Dez acertos e dez erros de Andrés Sanchez após 1000 dias como presidente do Corint

Rodrigo Vessoni

Formado pela FIAM, trabalhou na Rádio Transamérica e, por 12 anos, no LANCE!. Neste momento, também é repórter da Rádio 9 de Julho, SP (AM 1600). Participa ainda, quando chamado, de programas na TV.

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Dez acertos e dez erros de Andrés Sanchez após 1000 dias como presidente do Corinthians

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Dez acertos e dez erros de Andrés Sanchez após 1000 dias como presidente do Corinthians

Andrés Sanchez completou 1000 dias à frente do Corinthians

Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Como o Meu Timão mostrou nesta sexta-feira, Andrés Sanchez completou mil dias como presidente do Corinthians - foi eleito no dia 3 de fevereiro de 2018. Resolvi fazer um outro balanço da atual do mandatário, com erros e acertos durante seu atual mandato.

Veja abaixo, relembre e faça seu julgamento, concordando ou discordando dos pontos levantados por mim:

Dez acertos de Andrés durante os 1000 dias à frente do Corinthians

Final do Paulistão 2018

Andrés foi o responsável pelo histórico treino aberto da sexta-feira, com uma das festas mais lindas que a Neo Química Arena já presenciou. Foi ele quem não aceitou a presença da PM que, se estivesse lá, teria proibido os fogos de artifício, bandeiras, etc. Andrés também foi o responsável pelo envelopamento do vestiário do Allianz Parque, deixando o ambiente mais favorável aos atletas. O título na casa do rival foi no domingo, mas começou a ser conquistado nas decisões de Andrés dias antes.

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Rodrigo Vessoni

Camisas oficiais

O torcedor do Corinthians não pode reclamar das camisas oficiais I, II e III do triênio 2018-2019-2020, com designers bonitos, homenagens históricas e merecidas (Ronaldo Fenômeno, os 50 anos da Gaviões, as três invasões da Fiel e, mais recentemente, o Corinthian-Casuals). Mas, sem dúvida, o grande destaque ficou por conta da camisa 3 em homenagem ao ídolo Ayrton Senna, considerada uma das camisas mais bonitas de todos os tempos do futebol brasileiro, fazendo sucesso até no exterior.

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Divulgação

Contratações de Gil e Jô

A contratação de um bom jogador deve ser comemorada. Mas quando esse bom jogador é um ídolo trazê-lo de volta e não deixá-lo ir para um rival deve ser tratada como prioridade para uma diretoria. E Andrés fez isso com Gil e Jô, que voltaram da Ásia para atuar no clube, como sempre pediram os torcedores. Vê-los com outras camisas, ainda mais em rivais, seria algo muito ruim para o torcedor do Timão.

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Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Os treinadores no momento correto (Carille e Tiago Nunes)

Não havia um torcedor triste em janeiro de 2019 quando viu Fábio Carille voltar a trabalhar no CT do Corinthians. Andrés costurou o retorno do treinador, que virou um ídolo da torcida após os três títulos conquistados em sequência (Paulista 2017, Brasileiro 2017 e Paulista 2018). Carille não rendeu o esperado, foi demitido com cerca de 10 meses, mas tê-lo trazido de volta foi um grande acerto. Sem dúvida;

Na reta final de 2019, a torcida estava decidida: o Corinthians precisa mudar o jeito de jogar, o nosso jogo precisa ser mais vistoso. E Andrés contratou aquele que era mais cobiçado do mercado, aquele treinador brasileiro que tinha feito mais sucesso na temporada. Tiago Nunes fechou e iniciou seu trabalho (nos bastidores) ainda nos meses finais. Foi demitido após a pandemia. Não deu certo, mas a tentativa foi mais do que válida.

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Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Ônibus apedrejado, sem jogo

Andrés Sanchez soube como tirar a pressão do CT antes do primeiro jogo da final do Paulistão 2019. O presidente corinthiano prometeu não entrar em campo se o ônibus fosse apedrejado na entrada do Morumbi, uma infeliz tradição nos Majestosos. A notícia 'explodiu' no Meu Timão. Se falou apenas disso antes de a bola rolar, o Corinthians empatou sem gols no estádio rival e confirmou o título diante de sua torcida na Neo Química Arena.

