Precisamos falar sobre o Corinthians campeão brasileiro de 1998

Memória Fiel

Nostalgia alvinegra que vai além dos jogos, gols e súmulas. Aqui reviramos os arquivos para reencontrar as várias pequenas histórias e detalhes que formam a gigantesca história do Corinthians.

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Precisamos falar sobre o Corinthians campeão brasileiro de 1998

Precisamos falar sobre o Corinthians campeão brasileiro de 1998

Corinthians foi campeão Brasileiro em 1998 em cima do Cruzeiro

Foto: Reprodução

Perto de completar 20 anos, o segundo título de Campeão Brasileiro do Corinthians, conquistado em 1998, voltou a ser lembrado recentemente graças ao nosso adversário na final da Copa do Brasil 2018, que por coincidência foi o mesmo rival das finais de 98: o Cruzeiro.

Com muita justiça, a maioria da torcida associa essa conquista diretamente ao talento de Marcelinho, Rincón, Gamarra e Dinei. Mas, ao mesmo tempo, muita gente confunde as coisas e fala que o Corinthians viveu um período de dominância que foi de 98 até 2000. É bem comum também ver o pessoal dizendo que existiu um time ou uma “geração 98-2000”.

Não foi bem assim.

O “quadrado mágico” quase não jogou em 98

Tido por muitos como melhor meio-de-campo da história do Corinthians, o quarteto Vampeta, Rincón, Marcelinho e Ricardinho quase não jogou junto em 1998. Naquele ano, o Corinthians sofria com a falta de qualidade dos atacantes Mirandinha e Didi. O técnico Luxemburgo, então , usou como time base de 1998 uma escalação que tinha Gilmar Fubá como primeiro volante titular, com Vampeta de segundo-volante, e Rincón jogando mais como um meia centralizado.

Marcelinho e Edílson (improvisados!) flutuavam por todo o campo. Hoje virou moda chamar isso de “falso 9”. Mas o Pé de Anjo fazia essa função e muito mais. Era como um segundo atacante, mas também fazia o meia armador e até voltava para marcar lateral. Edilson, chegou a ser reserva no Campeonato Paulista, mas foi convencido a fazer o novo papel, mais perto do gol, e foi escolhido o Bola de Ouro da Revista Placar no final do ano.

Ricardinho, até então um desconhecido vindo do futebol francês , entrava ao poucos no time e só se firmou como titular na reta final do campeonato, quando Gilmar Fuba sofreu uma contusão . Vampeta confirma essa historia em seu livro, “Memórias do Velho Vamp”, contando inclusive que Luxemburgo teria contratado pai de santo Robério de Ogum para curar Gilmar.
A mandinga falhou, Ricardinho entrou bem no time, e o resto e história.

Vampeta, Rincón, Marcelinho e Ricardinho formariam um meio-de-campo maravilhoso, mas o entrosamento, os gols inesquecíveis , e as conquistas custariam mais um pouco a vir.

Placar de 1998 sobre Edilson Capetinha

Reprodução / Revista Placar

O time de 1998 não foi base para o time Campeão Mundial de 2000

Até em um dos períodos mais vencedores da sua história , o Corinthians era uma completa bagunça . Desmanches, técnicos demitidos, contratações estranhas, e muitas taças… tudo de inexplicável que acontece hoje, aconteceria dez vezes mais na administração Alberto Dualib.

A base do time campeão de 1998, na teoria, começa em 1997 com a parceria entre Corinthians e Banco Excel. Com a grana do parceiro, o Corinthians trouxe Túlio, Donizete, Antonio Carlos… jogadores que não foram mantidos para o ano seguinte. Mas o parceiro também trouxe Rincón e Edílson, em 1997, e re-contratou a maior estrela do elenco, Marcelinho Carioca.

No começo de 1998, o Banco também investiu uma boa grana para trazer Gamarra (então no Benfica) e Vampeta (que veio para ser lateral direito). Mas tirando esses nomes, o modesto elenco de 1998 foi bastante alterado ate se transformar no esquadrão de 1999.

A base do time campeão de 1998 tinha o regular goleiro Nei, o péssimo lateral direito Rodrigo, os zagueirões Batata e Marcio Costa, o volante Amaral (já jogando mais com o nome) e os atacantes Didi e Mirandinha se revezando para ver quem era mais grosso. Dinei era bom de bola, mas jamais se firmou como titular. Vale lembrar que ele retornava ao Corinthians após ser pego no exame antidoping pelo uso de cocaína. Completavam o time jogadores vindos da base como Cris, Sylvinho, e Índio. Resumindo, demoraria pelo menos seis meses para as chegadas de Luisão, Kleber e Dida mudar o time de patamar.

Além disso, logo após o título , o Corinthians perderia Gamarra, que vivia o auge de sua carreira e jamais foi substituído a altura. Se o time de 1998 foi o mesmo de 2000, jamais teríamos conquistado o Mundial de 2000.

A importância do Projeto Luxemburgo

Esse post já ficou mais longo do que deveria, mas também é importante explicar o tamanho da contribuição de Luxemburgo para o time de 1998. Hoje, as confusões do técnico são mais lembradas do que o seu trabalho. É verdade que os bastidores eram quentes, com brigas, acusações e escapadas do elenco e, segundo Marcelinho, do técnico também. Nada disso, porém , pode ofuscar o trabalho de Luxemburgo em 1998.

O Corinthians terminou 1997 lutando contra o rebaixamento. Sob o comando de Joel Santana, acredite ou não, um dos técnicos mais badalados daquela época , o Corinthians mesmo com o apoio financeiro do Banco Excel não tinha uma base, um jeito de jogar, era uma zona.

Luxemburgo chegou em 1998 fazendo uma dolorosa faxina no elenco, mandando embora ídolos como o goleiro Ronaldo, o zagueiro Henrique, o talismã Tupãzinho e ate o craque Neto. Um crime. Mas em pouco tempo a reformulação e deu resultado. O Corinthians chegou a final do Campeonato Paulista de 1998 e perdeu o título apenas no jogo final. No Brasileirão , Luxemburgo não contava com um elenco tão estrelado assim.

Hoje parece loucura falar que um time com Marcelinho, Rincón, Gamarra e Ricardinho não é um time estrelado, mas na época todos esses jogadores viviam um momento de baixa. Rincón levou pedrada da torcida em uma emboscada após uma derrota na Vila Belmiro. Gamarra, apesar da grande fase na seleção paraguaia, não deu certo no Benfica. Ricardinho e Vampeta? Meros desconhecidos que voltavam ao Brasil após anos medíocres na Europa.

Isso sem falar na qualidade dos adversários.

Mais do que reformular e acertar o elenco com contratações cirúrgicas e um plano tático moderno e eficiente, Luxemburgo fez algo que nem Parreira, Mano ou Tite fizeram pelo Corinthians: após ser chamado para ser técnico da Seleção, ele continuou a treinar o Timão até o final do Campeonato.

Gamarra na Placar em 1998

Reprodução / Revista Placar

Veja mais em: Campeonato Brasileiro e História do Corinthians.

Coluna do Juliano Barreto

Por Juliano Barreto

Jornalista, biógrafo, maloqueiro e sofredor. Desde 1993 recorta jornais, revistas e guarda tudo relacionado ao Coringão. Neste blog, vamos tirar a poeira desses arquivos e matar as saudades.

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