Inspiração zero, arbitragem e Globo

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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Inspiração zero, arbitragem e Globo

Inspiração zero, arbitragem e Globo

Giovanni Augusto: uma substituição inócua

Foto: Agência Corinthians

1) Seguiu-se o roteiro tradicional. O Corinthians foi à Argentina e mais uma vez não conseguiu vencer o time da casa. Já foram 10 duelos de mata-mata, com sete eliminações e nenhuma vitória contra os anfitriões.

2) Mais uma vez, o futebol não apareceu. Especialmente no primeiro tempo, disputou-se um renhido MMA no meio de campo, com farta distribuição de bicudas, caneladas, empurrões e trombadas.

3) O Racing, como previsto, jogou com o regulamento debaixo do braço, aventurando-se no ataque com máxima cautela. Atuou a maior parte do tempo com uma trinca de zagueiros, protegida por uma parede de cinco meio-campistas, aqui e ali congestionada também por Lisandro López e Triverio.

4) O time argentino poderia ter poupado o goleiro Gómez e ter escalado em seu lugar um cone, considerada a espetacular inoperância do ataque corinthiano.

5) Sem criatividade e valores individuais, a esquadra comandada por Carille arrebentou-se em um jogo truncado de meia cancha e praticamente não levou perigo à meta adversária. A melhor chance talvez tenha sido a falta (mal) cobrada por Jadson.

6) Marquinhos Gabriel seguiu sua sina. Depois de um bom jogo, contra o Vasco, recolheu-se à prática convencional do futebol burocrático.

7) Rodriguinho, que ainda não retornou da Seleção Brasileira, entrou no lugar do sonolento Jadson. Não parou minutos em campo e foi expulso, com razão, pelo árbitro uruguaio. Ali, matou as pretensões do Corinthians. Está devendo, e muito. E cobre-se de razão quem questiona sua titularidade.

8) É triste que o Corinthians, depois de tantos malogros em canchas argentinas, ainda não tenha amadurecido para compreender a particular natureza do desafio. Eles vão catimbar, fingir, provocar e, quase sempre, vão contar com uma arbitragem favorável. No caso de profissionais e de uma comissão técnica bem paga, há limite para a ingenuidade.

9) É igualmente espantoso que a direção corinthiana não tenha preparado os atletas para a postura arrogante e frequentemente parcial do árbitro uruguaio Leodan González. Este ano mesmo, ele não expulsou Rodrigo Aguirre, do Nacional uruguaio, em um lance também típico das artes marciais. O atleta, em seguida, empatou o jogo contra o Peñarol. Dias depois, ele inventou a expulsão de Carlitos Benavídez, do Defensor Sporting, em partida contra o Liverpool. Há inúmeros registros de "equívocos" do árbitro, como na contestada vitória do Peñarol contra o River Plate uruguaio, por 1 a 0, em 2012. O River teve um gol legítimo anulado e um pênalti claríssimo ignorado.

10) O Corinthians não fez por merecer a vitória, mas é certo que a arbitragem foi implacável com os brasileiros e complacente com os argentinos. Lisandro López bateu, empurrou e provocou sob o olhar condescendente do árbitro. Romero foi atingido, sim, e seu agressor merecia punição exemplar, o que não ocorreu. Pillud também mandou o cotovelo em Gabriel, sem receber a devida admoestação.

11) A Rede Globo, esta mesma que demonizou Jô, da fanfarronice do Fantástico ao jornalismo de ficção de Fátima Bernardes, brigou com as imagens e não percebeu nada disso, mergulhada que está em seu vergonhoso padrão de indignação seletiva.

Veja mais em: Copa Sul-Americana.

Coluna do Walter Falceta

Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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