Mudar títulos do passado é crime contra a história

Roberto Gomes Zanin

Jornalista, diretor da RZ Assessoria, Bicampeão do mundo. Não sou ligado a nenhuma corrente política do clube. Quero apenas o melhor para o Timão. Discorde à vontade, mas com o respeito aos irmãos

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Mudar títulos do passado é crime contra a história

Mudar títulos do passado é crime contra a história

Esse título já foi reconhecido no ato

Foto: Danilo Augusto Jr. Agência Corinthians.

O final do mundial de clubes é ocasião para eu abordar um tema que me irrita profundamente: o estupro da história para dar títulos de presente a quem não os ganhou em campo.

Ora, a questão é muito séria. Em nome de interesses escusos, APENAS NO BRASIL, se passa “um branquinho” no passado e se modifica a verdade.

O pior é que a falta de bom senso e o fanatismo clubista é tão grande que tenho que explicar o óbvio.

Mas vamos lá.

A Copa Rio de 51 pode ter sido importante, com grandes equipes, o Palmeiras ganhou, deve figurar entre os títulos de relevo do verde, mas NÃO FOI CAMPEONATO MUNDIAL.

Agora, tudo vira dossier. Juntam-se recortes de jornais, mostram-se fotos de multidões comemorando, declarações de jornalistas, etc., mas o simples fato de se pedir reconhecimento DEMONSTRA e COMPROVA que o tal torneio não foi MUNDIAL. Essa é a chave do enigma. O Corinthians não precisou, precisa ou precisará recorrer à FIFA para que ela reconheça os mundiais de 2000 e 2012, porque, afinal, a própria entidade, à época das competições, as tratou como mundiais. É elementar.

Outro crime histórico é o “reconhecimento” dos títulos brasileiros antes de 1971.

A CBD anunciou naquele ano, a realização do primeiro campeonato brasileiro. O Atlético mineiro foi o campeão e ostentou por anos o titulo de “Primeiro Campeão Brasileiro”.Muitos torcedores do Galo viveram e morreram com essa certeza. Ninguém questionou isso. Nem os rivais cruzeirenses. Todos sabiam que os torneios pré-71 foram importantes, mas nunca tiveram a abrangência e a dimensão de campeonatos brasileiros.

Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa foram grandes competições, mas não foram campeonatos brasileiros. A primeira equivaleria a uma Copa do Brasil. O segundo seria mais parecido com o Brasileirão, só que não foi um.

Essa estória, com "e", mesmo, começou com o Santos, graças ao complexo que atinge os seus adeptos. Eles seguem o mesmo padrão "ganhamos-o-mundo-tivemos-Pelé-e continuamos-sem-a-expressão-que-o-Corinthians-tem". Isso não tem cura!

Contrataram um "historiador", que preparou um “dossier” com o apoio dos cartolas santistas (claro que os outros 5 clubes interessados também entraram de carona nessa).

Apresentaram a papelada ao honesto e isento Ricardo Teixeira. Resultado: o time da Vila dormiu com 2 títulos e acordou co 8 brasileiros. O Palmeiras ganhou mais 4. Dois deles referentes ao mesmo ano!

O Flu, o Cruzeiro, o Botafogo e o Bahia também deixaram de ser o que foram e passaram a ser o que não foram.

O que esses clubes não sabem é que a canetada pode servir para inflar o ego de torcedores, jornalistas e cartolas beneficiados, mas não tem o poder de mudar a realidade. Afinal, o presente e até o futuro podem ser mudados. O passado, não.

Veja mais em: Títulos do Corinthians.

Coluna do Roberto Gomes Zanin

Por Roberto Gomes Zanin

Jornalista, diretor da RZ Assessoria, Bicampeão do mundo. Não sou ligado a nenhuma corrente política do clube. Quero apenas o melhor para o Timão. Discorde à vontade, mas com o respeito aos irmãos

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