Oeste Superior segue às moscas: por quê?

Roberto Piccelli

Roberto Piccelli é advogado atuante em direito público e escreve sobre temas jurídicos e institucionais relacionados ao Corinthians.

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Oeste Superior segue às moscas: por quê?

Setores da Arena disponíveis no Plano Minha História

Foto: Fiel Torcedor

Pouco mais de um ano se passou, e os números da Arena Corinthians seguem impressionando positivamente. A taxa de ocupação gira em torno de 65%, uma média extremamente alta, inclusive se comparada com os nossos números no saudoso Pacaembu. O corintiano que vai ao estádio, assim como aquele que cultua a festa nas arquibancadas pela televisão, porém, tem se incomodado com o vácuo permanente do setor mais alto do estádio, a Oeste Superior.

A razão não é apenas o preço. O Oeste Superior, ao contrário do que muita gente imagina, não é a porção mais cara da nossa arena. O Oeste Inferior é mais salgado, e, mesmo assim, normalmente fica mais lotado.

Acontece que, embora a venda do Oeste Superior seja oferecida, em tese, nos quatro planos básicos do Fiel Torcedor, os ingressos para esse setor, na prática, só são disponibilizados depois de esgotados os demais. Aconteceu no jogo contra o San Lorenzo, por exemplo, mas não é a regra.

A questão é: por que o setor vem sendo tratado como se fosse uma última opção, uma espécie de setor lilás do velho Pacaembu?

Acredito que a gestão do estádio tenha uma ideia de preservar esse setor, que, por enquanto, tem pouco a oferecer - a visão é a mais distante do campo em toda a Arena, por exemplo -, isto é, enquanto não implantado o padrão diferenciado de serviço que se promete para o prédio Oeste.

O fato, porém, é que o setor segue vazio já há um ano. E aí, é hora de se repensar: o que desvaloriza mais a imagem de um setor, torná-lo provisoriamente mais acessível ou fazer dele uma imensidão de cadeiras vazias? Será mesmo que não valeria a pena ter uma política de ingressos mais flexível, que procurasse sobretudo ocupar todos os espaços do estádio? Será que não é o caso de experimentar abrir o Oeste Superior a um preço provisório, talvez mais próximo ao que se cobra nos setores do lado Leste, pelo menos enquanto as melhorias não saem do papel?

Com um setor popular a mais nas bilheterias, poderíamos hoje ter a Arena um pouco mais cheia e tirar várias vantagens disso. Afinal, mais torcida no estádio, independentemente do preço do ingresso, significa mais vendas de alimentos, mais pressão nos adversários e uma experiência mais interessante para todos que estão lá. E as despesas não aumentam na mesma proporção.

Depois, com tudo pronto, é só relançar o setor com a nova proposta e rever a política de preços. O que não se pode é subaproveitar um ativo do clube que, de um jeito ou de outro, está lá há muito tempo para ser usado.

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Por Roberto Piccelli

Roberto Piccelli é advogado atuante em direito público e escreve sobre temas jurídicos e institucionais relacionados ao Corinthians.

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