A cara do Brasileirão 2017

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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A cara do Brasileirão 2017

A cara do Brasileirão 2017

O Brasileirão 2017: não é simpático nem altruísta

Foto: Godzilla / Warner Bros. Pictures

Nesta semana que finda, amigo leitor, cansei de ouvir: "ah, imagina se o Grêmio vai entrar com o time reserva?". Outro: "não os caras ainda têm chance; no máximo, o Porco empata".

Enfim, ingenuidade. Bastava checar as escalações do tricolor gaúcho em jogos que precederam disputas da Libertadores. Times mistos, com seis, sete, oito ou nove reservas.

Disputou seis partidas desse modo. Perdeu cinco e empatou uma. Aproveitamento de 8,3% dos pontos disputados. Não deu outra neste domingo em Porto Alegre. Mais uma derrota, com o Palmeiras próximo de impor uma goleada sobre o time de Renato Gaúcho.

Também ouvi que o Atlético Goianiense complicaria a vida do Santos. Não! Até os milagres têm limite. O Santos empatou três seguidas, perdeu o técnico, recuperou-o por demanda dos atletas, sofreu a pressão da torcida. Assim, dificilmente desperdiçaria, em seus domínios, a chance de se aproximar do líder.

E a grande molecagem do campeonato o Atlético Goianiense já aprontara, em Itaquera, justamente contra o sonolento Corinthians que iniciou o segundo turno.

Fim dos jogos da tarde: a diferença para Palmeiras e Santos caiu para apenas seis pontos, com uma penca de rodadas ainda por disputar.

Nesta segunda-feira, portanto, convém que a preleção no vestiário assuma outro tom. O que dizer? Que é preciso evitar a derrota, evidente, mas, sobretudo, buscar a vitória. Cabe também uma reflexão iluminada pela Matemática e pela Psicologia.

Não, não bastam "x ou y" vitórias, porque não determinamos os resultados dos outros competidores. E, não, o discurso padrão do "tá tudo bem" não assegura título.

O mesmo vale para determinada parcela da torcida do Corinthians, que tem insistido nessas teses, sem considerar as particularidades do futebol. Basta um olhar para 2009, em que comportamento semelhante tirou das mãos do rival Palmeiras o título nacional.

O comportamento blasé, do "já ganhamos", em nada combina com a tradição corinthiana. E o canto prematuro de "é campeão", entoado na virada de turno, precisa ser esquecido, porque também não tem relação com o ethos alvinegro.

Arana precisa retomar o foco no campeonato. Maycon deve recuperar a presença de espírito que o marcou na base.

De Rodriguinho e Jadson, exige-se aquela determinação que se converte em energia criativa.

Romero precisa resgatar a eficiência que mostrou antes das convocações para a seleção do Paraguai. De Jô se espera a carga de adrenalina que, no primeiro turno, o colocava meio segundo à frente dos zagueiros adversários.

Enfim, contra o Botafogo, o Corinthians de Carille tem que acordar e exercitar-se no inconformismo dos vencedores.

Se assim não for, o campeonato será implacável com a equipe de Parque São Jorge. O campeonato não é amigo. Tem esse jeitão antipático aí. Vamos encarar?

Veja mais em: Campeonato Brasileiro.

Coluna do Walter Falceta

Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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