é jornalista, apresentador e repórter da Rede Transamérica de Rádio, setorista do Corinthians desde 2009

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208 Comentários Comentar >

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  • Comentários mais curtidos

    Beto Silva #1.201

    Concordo. Tem que investigar e punir os culpados. E se tiverem provas que prendam a todos, independente de que partido são. Nós, cidadãos, não aguentamos mais. Agora, a mídia está massacrando. Quer acabar com o Corinthians. Por essas e outras eu não assisto a mais nenhum programa de TV nem de rádio. Chega.

  • Luiz Junior

    Texto f*da, Bello! Concordo em 100%

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  • Todos os comentários (208)

    Jairo Manoel

    É deste tipo de fonte que necessitamos.
    A profundidade dos fatos é muito esclarecedora.
    A inteligência é notável.
    Parabéns ao texto Marcelo.

  • Silvio Chiozini

    Que separem o trigo do joio.

  • Pedro Teodoro #730

    Lava-jato e uma bosta. Daltan dalangnol:" não tenho provas, tenho CONVICCAO"

  • Marcelo Silva Apoiador #4.530

    Marco Bello, concordo com quase tudo que está escrito. Há algumas variáveis que você "esqueceu" de incluir na sua equação política para o estádio da Copa na cidade de São Paulo. O estádio que você citou (Morumbi) não tem a infraestrutura de transporte público que já existia em Itaquera antes mesmo da construção da Arena. Além disso, será que a sociedade do bairro onde fica o Morumbi apoiaria a construção de transporte público na porta da casa deles? Ou agiriam como a "gente diferenciada" de Hygyenópolys ou da USP com relação ao metrô? E quanto custariam essas obras de transporte público? Porque não foram realizadas ainda? Quanto teria custado a obra de modernização do Morumbi? Lá não haveria desvios? E se custaria tão barato assim, por que o proprietário do estádio ainda não fez? Talvez meus argumentos sejam fruto da minha paixão e apenas com esse contra-argumento - paixão - seja fácil desqualificá-lo sem ao menos tentar buscar resposta para os questionamentos.

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