Não é só patrocínio

Marco Bello

Setorista do Corinthians desde 2009 pela Rádio Transamérica, Marco Bello acompanha o dia a dia do clube

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Não é só patrocínio

Corinthians terá participação nos lucros da parceria

Foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians

O dono do banco BMG, Ricardo Guimarães, deixou claro durante a coletiva de anúncio da parceria com o Corinthians: não é só um patrocínio de camisa.

O presidente Andrés Sanchez também chegou a falar que as empresas não querem apenas um outdoor nas camisas dos clubes.

As coisas mudaram.

Conversando estes dias com um especialista em marketing esportivo, ele me dizia o tamanho da dificuldade de vender um patrocínio em camisa de clube hoje em dia.

Além da óbvia crise de mercado, não há garantia de que o patrocínio a um clube traga resultados positivos.

Aliás, pouquíssimos patrocínios de camisas de clubes de futebol dão lucro.

Olhando para as camisas dos 20 clubes que disputaram o último campeonato brasileiro, 12 tinham o patrocínio da Caixa Econômica Federal.

Os dois gaúchos tem o Banco do Rio Grande do Sul na camisa.

São Paulo e Palmeiras, bancos também.

A única empresa “diferente” a patrocinar um clube foi a Aurora, patrocinadora da Chapecoense.

Ainda assim, por ter uma ligação histórica com a cidade e o clube, e não exatamente visando lucro.

Se eu tenho uma empresa e tenho R$30 milhões na minha mão, eu coloco na televisão. Você tem garantia de retorno, não tem problema com outras torcidas, etc.

E ainda tem o tal ‘BV’ (bonificação por veiculação), que funciona assim: A empresa compra um espaço na televisão. 20% do dinheiro vai para a agência de publicidade. E a televisão devolve para a agência mais uma porcentagem em cima do dinheiro obtido.

Resumindo, dos R$30 milhões que saem da empresa, uns R$8 milhões ficam na agência.

O que a agência vai preferir?

Por isso o modelo de parceria do Corinthians me parece interessante. Na prática o clube virou um banco. Ou sócio de um banco.

O torcedor/cliente abre uma conta, faz movimentações, pede um empréstimo, faz um cartão, e o clube divide o lucro com o BMG.

É como se o Corinthians tivesse diversificado seus negócios.

Não é a primeira vez que o Corinthians tenta um negócio assim. Com algumas diferenças, foi assim com o Banco Excel nos anos 90.

Estabelecendo em contrato um limite de participação do banco sem ingerência no futebol, e colocando um valor mínimo decente de ganho anual independentemente da valorização do banco, tem tudo para dar certo desta vez.

Veja mais em: Patrocinador do Corinthians.

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Por Marco Bello

Marco Bello é jornalista, apresentador e repórter da Rede Transamérica de Rádio, setorista do Corinthians desde 2009

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