Richard não é melhor que Ralf, mas tem um diferencial

Andrew Sousa

23 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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Richard não é melhor que Ralf, mas tem um diferencial

Ao contrário de Ralf, Richard permanece no Corinthians para a temporada

Foto: Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

A grande polêmica da primeira semana de trabalho do técnico Tiago Nunes foi abrir mão de Ralf para o restante da temporada. Não bastasse o enorme peso sentimental da decisão, a Fiel ficou ainda mais insatisfeita pelo argumento utilizado pelo novo comandante.

Segundo Nunes, a opção por não contar com Ralf é sua característica de jogo. Em um time mais propositivo como ele quer, o volante precisa jogar mais com a bola - por isso a contratação de Victor Cantillo.

Até aí tudo bem, não fosse uma outra decisão dele: a manutenção de Richard. Oras, se Ralf não serve para atuar no novo esquema alvinegro, porque o atleta que foi emprestado ao Vasco na última temporada vai servir?

Fui aos inúmeros sites de estatísticas do Brasileirão de 2019 para tentar entender. Vendo os números, não achei uma justificativa tão plausível, mesmo que Richard leve pequena vantagem na maioria dos índices relativos a passes e lançamentos.

O segredo, porém, não está no que os dois atletas são. Mas no que podem ser. E aí está o diferencial do jogador com passagens por Fluminense e Vasco.

Ao contrário de Ralf, que já tem 35 anos, Richard, de 25, tem margem de evolução. Acho que é nisso que aposta Tiago Nunes.

Manter o ídolo da Fiel tinha um resultado óbvio: um excelente marcador, limitado na saída de bola. Aos 35, poucos jogadores no mundo conseguem mudar sua forma de jogar ou evoluir consideravelmente suas deficiências.

Manter Richard, por outro lado, é ter a possibilidade de fazê-lo crescer a ponto de se encaixar na característica esperada. Aos 25, ele é muito mais mutável do que seu concorrente.

No Athletico Paranaense, por exemplo, Tiago Nunes lapidou com extrema competência o atleta Wellington. Bastante questionado durante boa parte da carreira, era considerado um volante destruidor até chegar ao clube de Curitiba.

Por lá, passou a trabalhar muito bem a bola e se destacar pelos lançamentos, aliando qualidades ofensivas e defensivas. Não a toa, virou o capitão da equipe. Richard pode repetir esse panorama.

Ao optar pela continuidade do atleta, Tiago Nunes dá um voto de confiança para sua própria capacidade. Acredito que a ideia é potencializar e, acima de tudo, adaptar Richard ao futebol que ele pensa para a posição. Com Ralf não daria para fazer isso.

Teste de fogo

Em sua curta passagem pelo Corinthians, vale lembrar, Richard teve pouquíssimas oportunidade e, para piorar, a maioria delas em outra função - fiz um texto sobre o tema há pouco tempo.

Agora, então, será como sua primeira chance no clube, atuando na posição que sabe e pode fazer. No Vasco, fez temporada razoável e foi peça importante na campanha que garantiu o clube na Serie A.

A tendência é que, com Nunes, ele continue no banco, mas quando jogar, tenha verdadeiras chances de mostrar-se onde sabe atuar. Então, é hora de apagar a lembrança ruim do que ele já apresentou pelo clube e dar uma nova oportunidade para o jovem volante.

Veja mais em: Richard, Ralf e Tiago Nunes.

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Por Andrew Sousa

23 anos, formado em Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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