Família divulga provas que inocentam mais um dos presos no Rio de Janeiro

Família divulga provas que inocentam mais um dos presos no Rio de Janeiro

Gustavo, ao lado do enteado e da filha, está preso há mais de uma semana no Rio de Janeiro

Gustavo, ao lado do enteado e da filha, está preso há mais de uma semana no Rio de Janeiro

Foto: Arquivo pessoal

Imagine ser preso por um crime que você não cometeu. É a situação do corinthiano Gustavo Inocêncio Meira Rosário, de 24 anos, detido injustamente na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Bangu, no Rio de Janeiro, após o confronto entre torcedores alvinegros e policiais militares no último dia 23, no estádio do Maracanã.

Natural de Avaré, interior de São Paulo, Gustavo é casado, tem uma filha de um ano e dois meses e um enteado, tratado com filho, e trabalha como garçom em um restaurante na cidade onde mora. Torcedor fanático pelo Timão, ele aproveitou o domingo de folga para conhecer o Maracanã, palco do duelo entre a equipe paulista e o Flamengo pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro. No entanto, por negligência das autoridades presentes na partida, a realização do sonho acabou em pesadelo.

Gustavo foi um dos 31 corinthianos que tiveram a prisão preventiva decretada pela juíza Marcela Caram no dia 25, dois dias após o incidente. Ao Meu Timão, porém, seus familiares apresentaram provas que comprovam sua inocência. “Ele não estava na briga, temos vídeos mostrando que ele estava se evadindo da briga que começou”, conta Bethania Pereira, esposa de Gustavo.

O material, que também circula nas redes sociais há mais de uma semana, mostra Gustavo, de regata branca, se distanciando do estopim do conflito iniciado no setor destinado à torcida do Corinthians. Além do vídeo (assista abaixo), a família reuniu imagens televisivas em que Rosário, à distância, observa atentamente o combate e a truculência da PM.

Após o apito final, Gustavo, assim como o restante da Fiel presente no estádio, foi obrigado a permanecer no local por horas, sem camisa, aguardando revista e suposta análise das imagens. E mesmo sem quaisquer relações com o confronto no Maracanã, foi apontado como culpado por um dos agentes e conduzido à Cidade da Polícia pelo Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe) da PM do Rio.

“Depois, à noite, os meninos que foram liberados me ligaram falando que ele tinha sido detido, que tinham – entre parênteses – reconhecido ele na briga”, recorda Bethania, que não fala com o marido desde a tarde daquele domingo. “Nessa hora veio meus filhos na cabeça, a preocupação de saber que ele está em outro estado, de não saber o que vai acontecer. Eu não tinha visto na televisão, não vi o jogo, nada, então a hora que me ligaram veio a preocupação”, relata, aflita.

Assim que soube da prisão do esposo, Bethania deixou Avaré e seguiu para a capital carioca, a fim de viabilizar a liberação de Gustavo, sem sucesso. Contratado pela família do corinthiano, o advogado João Drummond Freitas mantém otimismo sobre o caso. “O habeas corpus foi encaminhado, houve a negativa dos dois primeiros. A desembargadora achou por bem requisitar informações pra posteriormente julgar a liminar, então ela já mudou de posicionamento”, explica.

Segundo o profissional, o processo agora transita no Juizado do Torcedor, e há esperança de que Rosário seja solto em ao menos duas semanas. “Algumas fotos foram usadas no inquérito. Em momento algum essas fotos têm o Gustavo”, rebate. “Eles se basearam no reconhecimento por tatuagem, por características físicas, até porque três policiais jamais conseguiriam reconhecer 30 agressores”, argumenta o advogado, revelando ainda que o processo judicial não conta com material recolhido da transmissão do jogo, o que facilitaria a identificação de cada um dos envolvidos.

Gustavo (em destaque) não participou de confusão com a PM no Maracanã

Gustavo (em destaque) não participou de confusão com a PM no Maracanã

Foto: Reprodução/FOX Sports

“Todos nós somos contra a violência que os policiais sofreram no Rio de Janeiro, ninguém é a favor, ninguém achou bonito isso. Só que nós também não podemos ficar calados, porque temos provas de que há um inocente preso. Por isso criamos essa campanha, estamos tentando de todas as formas fazer com que alguém veja que tem casos de inocentes presos, sim. Que os verdadeiros agressores sejam punidos, e não pessoas de bem”, diz Letícia Pereira Oliveira, cunhada de Gustavo.

Além de Rosário, outro corinthiano que sequer estava no Maracanã no momento da confusão e que foi detido injustamente é André Luis Tavares da Silva, de 39 anos. Como o Meu Timão revelou na última semana, o corretor de seguros acessou o setor visitante somente após o incidente, mas acabou brutalmente agredido com cassetetes pela PM e levado à delegacia. Apesar de inúmeras provas, ele continua preso.

“Você ir a um estádio de futebol não é crime, você pertencer a uma torcida também não é crime. O Gustavo não cometeu nada que justifique a prisão, nada que a Justiça tenha provas de que ele é culpado”, finalizou.

Gustavo e Bethania são torcedores do Timão

Gustavo e Bethania são torcedores do Timão

Foto: Arquivo pessoal

Veja mais em: Corinthianos presos no Rio e Violência no futebol.

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