Nesta terça-feira, dia 31 de março, completam-se 62 anos do início do Regime Militar no Brasil, que perdurou até o ano de 1985. O Corinthians, por suas redes sociais, relembrou a importância da data e novamente se colocou contra tal postura.
"O dia 31 de março marca uma das páginas mais tristes na história do Brasil. O Sport Club Corinthians Paulista, o Time do Povo, recorda esse momento não apenas para olhar o passado, mas para reafirmar o valor da democracia, do diálogo e do respeito às instituições e às diferenças", escreveu o clube em suas redes sociais - veja a postagem abaixo.
O clube do Parque São Jorge teve papel importante na difusão do movimento da Democracia Corinthiana , encabeçado por Sócrates e seus companheiros. Dentro e fora de campo, os jogadores alvinegros ultrapassaram a condição de ídolos do Corinthians e se tornaram símbolos de um período marcante para o país.
O movimento da Democracia Corinthiana teve início em 1982 e se estendeu até 1984, já em um contexto de enfraquecimento da ditadura. Naquele período, o elenco do Corinthians viveu uma fase de forte engajamento político dentro do futebol. Lideranças como Sócrates, Wladimir, Casagrande, Biro-Biro, Zé Maria e Zenon, entre outros, estiveram à frente da defesa dos direitos da população brasileira em meio a um cenário de censura e repressão.
A iniciativa representou, na prática, um exemplo de democracia no clube, algo que ainda faltava ao país naquele momento. Durante esse período, todos os funcionários, independentemente do cargo, tinham o mesmo peso nas decisões internas, tanto políticas quanto esportivas.
Além da atuação no clube, os integrantes do movimento também levaram a mobilização para fora de campo. Participaram do comício das Diretas Já e defenderam a aprovação da Emenda Constitucional Dante de Oliveira, que propunha o retorno das eleições presidenciais por voto direto.
O movimento chegou ao fim no encerramento da temporada de 1984, com a saída de Waldemar Pires da presidência. Na sequência, Sócrates se transferiu para a Fiorentina, enquanto Casagrande também seguiu novos rumos na carreira.
Até hoje, o movimento é reconhecido mundialmente como um símbolo de resistência. A Democracia Corinthiana já foi retratada em diversos documentários ao redor do planeta, como “Democracia em Preto e Branco”, divulgado pelo site oficial da Fifa
O legado também segue presente nas homenagens no futebol. Um dos exemplos mais recentes é a criação do “Prêmio Sócrates”, em 2022, entregue junto à Ballon d'Or para reconhecer as melhores ações sociais no cenário do futebol mundial.
Confira a publicação do clube em suas redes sociais
O dia 31 de março marca uma das páginas mais tristes na história do Brasil.
— Corinthians (@Corinthians) March 31, 2026
Foram anos de chumbo, de ruptura institucional, de uma ditadura que impôs restrições às liberdades, censura, perseguições políticas e violações de direitos humanos, deixando marcas profundas na sociedade… pic.twitter.com/SdnfhARzE4