Conselheiros protocolam novo pedido de impeachment contra Osmar Stabile no Corinthians
5.0 mil visualizações 80 comentários Reportar erro
Por Bruno Pantarotto e Daniel Keppler
Conselheiros do Corinthians protocolam novo pedido de impeachment de Osmar Stabile
Rodrigo Coca / Ag.Corinthians
Um grupo de conselheiros e associados do Corinthians protocolou um novo pedido de impeachment contra o presidente Osmar Stabile junto ao Conselho Deliberativo (CD) do clube. O documento alega supostas violações estatutárias e legais relacionadas à contratação de empresas de segurança e pede a abertura de um processo de afastamento do mandatário.
Os autores sustentam que as irregularidades apontadas comprometem a transparência, a governança e a saúde financeira da instituição. Segundo o documento ao qual o Meu Timão teve acesso, as acusações envolvem possíveis descumprimentos do Estatuto Social do Corinthians, da Lei Geral do Esporte e de normas administrativas internas.
O principal ponto do pedido diz respeito à contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda, empresa ligada a Fernando José da Silva, conhecido como "Nandão", atual gerente operacional do Corinthians. De acordo com os signatários, a contratação teria ocorrido sem contrato formal e sem a aprovação prévia do Conselho de Orientação (Cori), exigência prevista no Estatuto para determinadas despesas administrativas.
O documento também questiona pagamentos realizados à empresa. Segundo os autores, foram emitidas três notas fiscais que, somadas, totalizam R$ 676 mil. Os conselheiros afirmam que não houve formalização contratual entre as partes e apontam supostas inconsistências na documentação fiscal apresentada.
Outro argumento utilizado pelos autores é que a empresa não possuía autorização da Polícia Federal para prestar serviços de segurança privada. O pedido cita ainda investigações conduzidas pelo Ministério Público sobre a contratação e sobre a emissão das notas fiscais.
Além da Mega, o documento faz referência à Bear Security Ltda, empresa que estaria responsável pela segurança pessoal de Osmar Stabile. Os conselheiros alegam que a companhia também não possuía regularização perante a Polícia Federal e destacam que ela já teria prestado serviços à família do presidente antes de sua posse no Corinthians.
Segundo o texto, o clube teria realizado pagamentos de aproximadamente R$ 586 mil à empresa. Os autores afirmam que a Bear Security foi constituída em janeiro de 2025 e passou a emitir notas fiscais ao Corinthians somente após a chegada de Stabile à presidência.
Na avaliação dos signatários, as contratações apresentam características de gestão temerária, como ausência de concorrência, falta de contratos formais, possível conflito de interesses e suposta ausência de transparência perante os órgãos de fiscalização internos.
O documento também argumenta que os fatos poderiam configurar infrações ao Estatuto Social, à Lei Geral do Esporte, ao Código Civil e à legislação esportiva brasileira. Os autores defendem que a conduta relatada justificaria a abertura de um processo de impeachment contra o dirigente.
Ao final, o grupo solicita ao Conselho Deliberativo o recebimento e processamento do pedido de impeachment, a comunicação dos fatos ao Ministério Público de São Paulo e a realização de uma auditoria independente focada nas contratações emergenciais e nos pagamentos efetuados sem contrato formal.
Até o momento, o pedido representa a versão apresentada pelos conselheiros que assinam o documento. Eventuais irregularidades ainda dependem de análise dos órgãos internos do Corinthians e das autoridades competentes, bem como da manifestação da defesa do presidente Osmar Stabile.
Pedido anterior de impeachment
Ainda em abril deste ano, um grupo de conselheiros já havia protocolado um pedido de impeachment contra o presidente. Este, inclusive, avançou nos órgãos internos do clube, e Osmar Stabile já possui um prazo para sua defesa.
Um dos principais argumentos apresentados no documento está relacionado ao acordo firmado entre o Corinthians e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para renegociar uma dívida estimada em R$ 1,2 bilhão. De acordo com os autores do pedido, o clube ofereceu o Parque São Jorge como garantia da operação, com o complexo imobiliário avaliado em R$ 602,2 milhões.
Os signatários alegam que a medida foi adotada sem a autorização prévia dos órgãos internos competentes, exigida pelo Estatuto Social. Além disso, sustentam que a utilização da sede como garantia representa uma forma de oneração patrimonial, já que o bem poderia ser executado em caso de descumprimento do acordo.
O documento também cita uma declaração atribuída a Osmar Stabile, na qual o dirigente teria afirmado que, caso sua administração não obtivesse sucesso, o Parque São Jorge poderia acabar se transformando em "um monte de prédios e apartamentos".
Outro ponto abordado na representação envolve a suposta falta de respostas da diretoria a questionamentos encaminhados por conselheiros e associados. Entre os temas mencionados, estão os gastos com a manutenção da Neo Química Arena, a troca da administradora do Fundo de Investimento Imobiliário (FII) Arena, os critérios adotados para a distribuição de ingressos e credenciais, a contratação de uma empresa de segurança armada e informações relacionadas ao Censo Timão.
Os signatários do pedido também levantam questionamentos sobre possíveis irregularidades administrativas relacionadas à existência de funcionários fantasmas no clube. O documento menciona declarações do próprio Osmar Stabile, que teria afirmado ter encontrado pessoas registradas nos centros de custo do futebol profissional e das categorias de base sem atuação efetiva nos respectivos setores.
Além disso, a representação critica a suposta falta de transparência na divulgação das informações financeiras do Corinthians. Segundo os autores, o último balanço disponível no portal oficial do clube era referente a novembro de 2025, o que, na avaliação deles, dificultaria o acompanhamento das contas por parte dos associados e poderia representar descumprimento de normas previstas no Estatuto Social e na Lei Geral do Esporte. No entanto, o Corinthians retomou a publicação de seus demonstrativos financeiros no site oficial nos últimos meses.
