Murillo, Lulinha e a base do Corinthians
Opinião de Victor Godoy
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Murillo se enquadra na mesma situação de diversos jovens da base do Corinthians
Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Robert Renan, Mantuan, Pedro, Adson e agora Murillo. Esses são os jovens que o Corinthians se desfez na atual temporada. Além dos valores, no mínimo, questionáveis, incomoda a falta de uma perspectiva a longo prazo desses jogadores dentro do Parque São Jorge. Nada mais é que um retrato atual da base alvinegra, que nunca deixou de ser assombrada pelo “fantasma” do Lulinha.
É como se o clube não confiasse em seus jovens jogadores. Há um temor constante de que o atleta não dê certo, justificando a ideia de que é necessário se livrar o quanto antes. É como se fosse uma bomba relógio que nesse caso impede que muitas vezes o Timão conte com excelentes jogadores no médio prazo. A fala do presidente Duilio Monteiro Alves sobre a venda de Pedro por 9 milhões de euros, 7,5% do valor de sua multa rescisória, citando Lulinha é sintomática.
Engana-se quem pensa que essa descrença é exclusiva da diretoria. A torcida tem boa parte dessa culpa. Parte da Fiel torce mais para acertar que determinado jogador é ruim do que para que ele dê certo defendendo o clube.
Não precisa regredir muito para encontrar casos como esse. Cauê, atacante promovido por Mancini em 2021, foi trucidado por fazer 14 jogos ruins no profissional e hoje está próximo de ser anunciado pelo Benfica, de Portugal. O Corinthians não vai ganhar nada no negócio.
Até o início de 2023 Adson era considerado um jogador que não tinha dado certo para parte da torcida. Agora, os mesmos reclamam do clube vendê-lo por menos de R$ 30 milhões. A próxima vítima parece ser Biro, de 19 anos e 17 jogos no profissional.
Quando se fala de base, não é tão simples mensurar quanto esses jovens podem render tanto em campo quanto financeiramente. Não é todo dia que aparece um Moscardo, que mal subiu e já tomou conta da posição. Até mesmo o Murillo só veio a ter destaque em seu último ano de base. No Brasil há esse péssimo costume de ser imediatista com jovens jogadores. Ou deu certo ou deu errado. Não existe meio termo.
O Corinthians só vai começar a colher os frutos de sua base quando superar o “fantasma” do Lulinha. Para isso, cabe à diretoria investir em setores responsáveis por lidar com suas crias, os treinadores terem confiança e dar chance a esses atletas e a torcida ter paciência.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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