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Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Bom ambiente no CT mesmo com atraso de salário

O Santos quase entrou em colapso internamente durante a pandemia, já seu presidente não soube conduzir as negociações para a redução salarial. Isso foi feito com maestria por Andrés no Corinthians. Nem mesmo o fato de ter chegado a quatro meses de salário atrasado fez com que algum jogador acionasse à Justiça. O ambiente sempre ficou controlado, ao contrário do clube da Baixada, que teve dois jogadores pedindo rescisão via Justiça.

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Reprodução/Internet

Patrocínios em meio à pandemia

A camisa do Corinthians é uma das mais valiosas do futebol brasileiro. Muitos desses acordos foram realizados em meio à situação ruim da econômica no país. Um mérito, sem dúvida, da atual diretoria, apesar de não ter um diretor de marketing desde meados de 2019. Neste momento, a camisa do Timão tem as seguintes marcas estampadas: Banco BMG, Ale, Serasa Experien, Cartão de Todos, Hapvida, Positivo, Midea, Poty e Galera.Bet.

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Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Naming Rights

Sem dúvida o feito de maior barulho de Andrés Sanchez na atual gestão. Ninguém mais esperava que haveria a venda do nome do estádio. E foi feito. E para uma grande empresa brasileira. O clube, que ficou sem essa receita entre 2011 (início da construção) e 2020, terá R$ 300 milhões nos próximos 20 anos. Esse aporte financeiro ajudará bastante no pagamento das parcelas da Caixa e da própria manutenção do estádio. O estádio, agora, tem nome: Neo Química Arena.

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Reprodução/Internet

Venda de Pedrinho

O prata da casa é a maior venda da história do Corinthians em 110 anos de existência do clube. Apesar da demora para antecipar o dinheiro, o valor em si é histórico. A venda por € 18 milhões (cerca de R$ 119 milhões) é incomparável em relação às anteriores do clube. O Timão terá 70% dessa bolada.

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Divulgação

Homenagem aos ídolos

Além da camisa para Ronaldo Fenômeno, a diretoria promoveu homenagens históricas para ídolos da torcida. Emerson Sheik e Danilo, dois dos maiores vencedores da história do Corinthians, tiveram um adeus digno, com suas taças em campo e tudo. Sheik ainda teve um jogo de despedida na Neo Química Arena. O clube ainda promoveu um jogo e uma festa para comemorar os 20 anos da conquista do Mundial de Clubes de 2000.

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Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Dez erros de Andrés durante os 1000 dias à frente do Corinthians

Excesso de contratações e aumento da dívida

Com Andrés Sanchez na presidência, o Corinthians fez nada menos do que 80 contratações, como o Meu Timão revelou nesta sexta-feira. Foram 38 reforços para o elenco principal e outros 42 trazidos para a equipe sub-23. Um enorme exagero. Se levar em consideração apenas os jogadores que foram parar no CT Joaquim Grava, isso representa uma contratação a cada 26 dias. Ao invés de 38, não era melhor ter contratado uns 20 com mais critério? Por que pagar quase R$ 10 milhões por Richard? Precisava pagar R$ 5 milhões de luvas a Renê Júnior? Havia necessidade de aportar US$ 4,5 milhões por Araos? E desembolsar US$ 3,5 milhões por Bruno Méndez? Não por acaso fechou 2019 no vermelho em quase 200 milhões de reais e a dívida total ter subido a quase R$ 800 milhões.

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Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Saída de Alessandro e vindas de Sheik e Vilson Menezes

Para colocar Emerson Sheik e Vilson nos cargos de coordenador e gerente, Andrés Sanchez resolveu demitir Alessandro Nunes, que estava no cargo de gerente há quatro anos, com títulos e um bom trabalho. Os dois que entraram não tinham experiência em seus cargos. Sheik foi retirado bem antes do que imaginado. O segundo nunca deu uma entrevista coletiva e pouca gente sabe sua função dentro do CT.

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Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Gelo em Ángel Romero

Um dos jogadores mais profissionais, dedicados, vitoriosos e identificados com o torcedor do Corinthians nos últimos tempos foi isolado por Andrés Sanchez. Por falta de acerto financeiro - que também foi de um pouco de bronca pessoal -, Romero ficou treinando no CT de janeiro a setembro de 2019. Foram nove meses pagando salário sem utilizá-lo. E o pior: gastou-se nesse mesmo período muito dinheiro com contratações que não renderam dentro de campo, como Sornoza, Richard, André Luís, etc. Não era melhor ter pensado no clube, conserto a situação e ter o paraguaio de volta aos gramados?

