Empresário desabafa e cobra Corinthians por acordos feitos na gestão Augusto Melo
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Por Meu Timão
Augusto Melo está afastado da presidência do Corinthians
Ronaldo Barreto / Meu Timão
Em setembro de 2024, o então presidente do Corinthians, Augusto Melo, admitiu publicamente ter recorrido ao empresário gaúcho Igor Zveibrucker para viabilizar financeiramente as contratações de Matheuzinho e Rodrigo Garro.
Durante entrevista coletiva, Augusto classificou Zveibrucker como "um grande amigo" e destacou que o empréstimo foi feito sem vínculo formal com o clube, a juros considerados baixos, com o objetivo de aliviar as contas alvinegras.
Atualmente, Igor Zveibrucker busca esclarecer como será feito o pagamento da dívida que o Corinthians ainda tem com ele, especialmente após o afastamento de Augusto Melo da presidência devido a irregularidades no repasse de comissões relacionadas ao contrato com a VaideBet. A informação é do portal Gazeta Esportiva.
Na semana passada, Igor solicitou insistentemente uma reunião com Armando Mendonça, vice-presidente do clube. O encontro foi realizado no escritório do empresário, em Porto Alegre, enquanto a delegação corinthiana estava no Sul para enfrentar o Grêmio pelo Campeonato Brasileiro.
Igor não apenas cobrou de Armando explicações sobre os valores pendentes, como também aproveitou o momento para desabafar e expor o histórico de sua relação com Augusto Melo, incluindo as tratativas iniciadas ainda durante o período eleitoral, quando Augusto era apenas postulante ao cargo de presidente.
"O encontro que tive com o empresário Igor — a seu pedido para falar sobre questões envolvendo o SCCP — foi absolutamente institucional, republicano e legítimo. Ao contrário do que pessoas más intencionadas dizem, não houve segredo algum. Aliás, importante aclarar que Vinícius Cascone (ex-diretor jurídico) não intermediou nenhum encontro. Estive acompanhado de uma terceira pessoa justamente para garantir lisura e evitar qualquer interpretação maliciosa. Por isso, mais uma tentativa frustrada de quem insiste em querer prejudicar o SCCP", iniciou Armando à Gazeta.
"Como vice-presidente, tenho o dever de zelar pela integridade do clube, especialmente quando surgem informações de interesse do SCCP e que podem comprometer o patrimônio e a imagem da instituição", acrescentou.
"É necessário esclarecer, com absoluta firmeza, que há uma tentativa orquestrada de distorcer os fatos para manchar minha reputação e desestabilizar a gestão provisória do Osmar Stabile junto ao Sport Club Corinthians Paulista (...) Sou vice-presidente eleito desta instituição e jamais me omitirei diante de atitudes que coloquem o Corinthians em risco", revelou.
"Continuarei, com respaldo integral do presidente Osmar Stábile, colaborando com todos os departamentos que necessitarem de apoio. Esse é o meu papel, e assim continuarei agindo. Tenho testemunhado de perto a seriedade com que o presidente Osmar tem conduzido o clube neste momento de crise. Aqueles que tentam criar divisões e plantar desconfiança entre nós perderão seu tempo: sou e serei leal ao presidente Osmar, porque confio em suas intenções e reconheço seu compromisso com o bem do clube", completou o vice-presidente.
Dívida com o Corinthians e RCE
A Gazeta Esportiva também revelou o teor da reunião entre Igor Zveibrucker e Armando Mendonça. Em determinado momento, o empresário questionou sobre a forma de recebimento dos mais de R$ 4 milhões que o clube ainda lhe deve.
"Deixei claro, de forma categórica, que não havia qualquer possibilidade legal de o Corinthians intervir, uma vez que o crédito dele está submetido ao Regime Centralizado de Execuções (RCE) e deve seguir o plano aprovado pela Justiça", explicou Armando.
"Em relação às questões financeiras referentes ao empresário Igor Zveibrucker, bem como a finalidade do empréstimo, trata-se de um assunto em apuração pela atual gestão", informou o clube, em nota.
De acordo com o clube, o montante atualizado dessa dívida é de R$ 4.398.754,34. No entanto, a diretoria atual não localizou contratos correspondentes nos documentos arquivados, o que gera a suspeita de que Augusto Melo tenha realizado acordos que não foram formalizados por escrito ou, ao menos, não foram devidamente apresentados.
"A gestão do presidente Augusto Melo teve muita dificuldade financeira, principalmente no início de 2024, quando tinha inúmeros salários atrasados e uma debandada de jogadores. Os empréstimos adquiridos estão todos no balanço de 2024, que foi apresentado aos órgãos fiscalizadores do Corinthians, como tudo que foi feito no ano de 2024 (...) Vale salientar que a dívida com o empresário citado está dentro da RCE feita no final de 2024", apontou Augusto Melo, por meio de nota enviada por sua assessoria.
'Abandono' de Augusto Melo em negócio por jovem da base
Durante pouco mais de uma hora e meia de reunião com Armando Mendonça, Igor Zveibrucker revelou que foi o responsável pelo acordo firmado entre o clube e a Brax, embora, segundo ele, toda a comissão tenha sido destinada a Carlos Leite.
Ele também afirmou ter sido quem enviou a proposta de empréstimo com opção de compra do jogador Gui Negão, do Montpellier, clube francês. Igor contou que se recusou a colaborar com pagamentos a advogados de Augusto Melo neste momento e afirmou ter se sentido 'abandonado' por Augusto, ao explicar que seu objetivo era atuar como intermediário para realizar negócios transparentes, ganhar de forma lícita e trazer boas oportunidades para o clube.
A assessoria de Augusto Melo disse, em nota que "as despesas de advogados para o processo que Augusto está passando nunca foram tema de conversa com o empresário citado na matéria".
"Não serei omisso diante de irregularidades. Não serei cúmplice de quem trata o clube como propriedade pessoal. O Corinthians pertence à sua torcida, à sua história e à sua grandeza — e é por ela que continuaremos lutando", afirmou Armando Mendonça após ser procurado para explicar a participação dele na reunião com o empresário.
