Por uma auditoria na base do Corinthians

Roberto Piccelli

Roberto Piccelli é advogado atuante em direito público e escreve sobre temas jurídicos e institucionais relacionados ao Corinthians.

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Por uma auditoria na base do Corinthians

Presidente tem se mantido alheio aos rumores

Foto: Meu Timão

O Corinthians depende da credibilidade da sua administração para conseguir manter-se no topo. Digo isso não só porque o clube hoje depende, queiramos ou não, de parcerias com empresas, mas porque o entusiasmo da própria torcida depende da confiança no trabalho da diretoria. Afinal, ao comprar uma camisa, ao pagar o sócio torcedor, ao adquirir um bilhete, o torcedor tem na cabeça que parte daquele dinheiro é uma doação para um projeto em que ele tem fé. Não é - e nunca vai ser - uma simples relação mercadológica aquela entre o Corinthians e o corinthiano.

Notem que a nossa ascensão, desde a série B, tem a ver com uma mudança importante na postura da diretoria que havia acabado de assumir. Ao menos em um primeiro momento, a ordem do dia foi a prestação de contas e o diálogo. O clube conseguiu com isso reconquistar o apoio da torcida, como mostram os números de público desde então. O faturamento explodiu. Os patrocinadores choveram.

Não é que os boatos tenham dado trégua naquela época. Só que eles foram combatidos com medidas de transparência. Os escândalos, consistentes ou não, são um recurso sorrateiro dos muitos interessados em tumultuar, e isso desde que o mundo é mundo. O Corinthians, na sua grandeza, sempre esteve e sempre estará no noticiário, mesmo nos melhores ventos. Existe uma variedade de agentes interessados no nosso caos - empresários ressentidos ou jornalistas preocupados em aparecer, por exemplo.

Quem acompanha o clube sabe que não é de hoje que a nossa base, por exemplo, tem sido objeto de suspeitas cabeludas. Já nos acostumamos a ouvir histórias estranhas de alguns personagens, mas talvez por estarmos habituados a estar no centro das especulações, nunca fomos muito longe nas apurações. Dessa vez, porém, os indícios são especialmente sérios de que há algo de muito errado. Houve depoimentos diretos, e imagens de conversas suspeitas vazaram.

Não tem sido essa a única suspeita que tem pairado sobre a administração do clube. Eu mesmo, nessa coluna, já sugeri esclarecimentos sobre as contas do estádio. Toda essa sucessão de histórias tem comprometido a imagem do clube em um momento crucial para a manutenção da sua hegemonia futebol brasileiro. Os direitos de nome parecem estar em uma fase decisiva, e a reputação do clube é determinante para o negócio.

Se o direito cobra a presunção de inocência, sabemos que no mundo lá fora não há nada disso. Você seria sócio de alguém acusado por aí dos mais variados trambiques, por mais que nada houvesse sido provado?

É por isso que a iniciativa de passar tudo a limpo tem que ser da própria diretoria. Creio que é hora de se contratar uma auditoria independente para averiguar a gestão do clube, especialmente a das categorias de base e, quem sabe, a da arena. Afinal, se ela é vítima, como tem sugerido, e está interessada na identificação dos responsáveis por eventuais desvios de conduta, uma empresa especializada nesse tipo de análise pode ser a oportunidade de ouro para separar o joio do trigo, expurgar os rumores e reconquistar a confiança perdida na torcida e no mercado.

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Roberto Piccelli é advogado atuante em direito público e escreve sobre temas jurídicos e institucionais relacionados ao Corinthians.

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