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O Corinthians pós-Carille e o fantasma de 2016

Victor Farinelli

Victor Farinelli é um jornalista brasileiro e corinthiano residente no Chile, colabora como correspondente de meios brasileiros como Opera Mundi, Carta Capital, Revista Fórum e Carta Maior.

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O Corinthians pós-Carille e o fantasma de 2016

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O Corinthians pós-Carille e o fantasma de 2016

Cenário após a saída de Carille e a chegada de Loss não é tão assustador

Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Desmanche. Desmanche… DESMANCHE!! Nestes últimos dias, a torcida dorme (quando pode) e acorda com essa palavra na cabeça.

E não é para menos. Primeiro foi a saída do Fábio Carille, que não só abandonou o barco como ainda saiu dizendo que pode sim levar alguns atletas do clube com ele – podia pensar em atletas dos outros clubes, mas não, ele quer os do Corinthians. Daí pro mundo árabe começar a tentar os nossos jogadores com ofertas faraônicas não demorou muito. Depois, o próprio presidente assume que o clube vai perder jogadores na janela de transferência após a Copa, e que “não há nada que se possa fazer a respeito”. Ou seja, o Corinthians vai ficar só assistindo a debandada. Ele disse sairão “dois ou três jogadores”, mas acho que toda a Fiel Torcida ouviu “metade do time”. Eu pelo menos entendi assim, contaminado pelo pessimismo.

E os clubes estrangeiros também entenderam assim. Nos últimos sete dias já vimos especulações a respeito de Rodriguinho, Jadson, Romero, Cássio, Balbuena e até do Pedro Henrique, sem contar o Maycon que já fechou sua saída em julho.

A Fiel começou este 2018 mais ou menos como em 2017, sem saber direito aonde esse barco poderia chegar (ainda mais sem centroavante), mas mais otimista pela confiança depositada no Carille a partir dos resultados do ano passado. Confiança essa que foi reforçada com o bicampeonato paulista, naquele momento que nós chamamos de QUE MOMENTO, tudo parecia perfeito e o time que ganhou o título na casa do maior rival era forte o suficiente pra ganhar qualquer coisa mais que viesse pela frente, não tínhamos nenhuma dúvida disso.

Mas então, a realidade veio com um soco na cara da Fiel. A última vez que isso aconteceu foi mais ou menos entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016, pouco depois de ganharmos e hexa brasileiro com um time que também parecia imbatível, e que inspirava a ilusão de um bi da Libertadores com tri mundial, sob o comando do inesquecível Tite. Acordamos daquele sonho com a China levando metade do time embora, a CBF levando o Tite e um elenco (o que restou daquele timaço do ano anterior) entre os mais tiriça da história do Coringão.

Agora, o fantasma do desmanche ronda novamente a Zona Leste de São Paulo. A diferença é que, se levarem tudo o que prometem levar, o time que sobre não será tão ruim, mas será praticamente um time de garotos, com grandes promessas, como Pedrinho e Mateus Vital, assim como o próprio Osmar Loss é uma promessa como técnico. Mas nem o elenco nem o treinador são uma realidade para agora.

O grande problema agora é que a torcida meio que começa a entrar num modo de frustração antecipada. Esta era uma temporada que como 2016, nos prometia grandes conquistas, e agora será de varrer os casos e remontar o grupo pensando no futuro e não no presente. Podemos ganhar ao menos mais um título? Em se tratando de Corinthians, tudo é possível, mas convenhamos que sem esses jogadores que são os pilares do time, como Rodriguinho, Cássio e Balbuena, só com um milagre de São Jorge – por exemplo, se o Pedrinho despontar precocemente como líder da equipe, ou algo ainda menos provável e mais inusitado.

A situação econômica do país também ajuda nessa debandada, alimentando a vontade dos jogadores e imigrar. Sem contar a situação econômica do próprio Corinthians, que tem muito menos condição de reagir a esse assédio – e é por isso que o torcedor fica louco quando vê que os outros clubes têm mais condições de segurar ou repor peças, e nós simplesmente deixamos os caras irem embora, sem fazer nada.

Mas calma, o pós-Carille não é tão assustador quanto foi o pós-Tite. Osmar Loss é sim um treinador capaz e o elenco de garotos que o Corinthians montou tem potencial para fazer um grande time. Até por isso era preciso que esses jogadores mais experientes ficassem mais tempo e a transição dos garotos à titularidade fosse mais gradual e adequada, para que entre 2019 e 2020 nós já tivéssemos um time comandado por Pedrinho e Mateus Vital, com Léo Santos na zaga e talvez até o Caíque no gol, todos eles com rodagem suficiente para assumir a responsabilidade de serem os referentes do time.

Se o desmanche acontecer, essa molecada terá que assumir a titularidade meio que na marra, e isso pode levar a queimar algumas promessas, como já está acontecendo um pouco com o garoto Mantuan, que está jogando improvisado na lateral, mas que, quando tiver chance de jogar de volante, que é sua posição original, certamente mostrará o mesmo potencial de um Maycon, ou talvez até mais.

Mas claro, a gente também pode dar a sorte de o tal desmanche não ser tão ruim assim e que alguns jogadores importantes ainda permaneçam no clube, pelo menos até o fim do ano, e manter o time competitivo. Porque não há dúvidas de que, mesmo com Loss, este time pode conquistar mais títulos este ano, se mantiver ao menos dois terços dos titulares, incluindo os capitães e outros pilares.

O problema é que de 2016 pra cá a Fiel quase nunca teve essa sorte do seu lado. É só abanarem o dinheiro lá fora e esperar as histórias tristes. Tomara que todos os santos e orixás disponíveis estejam do nosso lado nestes próximos três meses, só desta vez.

Veja mais em: Fábio Carille.

Coluna do Victor Farinelli

Por Victor Farinelli

Victor Farinelli é um jornalista brasileiro e corinthiano residente no Chile, colabora como correspondente de meios brasileiros como Opera Mundi, Carta Capital, Revista Fórum e Carta Maior.

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