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Rodrigo Vessoni

Equipe Sub-23

Foram 42 contratações entre fevereiro de 2018 e esta sexta-feira, 30 de outubro de 2020, além de uma performance pífia em campo em 2019. Quando precisou de um zagueiro no elenco principal, nenhum dos cinco que fazem parte do Sub-23 foi cogitado para ajudar. Isso sem falar na falta de critério nas aquisições e também na falta de transparência com o gastos da categoria. Andrés não teve pulso firme para encontrar soluções e mudar a metodologia do departamento. Isso sem falar na aquisição de um jogador de 26 anos, filho de um conselheiro, que serviu para queimar o filme ainda mais.

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Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

Divulgação do acordo com a BMG por R$ 30 milhões

O Corinthians, por meio de seu departamento de marketing, anunciou que o acordo com o BMG para patrocinador a camisa do clube era de R$ 30 milhões. Posteriormente, depois que uma ata do banco foi vazada na internet, o clube teve que assumir que o valor mínimo era de R$ 12 milhões com possibilidade de ganho extra com aberturas de conta. Os 30 milhões de reais, na verdade, era o fixo mais uma antecipação de dezoito milhões de reais.

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Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Dispensas de Ralf e Jadson

Dois dos maiores ídolos da torcida do Corinthians ficaram sabendo que estavam fora dos planos de Tiago Nunes já em janeiro de 2020. O que custava ter comunicado os dois no início de dezembro de 2019, quando acabou o Brasileirão? O treinador já estava contratado desde outubro. TN não tomou a decisão sozinho, obviamente. Se Andrés e sua diretoria quisessem a permanência, a dupla teria permanecido. Faltou tato e consciência na decisão.

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Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Dívidas e processos que trouxeram desgaste à toa

O Parque São Jorge teve a luz cortada, a taça do Mundial foi penhorada... e a imagem do clube foi desgastada à toa. Isso sem falar em processos mais recentes, como Manoel, Jonathas, Paulo Roberto e a empresa ligada à venda de Maycon. Todos tiveram que acionar à Justiça em busca de seus direitos. O Corinthians poderia ter evitado esses casos mais recentes, já que os antigos são inúmeros.

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Reprodução/Internet

Falta de transparência

Durante a campanha, Andrés prometeu que sua gestão seria transparente, inclusive, criticando o problema na gestão anterior. Mas o que se viu foi algo bastante diferente. O Corinthians passou o ano de 2019 inteiro sem divulgar nenhum balancete (trimestral ou semestral), por exemplo. A maiorias das transferências de compra e venda também não tiveram seus valores informados pelo clube. Até agora pouco se sabe sobre a negociação de Pedrinho, a maior e mais valiosa da história do clube.

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Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Vender 50% de Claudinho por R$ 1,5 milhão

Em setembro de 2019, o Corinthians vendeu 50% dos direitos econômicos de Claudinho ao Red Bull Bragantino. O valor recebido pela cessão foi de R$ 1,5 milhão. O meia-atacante, que na época já fazia uma boa Série B, hoje é um dos destaques do clube de Bragança Paulista na Série A. Alguém tem dúvida que Claudinho será vendido por mais de R$ 3 milhões num futuro próximo? Um exemplo do prejuízo que pode acontecer no futuro: se o jogador for vendido por, digamos, € 3 milhões (cerca de R$ 21 milhões), o Corinthians terá perdido nessa operação 10 milhões de reais. Aguardemos...

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Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

CT da base

A primeira maquete do CT da base foi divulgada por Andrés foi em 2011. O local, que já é usado por algumas categorias, ainda não está pronto. O clube não informa o estágio real da construção, mas pessoas próximas ao presidente corinthiano falam em final da fase 2/início da fase 3 - são quatro fases para a conclusão da obra. Lembrando que já passaram três presidentes desde o lançamento da primeira maquete.

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Divulgação

Veja mais em: Andrés Sanchez, Diretoria do Corinthians, Ações de marketing, CT Joaquim Grava, Corinthians Sub-23, Ex-jogadores do Corinthians e Mercado da bola.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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