Marta no Corinthians!

Victor Farinelli

Victor Farinelli é um jornalista brasileiro e corinthiano residente no Chile, colabora como correspondente de meios brasileiros como Opera Mundi, Carta Capital, Revista Fórum e Carta Maior.

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Marta no Corinthians!

Marta é torcedora do Corinthians assumida

Foto: Divulgação/Corinthians

É só um sonho. Não sei se um sonho caro – imagino que menos que um terço do que gastamos em desastres como Alexandre Pato e Roberto Carlos, por exemplo – mas é ao menos simples: ver a melhor futebolista do mundo, que já é corinthiana, jogando com a camiseta do Corinthians.

Aceito que esta é uma ideia que ninguém pediu, mas eu estou propondo assim mesmo, e por várias razões.

A primeira é porque fazia tempo que não escrevia nada sobre o time feminino, e é preciso fazer isso, que façamos isso, eu, você, todo mundo que ama este clube poderia e deveria defender todas as nossas modalidades, masculinas e femininas.

No caso do futebol feminino não faltam motivos, já que, em três anos de projeto, elas se tornaram uma máquina de acumular vitórias, títulos e centenas de gols, e formam, sem dúvidas, uma das melhores equipes femininas do Brasil e da América do Sul.

Nossas Mosqueteiras da Fiel, valentes e talentosas, são um timaço, e na minha nunca humilde opinião este timaço precisa cair de vez nas graças do povo, um trabalho pra popularizar o futebol feminino no Corinthians e em todo o Brasil.

As nossas iniciativas de marketing vêm fazendo polêmica este ano – e convenhamos que algumas ideias são de questionável efetividade – mas o saldo nesse quesito ao longo da década é mais positivo. Uma das campanhas mais antigas que acho que deu certo foi o #RespeitaAsMinas, que contou com a participação das nossas jogadoras, porque não só serviu pra puxar um público inicial que vem crescendo com o time, como também pra reivindicar o espaço delas dentro de campo e nas arquibancadas, algo pelo qual elas mesmas lutaram, sozinhas ou através de grupos como o Movimento Toda Poderosa Corinthiana, o Loucas Por Ti Corinthians e o Movimento Alvinegras.

Porém, já chegou a hora de dar um segundo passo. Um passo que, se não for dado pelo Corinthians, certamente outro clube o fará, para se tornar o grande explorador do potencial do futebol feminino no Brasil – embora eu ache que só nós temos a capacidade de fazer com que isso seja verdadeiramente em todo o país, e alcançando todos os estratos sociais.

Um passo no qual é preciso uma ação de marketing mais robusta, que envolva investimentos e a contratação de um nome de peso, não só pra melhorar ainda mais o time como pela capacidade de gerar holofotes, atrair público e lotar os estádios, mais ou menos o mesmo efeito que o Ronaldo Fenômeno gerou a partir de 2009.

Marta seria a melhor opção pra um projeto assim, e não só porque é a melhor jogadora brasileira e talvez do mundo em todos os tempos, mas também – e principalmente – porque o próprio clube sabe pelo menos desde 2015 que ela é corinthiana, e se esse amor não se transformar em realidade poderia se tornar uma frustração pra ela e pro clube. Ao menos será pra mim, que sempre que penso no nosso time feminino imagino que um dia verei a corinthiana Marta jogando com a nossa camiseta, maravilhando a Fiel e se tornando ídola histórica.

Meu sonho vai além do pragmatismo, e não vê as coisas somente pela questão da necessidade ou não de um reforço. Como disse antes, nosso time feminino, que já é atual campeão brasileiro, e que ganhou Copa do Brasil e Libertadores em anos anteriores, é um dos melhores do país e continuará sendo forte, competitivo e vencedor mesmo sem ela.

Com a Marta, o Corinthians feminino seria ainda mais forte e vencedor, mas mais que isso, quebraria um paradigma, ao mostrar o clube mais popular do país fazendo uma aposta ousada pra popularizar o futebol feminino, investindo em trazer o torcedor pra ver os jogos delas no Parque São Jorge, e inclusive alguns em Itaquera, por que não?

Uma aposta que já está pipocando por aí. Recentemente, o São Paulo contratou a Cristiane e fez um tremendo alarde, como tem que fazer mesmo. Não tenho nenhuma inveja do rival, o que tenho é pena, quando deixamos de fazer igual ou melhor por preguiça, por burrice, ou – pior – por falta de interesse mesmo. Falta de dinheiro não deveria ser, já que agora temos um patrocinador que quer investir forte no clube. Contratar a Marta deveria custar menos que o Arana, e creio que o retorno seria maior.

Imaginem o efeito que uma boa campanha de comunicação poderia fazer, mostrando um clube de portas abertas pras mulheres, avançando em buscar um espaço mais equitativo pra elas no futebol, nas arquibancadas e dentro do campo. Imaginem como isso pode repercutir nas mulheres corinthianas, em fortalecer ainda mais a sua ligação com o clube, ao sentir um pouco mais de reciprocidade. Ou mesmo nas mulheres que não torcem pra ninguém, e como reagiriam ao ver pela primeira vez que um clube valoriza verdadeiramente uma modalidade feminina.

Espero de coração que este não seja um sonho que se sonha só. Eu teria um prazer enorme em vestir uma camiseta do Coringão dizendo “Marta 10” nas minhas costas. Quanto mais gente se identificar aqui, mais feliz ficarei, apesar se saber que também haverá uma galera cricri e os misóginos de sempre – não fazem nenhuma diferença. Que São Jorge e Dona Elisa me ajudem a fazer deste sonho realidade, e mais cedo que tarde.

Veja mais em: Corinthians feminino.

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Por Victor Farinelli

Victor Farinelli é um jornalista brasileiro e corinthiano residente no Chile, colabora como correspondente de meios brasileiros como Opera Mundi, Carta Capital, Revista Fórum e Carta Maior.

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