André não estava no Maracanã. Mesmo assim, foi agredido pela polícia e preso no Rio

André não estava no Maracanã. Mesmo assim, foi agredido pela polícia e preso no Rio

André tem 39 anos, é pai de família, não brigou no Maracanã e mesmo assim foi preso

André tem 39 anos, é pai de família, não brigou no Maracanã e mesmo assim foi preso

Foto: Arquivo pessoal

Bom marido, pai, padrasto, trabalhador e torcedor. Essas são algumas das características de André Luis Tavares da Silva, de 39 anos, preso injustamente no Rio de Janeiro após o episódio envolvendo torcedores do Corinthians e policiais militares no último domingo, no Maracanã. Ele é um dos 31 corinthianos que tiveram prisão preventiva decretada no início da tarde desta terça-feira, em audiência de custódia, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

André mora em Santo André junto com a esposa Ana Cristina. Tem uma filha – e a guarda da pequena de dez anos, pois provou na Justiça ser um ótimo pai –, além de três enteados. Trabalha como corretor de seguros e é dono de uma empresa em Itaquera, nas proximidades do estádio do Corinthians.

André, à esquerda, durante batizado da filha

André, à esquerda, durante batizado da filha

Foto: Arquivo pessoal

"O Corinthians para ele é tudo. Fez questão de abrir o negócio lá pertinho da Arena", conta Ana Cristina, em conversa com o Meu Timão.

Seguir o Corinthians, portanto, fazia parte da rotina de André. E assim o fez no último domingo, quando viajou de carro ao Rio de Janeiro com o enteado mais velho, de 27 anos, para assistir ao jogo entre Corinthians e Flamengo. Deixou o veículo em um estacionamento na cidade carioca e concluiu o trajeto até o Maracanã de metrô.

No caminho até o estádio, aproveitou para registrar o passeio por meio da câmera fotográfica do celular. Enquanto fazia selfies e tirava fotos com o enteado, mal podia imaginar que uma briga envolvendo flamenguistas, corinthianos e policiais militares estava tomando conta do setor de visitantes das arquibancadas do Maracanã.

"Ele sequer estava no estádio no momento da confusão. Temos fotos do André cinco minutos antes da confusão no metrô indo para o estádio. Todas essas informações foram desconsideradas pela magistrada", explica Gabriel Miranda, advogado de defesa de André, ao Meu Timão, se referindo à audiência de custódia desta terça-feira.

"Ele é alegre, divertido, companheiro, dificilmente vai ver de cara fechada. Uma pessoa muito trabalhadora. Não tem como ele arrumar confusão. Nunca vi ele ficar nervoso, ele sempre reverte a situação, ele é muito tranquilo", acrescenta Ana Cristina.

André durante encontro com o atacante Ángel Romero

André durante encontro com o atacante Ángel Romero

Foto: Arquivo pessoal

Ao término do jogo, André foi um dos 64 torcedores do Corinthians conduzidos pelo Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe) da polícia militar do Rio à Cidade da Polícia. Lá, após identificação, não foi liberado, sendo detido junto com outros 29 corinthianos que ele nem mesmo conhece e com quem dividiu cela na penitenciária de Bangu na madrugada dessa terça. De acordo com o advogado, André levou golpes de cassetete e tapas no rosto de policiais durante o processo de detenção.

"(Os presos) Apanharam muito da polícia. O André também foi agredido pela polícia, só que as suas agressões foram brandas comparadas às dos outros. Ele vai ainda assim passar pelo exame de corpo de delito no IML", relata Miranda.

A defesa de André entrará com habeas corpus pela reconsideração da decisão da magistrada. Conseguindo a liberação de seu cliente, Miranda promete auxiliá-lo a tomar as medidas judiciais cabíveis contra o Estado e os policiais que o agrediram.

"A ação da polícia foi mais grave ainda (do que a dos torcedores agressores), pois colocou um inocente na prisão. Aleatoriamente, a partir de um esteriótipo, barba, tatuagem, negro... E aí selecionaram com base em suposições, sem o mínimo de investigação prévia. A Justiça ratificou a arbitrariedade policial", afirma o advogado.

Desespero da família

Sem a chave do carro e os celulares que portavam no momento da revista policial – os objetos ficaram retidos com a polícia –, o enteado de André decidiu passar as duas últimas noites no Rio de Janeiro na expectativa da liberação do padrasto. Após a audiência de custódia desta terça, ele desistiu e comprou passagem de ônibus para deixar a capital fluminense.

"Meu filho tentou falar com o André na delegacia, mas não deram nem mesmo informações. Ele ainda por cima é diabético, e a insulina ficou dentro do carro. Teve que comprar insulina nova lá, arranjar hotel e agora passagem de ônibus", detalha Ana Cristina, com a voz abafada, tentando segurar o choro.

Em Santo André, o restante da família está assustado. As informações que chegam por meio do advogado e da imprensa aumentam cada vez mais o temor e a preocupação com a situação de André nas mãos da polícia carioca.

André ao lado do avô

André ao lado do avô

Foto: Arquivo pessoal

"Devia ter falado para ele não ir, brigado com ele. Mas eu sei o que o Corinthians significa para ele. Eu também sou corinthiana, adoro estádios. Mas ir como visitante, no Rio de Janeiro... Eu devia ter batido o pé para ele não ir para o Rio de Janeiro", diz a esposa, como que se culpando por um crime que não cometeu, já soluçando, dando vazão às lágrimas.

"A gente aqui da família está muito chocado. Estou num sentimento de país que tudo pode. Desacreditada um pouco nas coisas. É difícil acreditar que uma pessoa passe por tanta humilhação sem base em nada. É só por convicções que esse país funciona agora. Não há uma foto, um vídeo, uma imagem que o coloca na confusão", conclui.

Outro lado

Em resposta às críticas contra a ação policial de domingo, o comandante do Gepe da polícia militar do Rio, major Sílvio Luiz, defendeu a atuação de sua equipe nas arquibancadas do Maracanã após o jogo entre Corinthians e Flamengo. De acordo com ele, apenas "agressores ao policiamento e envolvidos na confusão" foram detidos. Supostos casos de abuso de poder não foram comentados.

"A Policia Militar atuou de forma técnica. Já é praxe mantermos a torcida do time visitante dentro do estádio enquanto ocorre o escoamento dos torcedores do clube local. É lógico que num jogo com mais de 60 mil pessoas, esse tempo de espera vai ser maior. Neste momento, a Polícia Militar aproveitou para através das imagens que foram colhidas, identificar os agressores ao policiamento e todos os envolvidos na confusão", argumentou o comandante, em entrevista coletiva concedida na última segunda-feira.

André não estava no estádio no momento da briga

André não estava no estádio no momento da briga

Foto: Reprodução/TV

"As pessoas que não estavam na caravana, como mulheres e crianças, foram liberadas antes, como as imagens deixam claro. Trabalhamos para separar essas pessoas dos torcedores das caravanas da torcida organizada", finaliza.

Veja mais em: Corinthianos presos no Rio.

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