A hora 18 em Itaquera

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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A hora 18 em Itaquera

Os caminhos de cores na hora 18

Foto: Walter F. Jr.

Um) Itaquera é pérola paulistana. Num domingo de céu azul-azul, sem nuvem alguma, passe antes no Parque do Carmo. O melhor é a gente de lá, povo trabalhador, gentil e simpático.

Dois) É enorme a quantidade de pessoas que batem com a cara na porta na Arena Corinthians. Triste demais ver uma criança chorando, mão dada ao pai, tomando o metrô de volta às três da tarde. É preciso criar um sistema inteligente que facilite acessos aos que residem em outras cidades e Estados, aos de orçamento curto e às famílias numerosas. Estes todos fazem esforço tremendo para ver o Corinthians em ocasiões especiais. Que sejam vistos e contemplados, pois somos uma família.

Três) O telão mostra Dida pegando dois pênaltis de Raí, em 1999. Vibramos de novo. Goleirão! Hum, o são-paulino precisava pisar na perna do nosso arqueiro?

Quatro) Nossa formação no Majestoso tem Danilo como um falso 9. Ótimo vê-lo em campo, herói de tantas conquistas. Mas a experiência não resulta em sucesso. Lento, bem marcado, o astro pouco produz. Poderia ter sido substituído no segundo tempo. Cristóvão preferiu mantê-lo.

Cinco) Romero é batuta no pé de ferro. Voluntarioso, começa pela direita, oferecendo assistência defensiva a Fágner. Depois, troca de lado com Marquinhos Gabriel. A torcida aprendeu a admirar sua garra e comprometimento.

Seis) Depois de sofrer o gol, o Corinthians se lança ao ataque. A cabeça de Bruno Henrique é arma de puro reflexo. É hora de Rodriguinho desempatar, mas surge a mão salvadora de Denis, esse goleiro tão instável, que tanto falha em jogos importantes. Ele mesmo livra os leonores de tomar o gol de Romero, em cabeceio que agitou o segundo tempo de jogo.

Sete) Há 42.099 dos nossos, mas por vezes parece que o samba atravessa. Falta a sincronia da música, assim como variação em nossas modas melódicas. A Oeste pouco canta e, quando tenta, até desafina. Sem síndrome de vira-latas, mas os torcedores argentinos, hoje em dia, precisam ser vistos como referência do apoio integral, ruidoso e irritante para o adversário.

Oito) Este colunista conversa com Pedro Henrique durante o intervalo. Ele manifesta gratidão pelo apoio na crônica que sucedeu o embate contra o Galo, em BH. Eu é que tenho de agradecê-lo, pela coragem e pelo futebol de superação depois do episódio.

Nove) Giovanni Augusto precisa verticalizar mais o jogo, não? E Elias, desta vez, entra fora de ritmo, por pouco não leva um vermelho ao abalroar um tricolor. No segundo tempo, ficamos devendo. Micou. Não conseguimos transformar o SPFC no supremo perdedor de Itaquera. Também é incômodo ver o rival verde ganhar distância na ponta da tabela.

Dez) Há do meu lado um torcedor de primeira vez em Itaquera. Veio comprar eletrônicos para revender em sua cidade, Cuiabá. Doido, trajava uma calça escandalosamente verde. "Corri o risco, pois não tinha outra para vestir", justifica-se. Ousadia de um fiel.

Onze) Na hora de sair, na hora 18, prove o caminho de Artur Alvim, no rumo do bar da Família Oliveira. Faça o percurso da alça elevada para pedestres, ao lado da Dr. Luís Aires, o trecho ali da Radial. Nesta época do ano, expõe-se o céu em festa. Sobre a Arena, via-se a Lua, bola mais redonda que a jogada na cancha nossa. Lá no horizonte alaranjado de Oeste, entre os laços das passarelas, brilhavam Vênus e Mercúrio, este último um pontinho quase imperceptível. O futebol está no meio deste incrível espetáculo que é o cosmo.

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Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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