A pergunta: quais foram os maiores craques da história do Timão?

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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A pergunta: quais foram os maiores craques da história do Timão?

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A pergunta: quais foram os maiores craques da história do Timão?

Corinthians: extensa galeria de craques

Foto: Arte/Ataque de 51

Nos dias de hoje, ouvimos com frequência a afirmação: “beleza, é esforçado, mas não é craque”. Ora, mas cabe a pergunta: afinal, quem realmente pode ser chamado de CRAQUE na história corinthiana?

A palavra não teria sido banalizada?

Ao agregar os inúmeros critérios de avaliação de jogadores, utilizados por técnicos e especialistas do mundo inteiro, chegamos a 20 quesitos.

O craque seria, portanto, aquele capaz de confirmar boa performance na maior parte das categorias de avaliação abaixo.

1) Senso coletivo;

2) Raça;

3) Disciplina tática;

4) Criatividade;

5) Regularidade;

6) Colocação;

7) Recepção;

8) Assistências;

9) Qualidade nos passes, lançamentos e cruzamentos;

10) Aproveitamento nas finalizações;

11) Efetividade na bola parada;

12) Drible;

13) Proteção da bola;

14) Marcação;

15) Desarme;

16) Antecipação;

17) Velocidade;

18) Liderança;

19) Poder de decisão;

20) Carisma.

A observação da lista pode tornar o pensamento mais claro e auxiliar na formulação do conceito.

No caso corinthiano, o item 1, senso coletivo, sempre foi de fundamental importância. Essa qualidade específica sobrava, por exemplo, em Neco, nosso primeiro ídolo. Associava-se ao elemento 2, a raça, também marca da mística mosqueteira.

A história gloriosa da Seleção Brasileira, aliás, começou justamente com nosso querido Neco, um gigante na conquista do Sul-Americano de 1919.

No confronto com o poderoso Uruguai, saímos perdendo por 2 a 0, mas Neco varou as redes da Celeste por duas vezes e decretou o empate.

Na partida decisiva, foi o autor da incrível jogada que resultou no gol de Friedenreich. Carismático, um corinthiano apaixonado, Neco inspirava os colegas e toda nossa formidável torcida.

E o que dizer de Teleco, o artilheiro corinthiano que estabeleceu uma média de gols superior à de Pelé?

Teleco era efetivo nas finalizações. Muito! Atuando conosco entre 1934 e 1944, foi um terror para as defesas adversárias.

Os velhinhos, bem velhinhos, ainda lembram do histórico jogo de 1937 contra o Palestra Itália (Palmeiras). Teleco entrou como uma múmia, com o braço enfaixado junto ao corpo e endurecido por talas de proteção.

E foi justamente ele quem marcou o único gol da partida. Ali, praticamente selou a conquista de mais um título paulista, o de número 9 em nossa galeria. Que baita poder de decisão!

Tanto Neco quanto Teleco eram constantes e regulares. O que isso quer dizer? Que o craque exercita suas virtudes sempre. Não é atleta de uma fase, tampouco de um jogo só. Ele se repete, impõe o padrão de excelência.

É o caracteriza, por exemplo, o craque Wladimir, o atleta que mais vezes envergou nosso manto sagrado: 806 vezes!

E mais: atingiu a marca espetacular de 163 jogos seguidos. Nesse período, nos anos 80, não saiu de nossas fileiras por contusão, punição disciplinar ou problema pessoal.

Para alguns, o craque é aquele que esbanja elegância, que trata a bola com o talento de um artista. Se é assim, o super craque do Timão é Roberto Belangero, um centromédio (volante) preciso, nobre, inteligente, de ótima colocação em campo.

No namoro com a redonda, outro que impressionou a Fiel foi Luizinho, o Pequeno Polegar. Esse era sapeca, atrevido e provocador. Driblava como poucos e azucrinava os defensores adversários.

Atleta da base, pinçado cedinho do Maria Zélia, era querido por todos no Parque São Jorge. Anotou o gol do título de 1954 contra o Palmeiras.

Ora, e o que falar de Claudio, o atleta que mais marcou gols com a camisa do Corinthians? Foram 306 tentos. Este era o líder do grupo, daí o apelido de “Gerente”. Outra qualidade, a maestria na bola parada.

