Herrera foi Quase-gol ou Quase-Tevez?

Memória Fiel

Nostalgia alvinegra que vai além dos jogos, gols e súmulas. Aqui reviramos os arquivos para reencontrar as várias pequenas histórias e detalhes que formam a gigantesca história do Corinthians.

ver detalhes

Herrera foi Quase-gol ou Quase-Tevez?

Coluna do Juliano Barreto

Opinião de Memória Fiel

4.4 mil visualizações 87 comentários Comunicar erro

Herrera foi Quase-gol ou Quase-Tevez?

Herrera foi Quase-gol ou Quase-Tevez?

Foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians

Logo que assinou com o Corinthians, Mauro Boselli pediu para usar a camisa 17. Argentino, camisa 17, atacante, procedência meio duvidosa, time comprando reforços no atacado, reformulação. Ficou difícil não lembrar do Herrera, jogador que chegou ao Timão com o apelido de Quase-Gol e saiu com gente o chamando de Quase-Tevez. Nem parece que faz tanto tempo, mas essa história já tem quase 10 anos.

Germán Herrera, começou sua carreira com pinta de revelação. Em 2003, jogou o Mundial Sub-23 ao lado de Mascherano, Montillo, Cavenaghi e Tevez. A seleção argentina quase chegou a final, mas perdeu para a Espanha --que por sua vez perdeu para a Seleção Brasileira.

Revelado pelo Rosario Central, jogou também pelo San Lorenzo, onde teve uma passagem não muito boa que lhe rendeu o apelido de Quase-Gol. Herrera então “caiu para cima” e deu a sorte de ser contratado pelo Grêmio, então treinado por Mano Menezes. No Rio Grande do Sul, viveu uma fase boa o suficiente para credenciá-lo a uma transferência para a Europa.

Em 2007, Herrera foi contratado pelo Real Sociedad e quase não teve o gostinho de jogar La Liga. Chegando no meio do campeonato, não conseguiu evitar o rebaixamento do time. Fez apenas 19 jogos e um golzinho. Logo voltou para o Gimnasia y Esgrima de La Plata em 2008 e parecia que sua história acabaria pelos gramados barrentos dos pampas mesmo.

Quando o atacante estava quase entrando para a longa lista de promessas que quase deram certo, pintou o convite de um velho conhecido.

Mano, agora treinador do Corinthians, estava montando um time praticamente do zero --e com pouca ou nenhuma grana. Herrera veio para o Timão por empréstimo e quase entrou para a história.

Como todo mundo lembra, o argentino foi titular e importante na campanha do Corinthians na Série B, mas o “quase entrou para história” fica mais por conta da saída do jogador do que propriamente pela sua performance em campo.

Após espantar o incômodo apelido quase que por completo, Herrera caiu nas graças da torcida pela raça e correria em campo. Ao melhor estilo portenho, o jogador acreditava em todos os lances, corria o jogo todo. Ajudava a recomposição da defesa, participava do ataque e logo estava pronto de novo para fazer a marcação sob pressão na saída de bola do adversário.

Herrera fez com precisão o papel que mais tarde consagraria Jorge Henrique e, vá lá, também o Romero.

Mas porque Herrera saiu? Porque após um ano bom, ele ficou no quase?

Antônio Carlos, na época diretor-técnico do Corinthians, chegou a apalavrar a renovação de Herrera. O Corinthians pagaria US$ 3 milhões ao Gimnasia, assinaria um contrato de 3 anos e aumentaria o salário do atleta. Foi nesse último ponto que a coisa pegou.

Hoje estamos mais acostumados com a falta de paciência de Andrés Sanchez com os jogadores que pedem aumento. Mas na época foi uma surpresa. Ninguém entendeu direito. Herrera chegou a declarar que abriria mão de cerca de 360 mil dólares, sua parte nas luvas, para ajudar o negócio a ser fechado.

Apenas em novembro do ano passado, em uma entrevista para um jornal La Nación, o atacante revelou o que fez a negociação ficar no quase: “O Corinthians decidiu comprar o Ronaldo e no outro dia me disse que nao tinha dinheiro para comprar meu passe. OK, vou tive que redefinir minha vida, porque já havia recusado uma proposta da Europa. Minha ideia nao era voltar a Argentina, e sim seguir no Brasil.”

Acho que quase ninguém vai dizer que a diretoria investiu mal o dinheiro, né?

ps. A vida depois do Corinthians
Depois do Corinthians, a vida de Herrera foi quase só de alegrias. Em dois anos e meio de Botafogo, conquistou um Campeonato Carioca ao lado do uruguaio Loco Abreu, no que foi apelidado pela imprensa carioca de o “Ataque Mercosul”.

O argentino também passou um bom tempo reforçando sua conta bancaria nos Emirados Árabes Unidos. No segundo semestre de 2014, aliás , Herrera quase voltou ao Corinthians a pedido de Mano Menezes. Os árabes não liberaram, e acabamos contratando Angel Romero -- ou seja, quase que Herrera figura no elenco campeão Brasileiro de 2015!

Herrera ainda voltaria ao Brasil para tentar ajudar o Vasco a se livrar do rebaixamento em 2015, mas não deu. Mas a história tem um final feliz.

Nos últimos anos, Herrera voltou para o Rosario Central, time que o revelou, e viveu uma fase de artilheiro fazendo gols em três clássicos seguidos contra o Newell's Old Boys. Ano passado, quase aposentado, o atacante de 35 anos, que ainda veste a camisa 17, foi campeão da Copa da Argentina!

Veja mais em: Ex-jogadores do Corinthians e História do Corinthians.

Coluna do Juliano Barreto

Por Juliano Barreto

Jornalista, biógrafo, maloqueiro e sofredor. Desde 1993 recorta jornais, revistas e guarda tudo relacionado ao Coringão. Neste blog, vamos tirar a poeira desses arquivos e matar as saudades.

O que você achou do post do Juliano Barreto?