Se a ideia é tratar de liderança, vale citar o incansável Rincón, bravo, disciplinador, competente, referência do time vencedor do período entre-séculos. O colombiano cercava, marcava, usava o cotovelo se preciso e, nas horas difíceis, subia ao ataque para resolver a situação. Foi dele o gol salvador contra o Al Nasser, no Mundial de 2000.

Rivellino não ficou marcado pelo poder de decisão, especialmente em razão do fracasso de 1974. No entanto, é para muitos o maior craque que já vestiu nossa camisa. Rápido, vigoroso, de chute potente, desenvolveu e popularizou o drible elástico, inventado pelo nissei Sergio Echigo.

Para outros, porém, o mais destacado craque corinthiano é o Doutor Sócrates. Este esbanjava talento e pontuava muito bem em quase todos os 20 quesitos. Liderava e inspirava, dentro e fora do campo.

No entanto, é possível que sua maior virtude tenha sido a criatividade. Diante de defesas sólidas, Sócrates inventava o ponto futuro, subvertia a regra, surpreendia até mesmo os colegas.

Era o passe magistral de calcanhar, era a virada de jogo que desnorteava o adversário, era o chute fraquinho, mas previamente medido na régua mental, que fazia a bola deslizar para as redes adversárias.

Há craques e craques. Alguns se destacam nisso e não naquilo. Para muitos veteranos, Mário foi o maior driblador que já integrou nossas esquadras. Dizem que, com a bola no pé, superou até Garrincha e Canhoteiro.

Mas Mário não anotava gols! Sabe-se lá o porquê. Há duas lendas. A primeira é de que obedecia a mãe, uma senhora piedosa que não queria ver o filho maltratando os goleiros adversários.

A segunda diz respeito a uma moça que enganara no Rio de Janeiro. Chegava diante do gol e o rosto feminino o assombrava. Não marcava de remorso.

Quem não tinha medo de finalizar era Marcelinho Carioca. O leitor pode ter reservas em relação à conduta desse atleta. Mas quantas alegrias deu à torcida corinthiana. Sabe disso quem se torcia de nervoso, por exemplo, na final do Paulista de 1995, contra o Palmeiras, em Ribeirão Preto. Ah, onde Marcelinho guardou a bola naquela cobrança de falta perfeita!

Outro desses carrascos de adversários é Danilo, jogador tão discreto quanto cerebral, ótimo no passe, notável na recepção, fabuloso na proteção da bola, primoroso na colocação, taticamente disciplinado e, para completar, um finalizador frio e competente.

Não há como esquecer, por exemplo, seu gol contra o Santos, no Pacaembu, pela Libertadores de 2012. Detalhe: no Timão, Danilo foi constante, regular e perseverante na qualidade.

Mas nem sempre a efetividade garante reconhecimento. Paulo Pisaneschi, o Tanque, por exemplo, anotou 149 gols pelo Corinthians e muitos nunca ouviram falar dele. Você o conhecia? Possivelmente, sumiu das narrativas porque atuou em uma época marcada pela seca de títulos, entre 1954 e 1960.

Você, caro leitor, certamente elegeu seus próprios craques, porque a admiração é subjetiva e depende também da história de cada um.

Vira craque também aquele sujeito que marcou um gol no dia em que você foi com seu saudoso pai ao jogo do Coringão. Para muitos de nós, Palhinha, aquele do gol de “cara”, em 1977, virou um ser sobrenatural, herói de insondáveis poderes.

Para outros, é Basílio, o homem do tento mais comemorado na história do esporte bretão. Mas pode ser o decisivo Neto, do primeiro Brasileirão, em 1990, ou o valente Guerrero, que vimos anotar o gol do Mundial de 2012, em Yokohama.

Por fim, há também o craque da dedicação. Para tantos, Biro-Biro brilhou na polivalência, na entrega, na lida operária e na identificação com a torcida. Desarmava, distribuía, corria ao ataque. Em 1980, pelo campeonato de 1979, o volante usou a canela para eliminar o Palmeiras do Paulista. E isso, para muitos fiéis, basta.

Vale refletir sobre o conceito e curtir o resgate de tantas emoções. Faço aqui a minha lista pessoal de 22 craques do Timão. Neco, Amílcar, Rato, Teleco, Servilio, Domingos da Guia, Claudio, Luizinho, Baltazar, Belangero, Rivellino, Zé Maria, Wladimir, Biro-Biro, Sócrates, Zenon, Neto, Marcelinho Carioca, Gamarra, Rincón, Edílson e Danilo.

E aí, qual é a sua lista?

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Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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